«Portugal nas mãos de um punhado de ex politicos ou amigos de politicos
Posted: 11 Dec 2012 01:32 PM PST
Neste video há muito para descobrir. Mas os primeiros 9 minutos são uma ofensa grave, ao contribuinte.
- Como os seus impostos são esbanjados?
- Como sustentar um grupo com mais de 50 empresas com dinheiros públicos, para que nenhuma se afunde, convém manter algumas que sirvam de porta de entrada de dinheiro público, esse poço inesgotável de dinheiro fácil.
- Como os políticos ou deputados fazem pela vida, unidos PS, PSD, etc.
- Como se criam escolas com direito de poder escolher alunos de elite e rejeitar alunos fracos?
- Como pode o estado financiar escolas que violam o principio básico da educação? A educação é para todos.
- Como é que os directores destas escolas se transformam em poderosos coleccionadores de luxos incalculáveis, explorando os empregados.
Queira ter a bondade de navegar neste mar de corrupção, até ao minuto 9 pode mesmo sentir-se enjoado com tanta falta de vergonha e promiscuidade, entre politica e negócios. A partir do minuto 9, o video foca-se na situação dos professores
O governo não precisa de dizer que vai acabar com o ensino gratuito .. pura e simplesmente fará para que isso aconteça.
O governo não precisa de dizer que vai acabar com o apoio público aos idosos, lares etc... pura e simplesmente cria as condições para isso e acontecerá.
O governo não precisa de dizer que vai acabar com a saúde pública... basta continuar no percurso que nos tem imposto, que lá chegaremos.
Todos sabemos que a intenção é destruir definitivamente os serviços públicos, que para eles gastam muitos impostos, e depois sobra menos para eles e para sustentar as suas fundações, as suas PPP, as suas empresas subsidiadas pelo estado, os seus subsídios e reformas, etc.
É ainda claro que lhes convém aniquilar as pequenas e médias empresas, para permitir que o nosso pequeno mercado português, fique à mercê dos grandes e poderosos gananciosos insaciáveis, amigos de, e ex políticos.
* "Maiores fortunas de Portugal cresceram 18% em 2011. Os ricos de Portugal estão mais ricos, segundo a lista das maiores fortunas do País elaborada pela Revista Exame. As fortunas dos 25 mais ricos de Portugal cresceram 17,8% em 2011 face ao ano passado" fonte
* Lucro da Sonaecom sobe 24% no 1.º trimestre para 17 milhões de euros | iOnline
* "Mota Engil escapa à crise"
* "Jerónimo Martins acelera 4,5%, Lisboa lidera ganhos na Europa" (eu avisei)
Resumo do video
Com a desculpa de que não havia vagas para todos os alunos no público, constroem-se colégios privados. Na verdade as escolas públicas ficam com várias vagas por preencher, com capacidade para 45 turmas, apenas lhe atribuem 37, e os alunos são empurrados para o privado, para que estes, tenham direito a receber mais subsídios do estado, pois significa 85 mil euros de subsidio por turma!!
O que é uma boa desculpa para haver cortes no público e dar mais dinheiro aos privados.
O grupo GPS é um império que exemplifica o que os nossos pobres deputados são livres de construir, na maior das impunidades e ás custas do poder que ganharam, das influências que exercem e dos dinheiros públicos que distribuem.
Sufocando a livre concorrência e a economia... afigura-se cada vez mais claro que são apenas uns poucos que dominam todos os sectores e todas as empresas, em Portugal.
António Calvete dono do império, foi deputado do PS, integrou a comissão parlamentar e um ano depois cria o grupo GPS. Espantoso? Para o grupo chamou mais pessoas influentes de vários partidos, desde deputados secretários de estado, antigos directores regionais de educação, etc.
Esta é mais uma prova, para os que teimam em agarrar-se a partidos como se fossem uma tábua de salvação, de que os partidos estão na verdade unidos numa só missão... aviar-se e roubar o mais que puderem. Nos bastidores são todos amigos e companheiros do saque.
Domingos Fernandes, secretário de Estado da Administração Educativa de António Guterres, Paulo Pereira Coelho, secretário de Estado da Administração Interna de Santana Lopes e secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, (envolvido em casos de corrupção)
José Junqueiro, deputado do PS.
Todos foram consultores do grupo GPS.
José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa de Santana Lopes, José Almeida, diretor Regional de Educação de Lisboa do mesmo governo.
Ao minuto 11, são hilariantes as reacções incoerentes de Agostinho Ribeiro.
Ao minuto 28 veja em pormenor onde os colégios privados esbanjam os impostos. Só este ano o grupo recebeu para os colégios GPS, 25 milhões de euros. Pago à turma, 85 mil por cada turma.
O dinheiro para a escola e para os professores é escasso, mas para luxos dos presidentes é uma fartura. Os professores são forçados a fazer todos os trabalhos da escola desde pintar, cantina, manutenção, contabilidade, etc
Mas os directores, Manuel António Madama, da escola de S. Mamede possui 80 carros, entre eles Jaguar Porsche, Rolls royce, Mercedes BMW, limusina Volkswagen, etc, etc. O filho António Madama, também alto cargo (boy) junto do pai, possui 17 carros.
José Canavarro e José Almeida ainda no poder e 5 dias antes das eleições que os iriam fazer perder o poder, deram autorização para a construção de 4 novos colégios.
O desespero de favorecer amigos que os iriam albergar em bons tachos, após o mandato, foi exercido até ao ultimo momento em que lhes é dado o direito de abusar do poder público.
Ambos se recusaram a ser entrevistados e negaram ter dado autorização... apesar de no video serem apresentadas as suas assinaturas a provarem o contrário.
A GPS construiu um império com mais de 50 outras empresas, além dos 26 colégios, em diversos ramos.
-GPS mediação de Seguros
-Gtelecomunicações
-MultiGPS - Multimédia
-Galevete e Galvete Imobiliária
-Agência de Viagens D. João V
-Criartimagem publicidade (já envolvida em escândalos de subsídios e outros)
-Restpresso actividades hoteleiras
-GPS comércio supermercados
Existimos em Portugal para sustentar parasitas que ainda por cima nunca ficam satisfeitos, querem sempre mais... Mira Amaral, que sabe do que fala, afirmou hoje. "«O melhor que os portugueses competentes têm para fazer» é emigrar"
E é assim que o governo continua a sua poda, cortando em quem não deve e onde não deve, para alimentar amigos.
*- Educação: "Governo corta o triplo do que a troika mandou. "
*- SNS: "A ‘troika’ mandou cortar 550 milhões e o Governo cortou mais 650 milhões e este ano vai cortar mais”, sublinhou.
*- Portugal reduziu em mais de 5% dos funcionários públicos entre dezembro de 2011 e setembro de 2012. Superando, assim, em mais do dobro a meta anual imposta pelo memorando da troika.
O mais intrigante é entender porque é que a comunicação social, só agora é que se lembra de começar a denunciar abusos que se arrastam há anos.
Depois ainda dizem que os blogs não prestam... pois pois...
Artigo que acompanhava o video.
A jornalista Ana Leal encontrou escolas públicas subaproveitadas, com salas vazias, à espera de alunos que foram transferidos para os colégios privados pertencentes ao grupo GPS, que envolve ainda vários ex-governantes de diversos partidos políticos.
O inspetor geral de Educação não mostrou disponibilidade para dar qualquer entrevista à TVI. Tentámos pelo menos durante 15 dias e ficámos a saber, através de um email que recebemos, que a inspecção terá iniciado uma auditoria aos colégios do grupo GPS.
Portugal nas mãos de um punhado de ex politicos ou amigos de politicos
Posted: 11 Dec 2012 01:32 PM PST
Neste video há muito para descobrir. Mas os primeiros 9 minutos são uma ofensa grave, ao contribuinte.
- Como os seus impostos são esbanjados?
- Como sustentar um grupo com mais de 50 empresas com dinheiros públicos, para que nenhuma se afunde, convém manter algumas que sirvam de porta de entrada de dinheiro público, esse poço inesgotável de dinheiro fácil.
- Como os políticos ou deputados fazem pela vida, unidos PS, PSD, etc.
- Como se criam escolas com direito de poder escolher alunos de elite e rejeitar alunos fracos?
- Como pode o estado financiar escolas que violam o principio básico da educação? A educação é para todos.
- Como é que os directores destas escolas se transformam em poderosos coleccionadores de luxos incalculáveis, explorando os empregados.
Queira ter a bondade de navegar neste mar de corrupção, até ao minuto 9 pode mesmo sentir-se enjoado com tanta falta de vergonha e promiscuidade, entre politica e negócios. A partir do minuto 9, o video foca-se na situação dos professores
O governo não precisa de dizer que vai acabar com o ensino gratuito .. pura e simplesmente fará para que isso aconteça.
O governo não precisa de dizer que vai acabar com o apoio público aos idosos, lares etc... pura e simplesmente cria as condições para isso e acontecerá.
O governo não precisa de dizer que vai acabar com a saúde pública... basta continuar no percurso que nos tem imposto, que lá chegaremos.
Todos sabemos que a intenção é destruir definitivamente os serviços públicos, que para eles gastam muitos impostos, e depois sobra menos para eles e para sustentar as suas fundações, as suas PPP, as suas empresas subsidiadas pelo estado, os seus subsídios e reformas, etc.
É ainda claro que lhes convém aniquilar as pequenas e médias empresas, para permitir que o nosso pequeno mercado português, fique à mercê dos grandes e poderosos gananciosos insaciáveis, amigos de, e ex políticos.
* "Maiores fortunas de Portugal cresceram 18% em 2011. Os ricos de Portugal estão mais ricos, segundo a lista das maiores fortunas do País elaborada pela Revista Exame. As fortunas dos 25 mais ricos de Portugal cresceram 17,8% em 2011 face ao ano passado" fonte
* Lucro da Sonaecom sobe 24% no 1.º trimestre para 17 milhões de euros | iOnline
* "Mota Engil escapa à crise"
* "Jerónimo Martins acelera 4,5%, Lisboa lidera ganhos na Europa" (eu avisei)
Resumo do video
Com a desculpa de que não havia vagas para todos os alunos no público, constroem-se colégios privados. Na verdade as escolas públicas ficam com várias vagas por preencher, com capacidade para 45 turmas, apenas lhe atribuem 37, e os alunos são empurrados para o privado, para que estes, tenham direito a receber mais subsídios do estado, pois significa 85 mil euros de subsidio por turma!!
O que é uma boa desculpa para haver cortes no público e dar mais dinheiro aos privados.
O grupo GPS é um império que exemplifica o que os nossos pobres deputados são livres de construir, na maior das impunidades e ás custas do poder que ganharam, das influências que exercem e dos dinheiros públicos que distribuem.
Sufocando a livre concorrência e a economia... afigura-se cada vez mais claro que são apenas uns poucos que dominam todos os sectores e todas as empresas, em Portugal.
António Calvete dono do império, foi deputado do PS, integrou a comissão parlamentar e um ano depois cria o grupo GPS. Espantoso? Para o grupo chamou mais pessoas influentes de vários partidos, desde deputados secretários de estado, antigos directores regionais de educação, etc.
Esta é mais uma prova, para os que teimam em agarrar-se a partidos como se fossem uma tábua de salvação, de que os partidos estão na verdade unidos numa só missão... aviar-se e roubar o mais que puderem. Nos bastidores são todos amigos e companheiros do saque.
Domingos Fernandes, secretário de Estado da Administração Educativa de António Guterres, Paulo Pereira Coelho, secretário de Estado da Administração Interna de Santana Lopes e secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, (envolvido em casos de corrupção)
José Junqueiro, deputado do PS.
Todos foram consultores do grupo GPS.
José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa de Santana Lopes, José Almeida, diretor Regional de Educação de Lisboa do mesmo governo.
Ao minuto 11, são hilariantes as reacções incoerentes de Agostinho Ribeiro.
Ao minuto 28 veja em pormenor onde os colégios privados esbanjam os impostos. Só este ano o grupo recebeu para os colégios GPS, 25 milhões de euros. Pago à turma, 85 mil por cada turma.
O dinheiro para a escola e para os professores é escasso, mas para luxos dos presidentes é uma fartura. Os professores são forçados a fazer todos os trabalhos da escola desde pintar, cantina, manutenção, contabilidade, etc
Mas os directores, Manuel António Madama, da escola de S. Mamede possui 80 carros, entre eles Jaguar Porsche, Rolls royce, Mercedes BMW, limusina Volkswagen, etc, etc. O filho António Madama, também alto cargo (boy) junto do pai, possui 17 carros.
José Canavarro e José Almeida ainda no poder e 5 dias antes das eleições que os iriam fazer perder o poder, deram autorização para a construção de 4 novos colégios.
O desespero de favorecer amigos que os iriam albergar em bons tachos, após o mandato, foi exercido até ao ultimo momento em que lhes é dado o direito de abusar do poder público.
Ambos se recusaram a ser entrevistados e negaram ter dado autorização... apesar de no video serem apresentadas as suas assinaturas a provarem o contrário.
A GPS construiu um império com mais de 50 outras empresas, além dos 26 colégios, em diversos ramos.
-GPS mediação de Seguros
-Gtelecomunicações
-MultiGPS - Multimédia
-Galevete e Galvete Imobiliária
-Agência de Viagens D. João V
-Criartimagem publicidade (já envolvida em escândalos de subsídios e outros)
-Restpresso actividades hoteleiras
-GPS comércio supermercados
Existimos em Portugal para sustentar parasitas que ainda por cima nunca ficam satisfeitos, querem sempre mais... Mira Amaral, que sabe do que fala, afirmou hoje. "«O melhor que os portugueses competentes têm para fazer» é emigrar"
E é assim que o governo continua a sua poda, cortando em quem não deve e onde não deve, para alimentar amigos.
*- Educação: "Governo corta o triplo do que a troika mandou. "
*- SNS: "A ‘troika’ mandou cortar 550 milhões e o Governo cortou mais 650 milhões e este ano vai cortar mais”, sublinhou.
*- Portugal reduziu em mais de 5% dos funcionários públicos entre dezembro de 2011 e setembro de 2012. Superando, assim, em mais do dobro a meta anual imposta pelo memorando da troika.
O mais intrigante é entender porque é que a comunicação social, só agora é que se lembra de começar a denunciar abusos que se arrastam há anos.
Depois ainda dizem que os blogs não prestam... pois pois...
Artigo que acompanhava o video.
A jornalista Ana Leal encontrou escolas públicas subaproveitadas, com salas vazias, à espera de alunos que foram transferidos para os colégios privados pertencentes ao grupo GPS, que envolve ainda vários ex-governantes de diversos partidos políticos.
O inspetor geral de Educação não mostrou disponibilidade para dar qualquer entrevista à TVI. Tentámos pelo menos durante 15 dias e ficámos a saber, através de um email que recebemos, que a inspecção terá iniciado uma auditoria aos colégios do grupo GPS.»
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
CORAZÓN DEL MUNDO
«Eram dez da noite (3h30 em Lisboa) quando a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, leu o primeiro boletim oficial: Hugo Chávez ganhou as eleições presidenciais na Venezuela com 54,42% dos votos (7.444.082); o opositor Henrique Capriles arrecadou 44,97% (6.151.544).
"Obrigado ao meu amado povo! Viva a Venezuela! Viva Bolívar!", agradeceu o Presidente, alguns minutos depois, através da sua conta no Twitter, a mais popular rede social no país. Àquela hora, já apoiantes seus celebravam nas ruas.
Há décadas que os venezuelanos não se empenhavam tanto numas eleições. Apurados mais de 90% dos votos, tinham comparecimento 80,94% dos eleitores.
Capriles foi o primeiro a discursar. Fê-lo na sua sede de campanha: "Iniciamos a construção de um caminho e aí estão mais de seis milhões de pessoas à procura de um melhor futuro.”
O candidato da Mesa da Unidade Democrática dirigiu-se aos eleitores que votaram por ele e aos que não: “Quero dizer-lhes que contem comigo, que estou ao seu serviço, mas também quero dizer aos outros venezuelanos que contem comigo.” E felicitou Chávez: “Espero que leia com grandeza a expressão do nosso povo. Há um país que tem duas visões e ser um bom Presidente significa trabalhar para a união de todos os venezuelanos.”
Eram já 22h30 (5h00 em Lisboa) quando Chávez se dirigiu ao balção do povo, no palácio de Miraflores, e fez o seu discurso. O Presidente felicitou “os compatriotas que votaram pela revolução” e os opositores por terem reconhecido de imediato os resultados eleitorais. A “batalha” fora democrática. “Graças a Deus e à consciência do nosso povo, não houve nada que manchasse a batalha perfeita e a vitória perfeita.”
O líder do Partido Socialista Unido da Venezuela espera ser melhor Presidente do que foi nestes 13 anos que já conta no cargo. “Convido-os a que sejamos cada dia melhores venezuelanos e melhores venezuelanas para acelerar a construção da Venezuela potência. Quero comprometê-los a todos e a todas, incluindo os sectores da oposição.”
Eleito em 1998 e reeleito em 2000, a fase da lua-de-mel, Chávez enfrentou uma forte oposição em 2002/2003, que incluiu um golpe de estado relâmpago e uma greve petrolífera. Ultrapassou um referendo revogatório em 2004 e foi reeleito em 2006. Com a vitória de ontem, garante a presidência até 2019, somando 20 anos.» Fonte "Público".
"Obrigado ao meu amado povo! Viva a Venezuela! Viva Bolívar!", agradeceu o Presidente, alguns minutos depois, através da sua conta no Twitter, a mais popular rede social no país. Àquela hora, já apoiantes seus celebravam nas ruas.
Há décadas que os venezuelanos não se empenhavam tanto numas eleições. Apurados mais de 90% dos votos, tinham comparecimento 80,94% dos eleitores.
Capriles foi o primeiro a discursar. Fê-lo na sua sede de campanha: "Iniciamos a construção de um caminho e aí estão mais de seis milhões de pessoas à procura de um melhor futuro.”
O candidato da Mesa da Unidade Democrática dirigiu-se aos eleitores que votaram por ele e aos que não: “Quero dizer-lhes que contem comigo, que estou ao seu serviço, mas também quero dizer aos outros venezuelanos que contem comigo.” E felicitou Chávez: “Espero que leia com grandeza a expressão do nosso povo. Há um país que tem duas visões e ser um bom Presidente significa trabalhar para a união de todos os venezuelanos.”
Eram já 22h30 (5h00 em Lisboa) quando Chávez se dirigiu ao balção do povo, no palácio de Miraflores, e fez o seu discurso. O Presidente felicitou “os compatriotas que votaram pela revolução” e os opositores por terem reconhecido de imediato os resultados eleitorais. A “batalha” fora democrática. “Graças a Deus e à consciência do nosso povo, não houve nada que manchasse a batalha perfeita e a vitória perfeita.”
O líder do Partido Socialista Unido da Venezuela espera ser melhor Presidente do que foi nestes 13 anos que já conta no cargo. “Convido-os a que sejamos cada dia melhores venezuelanos e melhores venezuelanas para acelerar a construção da Venezuela potência. Quero comprometê-los a todos e a todas, incluindo os sectores da oposição.”
Eleito em 1998 e reeleito em 2000, a fase da lua-de-mel, Chávez enfrentou uma forte oposição em 2002/2003, que incluiu um golpe de estado relâmpago e uma greve petrolífera. Ultrapassou um referendo revogatório em 2004 e foi reeleito em 2006. Com a vitória de ontem, garante a presidência até 2019, somando 20 anos.» Fonte "Público".
domingo, 7 de outubro de 2012
EL GULAG AMERICANO
«EE UU tiene 731 reclusos por cada 100.000 habitantes frente a los 144 de España y los 66 de Noruega
¿Saben de qué no hablarán Obama y Romney en la serie de debates que están manteniendo estos días? Del sistema penitenciario de Estados Unidos. Porque cómo explicar a los estadounidenses, y de paso al resto del mundo, que el país adalid de la libertad y de la democracia mantiene en sus cárceles a más de seis millones de personas, una cifra que supera el número de personas encarceladas por Stalin en la época más dura del archipiélago Gulag. Si todos esos presos fueran agrupados en un mismo centro penitenciario, sería la segunda ciudad de Estados Unidos.
¿Un gulag americano? Parece la típica acusación procedente de una China resentida por la extrema presión que se ve obligada a soportar por parte de Estados Unidos en razón de su penoso récord de derechos humanos. Pero no es el caso: el demoledor dato proviene de un escalofriante reportaje de investigación publicado por la revista New Yorker. No se trata solo de un problema de cantidad, sino también de la extrema dureza y crueldad de las condiciones penitenciarias que imperan en dicho sistema. Unos 50.000 de esos reclusos viven en condiciones de aislamiento permanente, sin contacto con nadie y con derecho a solo una hora diaria de ejercicio en solitario. La vida no es mucho mejor para el resto: según varias estimaciones, unos 70.000 reclusos son violados cada año, un problema endémico del que las autoridades se desentienden. El sistema también ofrece otro vergonzoso récord: los cientos de adolescentes condenados a cadena perpetua, algo sin parangón en el llamado mundo libre que Estados Unidos aspira a liderar.
Sin duda que Estados Unidos ganó la guerra fría, pero parece como si, mientras tanto, hubiera iniciado una guerra contra su propia población. En 1980, el año en el que Ronald Reagan gana las elecciones y decide asfixiar a la Unión Soviética vía la combinación de una costosísima carrera de armamentos y la presión selectiva mediante operaciones encubiertas en varios frentes (desde Nicaragua a Afganistán), la población carcelaria era de 220 personas por cada 100.000 estadounidenses. Dos décadas más tarde, en 2010, la potencia triunfante de la guerra fría había triplicado la población carcelaria hasta 731 reclusos por cada 100.000 habitantes. Para hacerse una idea de la magnitud relativa de estas cifras: la población carcelaria noruega es de 66 personas por cada 100.000 y la de España, de 144 por 100.000. La dimensión racial, por sabida, no deja de constituir también un escándalo de inmensas proporciones. El presidente de Estados Unidos que protagoniza los debates electorales es negro, sí, pero la probabilidad de estar en la cárcel si eres negro es siete veces superior a la de los blancos. La esclavitud terminó, sin duda, pero las estadísticas nos dicen que si sumas la población negra en prisión, libertad provisional y libertad condicional, la cifra resultante es mayor que el número de esclavos que había en Estados Unidos hacia 1850.
E igualmente escandalosa es la dimensión económica pues el sistema penitenciario, en manos de compañías privadas, léase con ánimo de lucro, se ha convertido en un inmenso negocio y un grupo de interés con un enorme poder de cabildeo (lobby) en los pasillos del Congreso en contra de la relajación de las disposiciones legales (especialmente en relación al menudeo de droga) que garantizan un flujo de “clientes” estable. Véase el caso del Estado de California, en quiebra presupuestaria, que gasta 50.000 dólares al año por recluso, una cifra siete veces superior a lo que invierte en cada estudiante de primaria. Las prioridades están claras: hace dos décadas, el gasto en universidades de California duplicaba al gasto en prisiones. Hoy, por el contrario, el gasto en prisiones (10.000 millones de dólares para atender a los casi 150.000 reclusos), duplica al gasto universitario.
Se dice que la “maternidad y la tarta de manzana” (motherhood and apple pie) definen la identidad americana. También, como dice la Declaración de Independencia, “la vida, la libertad y la búsqueda de la felicidad”. Esta semana, tras innumerables presiones, el candidato Romney desveló por fin su declaración de la renta correspondiente a 2011. Ahora sabemos que ingresó 13,7 millones de dólares pero que pagó sólo dos millones de dólares de impuestos. El sueño americano, la estatua de la libertad, la ciudad en la colina. Financiar todo eso con un tipo marginal del 14% sí que es un milagro. Debe ser por eso que en los billetes estadounidenses pone In God we trust (Confiamos en Dios). Pero, por si acaso, para aquellos que no encuentren el camino o se extravíen, nada como un sistema penitenciario de primera. Cualquier cosa antes que los impuestos progresivos.
Sígueme en @jitorreblanca y en el blog Café Steiner en el país.com
Si todos los presos fueran agrupados, su población sería la segunda ciudad de Estados Unidos»
Artigo de José Ignacio Torreblanca no El País.
¿Saben de qué no hablarán Obama y Romney en la serie de debates que están manteniendo estos días? Del sistema penitenciario de Estados Unidos. Porque cómo explicar a los estadounidenses, y de paso al resto del mundo, que el país adalid de la libertad y de la democracia mantiene en sus cárceles a más de seis millones de personas, una cifra que supera el número de personas encarceladas por Stalin en la época más dura del archipiélago Gulag. Si todos esos presos fueran agrupados en un mismo centro penitenciario, sería la segunda ciudad de Estados Unidos.
¿Un gulag americano? Parece la típica acusación procedente de una China resentida por la extrema presión que se ve obligada a soportar por parte de Estados Unidos en razón de su penoso récord de derechos humanos. Pero no es el caso: el demoledor dato proviene de un escalofriante reportaje de investigación publicado por la revista New Yorker. No se trata solo de un problema de cantidad, sino también de la extrema dureza y crueldad de las condiciones penitenciarias que imperan en dicho sistema. Unos 50.000 de esos reclusos viven en condiciones de aislamiento permanente, sin contacto con nadie y con derecho a solo una hora diaria de ejercicio en solitario. La vida no es mucho mejor para el resto: según varias estimaciones, unos 70.000 reclusos son violados cada año, un problema endémico del que las autoridades se desentienden. El sistema también ofrece otro vergonzoso récord: los cientos de adolescentes condenados a cadena perpetua, algo sin parangón en el llamado mundo libre que Estados Unidos aspira a liderar.
Sin duda que Estados Unidos ganó la guerra fría, pero parece como si, mientras tanto, hubiera iniciado una guerra contra su propia población. En 1980, el año en el que Ronald Reagan gana las elecciones y decide asfixiar a la Unión Soviética vía la combinación de una costosísima carrera de armamentos y la presión selectiva mediante operaciones encubiertas en varios frentes (desde Nicaragua a Afganistán), la población carcelaria era de 220 personas por cada 100.000 estadounidenses. Dos décadas más tarde, en 2010, la potencia triunfante de la guerra fría había triplicado la población carcelaria hasta 731 reclusos por cada 100.000 habitantes. Para hacerse una idea de la magnitud relativa de estas cifras: la población carcelaria noruega es de 66 personas por cada 100.000 y la de España, de 144 por 100.000. La dimensión racial, por sabida, no deja de constituir también un escándalo de inmensas proporciones. El presidente de Estados Unidos que protagoniza los debates electorales es negro, sí, pero la probabilidad de estar en la cárcel si eres negro es siete veces superior a la de los blancos. La esclavitud terminó, sin duda, pero las estadísticas nos dicen que si sumas la población negra en prisión, libertad provisional y libertad condicional, la cifra resultante es mayor que el número de esclavos que había en Estados Unidos hacia 1850.
E igualmente escandalosa es la dimensión económica pues el sistema penitenciario, en manos de compañías privadas, léase con ánimo de lucro, se ha convertido en un inmenso negocio y un grupo de interés con un enorme poder de cabildeo (lobby) en los pasillos del Congreso en contra de la relajación de las disposiciones legales (especialmente en relación al menudeo de droga) que garantizan un flujo de “clientes” estable. Véase el caso del Estado de California, en quiebra presupuestaria, que gasta 50.000 dólares al año por recluso, una cifra siete veces superior a lo que invierte en cada estudiante de primaria. Las prioridades están claras: hace dos décadas, el gasto en universidades de California duplicaba al gasto en prisiones. Hoy, por el contrario, el gasto en prisiones (10.000 millones de dólares para atender a los casi 150.000 reclusos), duplica al gasto universitario.
Se dice que la “maternidad y la tarta de manzana” (motherhood and apple pie) definen la identidad americana. También, como dice la Declaración de Independencia, “la vida, la libertad y la búsqueda de la felicidad”. Esta semana, tras innumerables presiones, el candidato Romney desveló por fin su declaración de la renta correspondiente a 2011. Ahora sabemos que ingresó 13,7 millones de dólares pero que pagó sólo dos millones de dólares de impuestos. El sueño americano, la estatua de la libertad, la ciudad en la colina. Financiar todo eso con un tipo marginal del 14% sí que es un milagro. Debe ser por eso que en los billetes estadounidenses pone In God we trust (Confiamos en Dios). Pero, por si acaso, para aquellos que no encuentren el camino o se extravíen, nada como un sistema penitenciario de primera. Cualquier cosa antes que los impuestos progresivos.
Sígueme en @jitorreblanca y en el blog Café Steiner en el país.com
Si todos los presos fueran agrupados, su población sería la segunda ciudad de Estados Unidos»
Artigo de José Ignacio Torreblanca no El País.
sábado, 22 de setembro de 2012
LUCHA RUPERTO
Vídeo
«Ruperto vivía en su campo
Su mujer y tres muchachos
La hierba su medicina
Y el brujo antonio su médico
Y un día miró a caracas
En la pulpería del pueblo
En un almanaque de esos
De la creole petroleum corporation
Quiso venir a caracas
Vino a caracas ruperto
Lo ayudó el capitalismo
Lo ayudó a construir su rancho
Con latas vacías de pepsi-cola
Con latas vacías de mobil esso
Y le puso como techo
Un afiche de la ford company
"es fácil tener un mustang"
Se le enfermó su muchacho
El más pequeño de ellos
Y el más grande de sus sueños
Bajó a la ciudad ruperto
A buscarle algún remedio
Y se le murió en la cola
Se le murieron sus sueños
No tenía pa' enterrarlo
El desempleado ruperto
Y buscó robar ruperto
Pa' llevarlo al cementerio
Apresaron a ruperto
La policía siempre es eficiente
Cuando se trata de los pobres
Vinieron los curiosos
Y gritó uno de ellos
"policía deje ese hombre"
No lo ves que está llorando
No lo ves que quiere irse
Con su muchachito muerto
Mo lo ves que quiere irse
Corriendo tras de sus sueños
Hace tiempo no lo veo
Pero mi pana me dijo
Que lo vio buscando tablas
No pa' enterrar a un pequeños
Sino pa' enterrar un viejo
Pa' enterrar al capitalismo
El causante de los males
Que está sufriendo mi pueblo
Pa' llevarlo al cementerio
Que construyen los obreros
Echale bolas ruperto
Guillo ruperto
Que la lucha te liberará
Mucho guillo ruperto
Lucha ruperto
Con la lucha, la lucha no más
Mucho guillo ruperto
Lucha ruperto
Con la lucha, la lucha no más
Echale bolas ruperto
Lucha ruperto
Que la lucha te liberará
Por tu madre ruperto
Lucha ruperto
Con la lucha, la lucha no más
Mucho guillo ruperto
Lucha ruperto
Que la lucha te liberará»
«Ruperto vivía en su campo
Su mujer y tres muchachos
La hierba su medicina
Y el brujo antonio su médico
Y un día miró a caracas
En la pulpería del pueblo
En un almanaque de esos
De la creole petroleum corporation
Quiso venir a caracas
Vino a caracas ruperto
Lo ayudó el capitalismo
Lo ayudó a construir su rancho
Con latas vacías de pepsi-cola
Con latas vacías de mobil esso
Y le puso como techo
Un afiche de la ford company
"es fácil tener un mustang"
Se le enfermó su muchacho
El más pequeño de ellos
Y el más grande de sus sueños
Bajó a la ciudad ruperto
A buscarle algún remedio
Y se le murió en la cola
Se le murieron sus sueños
No tenía pa' enterrarlo
El desempleado ruperto
Y buscó robar ruperto
Pa' llevarlo al cementerio
Apresaron a ruperto
La policía siempre es eficiente
Cuando se trata de los pobres
Vinieron los curiosos
Y gritó uno de ellos
"policía deje ese hombre"
No lo ves que está llorando
No lo ves que quiere irse
Con su muchachito muerto
Mo lo ves que quiere irse
Corriendo tras de sus sueños
Hace tiempo no lo veo
Pero mi pana me dijo
Que lo vio buscando tablas
No pa' enterrar a un pequeños
Sino pa' enterrar un viejo
Pa' enterrar al capitalismo
El causante de los males
Que está sufriendo mi pueblo
Pa' llevarlo al cementerio
Que construyen los obreros
Echale bolas ruperto
Guillo ruperto
Que la lucha te liberará
Mucho guillo ruperto
Lucha ruperto
Con la lucha, la lucha no más
Mucho guillo ruperto
Lucha ruperto
Con la lucha, la lucha no más
Echale bolas ruperto
Lucha ruperto
Que la lucha te liberará
Por tu madre ruperto
Lucha ruperto
Con la lucha, la lucha no más
Mucho guillo ruperto
Lucha ruperto
Que la lucha te liberará»
sábado, 15 de setembro de 2012
15 DE SETEMBRO
«Hoje foi magnífica, espectacular e impressionante um protesto veemente e indignado» Frase vinda daqui.
MASSACRES
«There is no flag large enough to cover the shame of killing innocent people»
Howard Zinn.
Jorge Cadima: Massacres
O presidente do país reúne "todas as terças-feiras com cerca de duas dúzias de oficiais da segurança" para analisar a lista de alvos "a serem mortos ou capturados, sendo que a opção da captura se tornou em grande medida meramente teórica". Por Jorge Cadima* "Todas as semanas se juntam mais de cem membros do enorme aparelho de segurança nacional [...] para analisar as biografias dos suspeitos e recomendar ao presidente quem deverá ser o próximo a morrer". "Surge uma suspeita": que o presidente "esteja a evitar as complicações associadas com a detenção, decidindo na prática que não se apanham prisioneiros vivos. Enquanto largas dezenas de suspeitos já foram mortos [...] apenas um foi capturado". O presidente, "que se sente muito tranquilo com o uso da força", decidiu "adotar um método questionável de contabilizar as baixas civis [...]. Na prática, todos os homens em idade militar nas zonas de ataque são contabilizados como combatentes [...] a não ser que postumamente surjam informações explícitas que provem ser inocentes". Logo no "primeiro ataque sob a alçada" do presidente, "foi morto não apenas o alvo visado, mas duas famílias vizinhas, e foi deixado para trás um rasto de bombas de fragmentação que viriam a matar mais inocentes". Este "ataque pouco asseado" levou a que "vídeos de destroços de corpos de crianças e de aldeões enfurecidos surgissem [...] no Youtube, provocando reacções furiosas". Um leitor vítima da martelante campanha de desinformação dos meios de comunicação social pensará que estas citações dizem respeito à Síria e ao presidente Assad. Mas dizem respeito aos EUA. O presidente é a coqueluche dos sectores "liberais" e "social-democratas" do sistema, Barack Obama. A fonte é insuspeita e recente: um artigo do New York Times de 29 de maio. É prática sistemática dos EUA assassinarem "alvos" a partir de aviões não tripulados (drones), no Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália. Segundo o britânico Bureau of Investigative Journalism, entre 2004 e 2012 os EUA efetuaram, apenas no Paquistão, 327 deste tipo de ataques covardes, em que terão morrido umas 3000 pessoas, sendo 175 crianças e entre 480 a 830 civis. Apesar dos protestos das populações e dos próprios governos, a "comunidade internacional" não condena. A comunicação social de regime – sempre pronta a chorar civis « "mortos pelos governos" como pretexto para guerras de agressão – mantém-se silenciosa quando o governo em causa é uma potência imperialista e a guerra de agressão já está em curso. O recente massacre na aldeia síria de Houla foi macabro: mais de 100 mortos, na maioria mulheres e crianças degoladas ou mortas à queima-roupa. É o estilo dos bandos armados apoiados pelo "Grupo dos Amigos da Síria", ao qual pertencem grandes potências imperialistas, ditaduras fundamentalistas (como a Arábia Saudita e Qatar) e Paulo Portas. Relata a Al Jazeera (2/4/12) que esses "Amigos" criaram um fundo de "muitos milhões de dólares para financiar os membros da oposição armada, conhecidos por Exército Sírio Livreh", incluindo o pagamento dos seus salários (!). Já em Novembro passado o Daily Telegraph (25/11/11) informava que armas e combatentes líbios estavam a ser enviados para a Síria. "Há uma intervenção militar em curso. Dentro de poucas semanas vê-la-ão" afirmava uma "fonte líbia". Até Ban Ki-Moon foi obrigado a declarar (BBC, 18/5/12) que "acredito que a Al-Qaeda esteja por detrás" dos atentados bombistas que sacudiram as maiores cidades sírias nas últimas semanas. Mas apenas depois de "a Síria ter enviado às Nações Unidas uma lista com 26 nomes de estrangeiros presos, alegando que a maioria serão membros da Al-Qaeda". A versão oficial é que os EUA invadiram o Afeganistão para combater a Al-Qaeda. Pelos vistos a Al-Qaeda combate na Síria para que os EUA possam invadir. Confuso? Nem por isso. Desengane-se quem pensa tratar-se dum problema de "ditadores" ou "direitos humanitários". Os factos são claros: tal como na corrida para a agressão à Iugoslávia, bandos armados ao serviço do imperialismo cometem massacres, que depois são invocados como pretextos para agressões militares. Um imperialismo decadente e em profunda crise está a abrir uma Caixa de Pandora no Médio Oriente. * Jorge Cadima é articulista do Jornal Avante!»
Jorge Cadima: Massacres
O presidente do país reúne "todas as terças-feiras com cerca de duas dúzias de oficiais da segurança" para analisar a lista de alvos "a serem mortos ou capturados, sendo que a opção da captura se tornou em grande medida meramente teórica". Por Jorge Cadima* "Todas as semanas se juntam mais de cem membros do enorme aparelho de segurança nacional [...] para analisar as biografias dos suspeitos e recomendar ao presidente quem deverá ser o próximo a morrer". "Surge uma suspeita": que o presidente "esteja a evitar as complicações associadas com a detenção, decidindo na prática que não se apanham prisioneiros vivos. Enquanto largas dezenas de suspeitos já foram mortos [...] apenas um foi capturado". O presidente, "que se sente muito tranquilo com o uso da força", decidiu "adotar um método questionável de contabilizar as baixas civis [...]. Na prática, todos os homens em idade militar nas zonas de ataque são contabilizados como combatentes [...] a não ser que postumamente surjam informações explícitas que provem ser inocentes". Logo no "primeiro ataque sob a alçada" do presidente, "foi morto não apenas o alvo visado, mas duas famílias vizinhas, e foi deixado para trás um rasto de bombas de fragmentação que viriam a matar mais inocentes". Este "ataque pouco asseado" levou a que "vídeos de destroços de corpos de crianças e de aldeões enfurecidos surgissem [...] no Youtube, provocando reacções furiosas". Um leitor vítima da martelante campanha de desinformação dos meios de comunicação social pensará que estas citações dizem respeito à Síria e ao presidente Assad. Mas dizem respeito aos EUA. O presidente é a coqueluche dos sectores "liberais" e "social-democratas" do sistema, Barack Obama. A fonte é insuspeita e recente: um artigo do New York Times de 29 de maio. É prática sistemática dos EUA assassinarem "alvos" a partir de aviões não tripulados (drones), no Afeganistão, Paquistão, Iêmen e Somália. Segundo o britânico Bureau of Investigative Journalism, entre 2004 e 2012 os EUA efetuaram, apenas no Paquistão, 327 deste tipo de ataques covardes, em que terão morrido umas 3000 pessoas, sendo 175 crianças e entre 480 a 830 civis. Apesar dos protestos das populações e dos próprios governos, a "comunidade internacional" não condena. A comunicação social de regime – sempre pronta a chorar civis « "mortos pelos governos" como pretexto para guerras de agressão – mantém-se silenciosa quando o governo em causa é uma potência imperialista e a guerra de agressão já está em curso. O recente massacre na aldeia síria de Houla foi macabro: mais de 100 mortos, na maioria mulheres e crianças degoladas ou mortas à queima-roupa. É o estilo dos bandos armados apoiados pelo "Grupo dos Amigos da Síria", ao qual pertencem grandes potências imperialistas, ditaduras fundamentalistas (como a Arábia Saudita e Qatar) e Paulo Portas. Relata a Al Jazeera (2/4/12) que esses "Amigos" criaram um fundo de "muitos milhões de dólares para financiar os membros da oposição armada, conhecidos por Exército Sírio Livreh", incluindo o pagamento dos seus salários (!). Já em Novembro passado o Daily Telegraph (25/11/11) informava que armas e combatentes líbios estavam a ser enviados para a Síria. "Há uma intervenção militar em curso. Dentro de poucas semanas vê-la-ão" afirmava uma "fonte líbia". Até Ban Ki-Moon foi obrigado a declarar (BBC, 18/5/12) que "acredito que a Al-Qaeda esteja por detrás" dos atentados bombistas que sacudiram as maiores cidades sírias nas últimas semanas. Mas apenas depois de "a Síria ter enviado às Nações Unidas uma lista com 26 nomes de estrangeiros presos, alegando que a maioria serão membros da Al-Qaeda". A versão oficial é que os EUA invadiram o Afeganistão para combater a Al-Qaeda. Pelos vistos a Al-Qaeda combate na Síria para que os EUA possam invadir. Confuso? Nem por isso. Desengane-se quem pensa tratar-se dum problema de "ditadores" ou "direitos humanitários". Os factos são claros: tal como na corrida para a agressão à Iugoslávia, bandos armados ao serviço do imperialismo cometem massacres, que depois são invocados como pretextos para agressões militares. Um imperialismo decadente e em profunda crise está a abrir uma Caixa de Pandora no Médio Oriente. * Jorge Cadima é articulista do Jornal Avante!»
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
O RESULTADO
«Execução orçamental
Desvio nas receitas fiscais inviabiliza meta do défice deste ano
De acordo com os dados da execução orçamental divulgados esta quinta-feira pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO), o défice do Estado caiu quase 40% até Julho, situando-se nos 3,9 mil milhões de euros. As receitas fiscais continuam a recuar mais do que o previsto no Orçamento do Estado Rectificativo (OER) e o excedente da Segurança Social está em níveis mínimos, confirmando aqueles que eram principais riscos à execução orçamental. Do lado da despesa, as notícias são positivas, com uma redução acima do previsto nos gastos com pessoal e nos juros. Mas tal não será suficiente para cobrir o desvio.
Os dados da DGO mostram que, até Julho, as receitas fiscais estão a cair 3,5%. Apesar de ter havido alguma recuperação nos últimos dois meses, esta evolução está claramente distante das previsões do Executivo: o OER prevê um aumento de 2,6% nas receitas de impostos para o conjunto do ano.
A contribuir para esta tendência estão, sobretudo, os impostos indirectos, nomeadamente o IVA. Apesar da subida do imposto no gás e na electricidade e da reestruturação das taxas do imposto, as receitas provenientes do IVA estão a cair 1,1%, enquanto o OER prevê um aumento de 11,6%.
Fonte oficial do Ministério das Finanças admite que o Executivo irá chegar ao final do ano com um desvio nas receitas fiscais, mas prefere não avançar com valores, dizendo que tal estará em discussão na quinta avaliação da troika, que arranca na próxima semana. No entanto, as Finanças consideram “exagerado” o número apresentado hoje pelo Diário Económico. Segundo o jornal, o Governo está já a trabalhar com um cenário de derrapagem de três mil milhões de euros nas receitas de impostos.
“Não recuperaremos a totalidade do desvio da receita”, reconhece fonte oficial das Finanças. “Alguma parte poderá ser compensada pelo lado da despesa, mas não recuperaremos tudo”, conclui.
Isso significa que, ou a troika “perdoa” um défice maior este ano, ou o Governo terá de tomar medidas adicionais para cumprir com a meta de 4,5% do PIB. As Finanças recordam que já estão a implementar algumas medidas de contenção das despesas, com destaque para a reprogramação das verbas do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), mas destacam que a equipa de ajuda externa já mostrou abertura para aceitar um desvio nas metas, caso este se deva a uma deterioração das condições económicas.
A expectativa do Governo é que essa abertura se concretize no âmbito da nova avaliação da troika.
Despesa compensa parte do desvio
As boas notícias vêm do lado da despesa. Até Julho, os gastos totais da Administração Central e da Segurança Social estão a cair 1,7%, sobretudo graças a uma diminuição acima do previsto das despesas com pessoal (-16%).
A contribuir para isso estão não só os cortes dos subsídios de férias dos funcionários públicos e pensionistas (falta ainda o impacto da eliminação dos subsídios de Natal), mas também uma redução acima do esperado do número de funcionários públicos.
Além disso, as Finanças apontam agora para uma “clara folga” nas despesas com juros. Estas estão a subir 17,3%, enquanto no OER se prevê um aumento de mais do dobro (39,6%) para o conjunto do ano.
O Executivo está a contar que esta poupança acima do previsto com as despesas de pessoal e de juros, bem como a reprogramação do QREN, permita compensar parte do desvio nas receitas fiscais.
Os dados da DGO mostram que o saldo da Administração Central e da Segurança Social relevante para efeitos do programa de ajustamento situou-se em 5,6 mil milhões de euros. Além da queda das receitas fiscais, há outro sinal de alarme: as contas da Segurança Social.
A intensificação da recessão e o aumento do desemprego para níveis recorde diminuíram as receitas de contribuições e quotizações em 4,4% até Julho e estão também a fazer aumentar as despesas, nomeadamente com subsídios de desemprego (22,6%).
Nos primeiros sete meses do ano, o saldo da Segurança Social caiu para metade, apresentando um excedente de apenas 139,6 milhões de euros.» Fonte: Público.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
EURO 2012
Nunca foi tão pouco o meu entusiasmo pela seleção portuguesa de futebol, embora seja obrigado a reconhecer que ontem foi muito competente, perante uma das "Holandas" mais incompetentes dos últimos 20 anos. Contudo os laços afetivos não se rompem.
No entanto, apesar de ontem o povo grego ter contrariado esta citação, «Prefiro os perigos da liberdade ao sossego da servidão», a seguir à portuguesa a seleção grega é a minha favorita. Faço votos para que ambas se encontrem na final.
No entanto, apesar de ontem o povo grego ter contrariado esta citação, «Prefiro os perigos da liberdade ao sossego da servidão», a seguir à portuguesa a seleção grega é a minha favorita. Faço votos para que ambas se encontrem na final.
ELEIÇÕES GREGAS
Ontem a maioria da população grega, contrariou esta citação: «Prefiro os perigos da liberdade ao sossego da servidão».
14-06-2012 EROSÃO COSTEIRA
«“Para proteger as construções, estamos a alterar a costa”
Jornal LABOR
A proteçao da costa está nas mãos de todos, avisam Sisandra Sousa e Carlos Ramos
Os maiores estragos registaram-se no primeiro trimestre de 2010. A Praia do Furadouro entrava no alinhamento principal dos noticiários devido ao avanço do mar sobre a costa. As correntes marítimas danificaram a marginal, os miradouros e mesmo as redes de água, luz e gás.
Hoje, os danos estão corrigidos e o mar está mais calmo mas a erosão costeira não acabou. Para a professora Sisandra Sousa, a erosão “é um fenómeno natural que o homem não tem capacidade de travar”. Veja-se que, no século XII, a linha da costa estava a sete quilómetros daquilo que chamamos hoje marginal e, nos anos 90, a Praia do Furadouro tinha 70 metros de profundidade. Contudo, em vez de “diminuir os efeitos” deste processo, “o homem tem vindo a antecipá-lo e a acelerá-lo”, acusa a docente de Biologia e Geologia, que, além de colaborar com a associação ambientalista local “Amigos do Cáster”, fez um mestrado sobre “Ciências das Zonas Costeiras” e reside na Praia do Furadouro.
Para proteger as edificações – que, por si só, “retiram sedimento, que é a principal fonte de abastecimento das areias das praias” -, as autoridades construíram esporões que retêm a areia a norte, impedindo que esta chegue ao sul da praia, o que encurta significativamente o areal nesta zona. Mas os problemas de erosão no Furadouro começaram há mais tempo, com a construção do campo de esporões em Espinho e, antes disso, com a edificação do Porto de Leixões. Como o movimento migratório das areias dá-se de norte para sul, qualquer obstáculo no caminho até Ovar acaba por afetar as suas praias. “Para proteger as construções, estamos a alterar a costa e a provocar uma erosão muito grande a sul”, avisa Sisandra Sousa.
Carlos Ramos, outro colaborador da “Amigos do Cáster”, teme que as praias de Ovar e Esmoriz se transformem em cabos. “Há um conflito de interesses grande: preserva-se a propriedade pública e privada mas, ao mesmo tempo, contribui-se para a erosão dos ecossistemas na praia”.
Tanto Carlos Ramos como Sisandra Sousa aguardam com expetativa o anunciado estudo integrado da costa portuguesa, em oposição a soluções pontuais de defesa de uma faixa restrita, que é o que tem acontecido até agora. “Não podemos proteger uma determinada área sem pensar nas consequências a sul e no que vem de norte”, avisa a professora. Sendo que, insiste, “não há soluções milagrosas” e “o recuo da linha de costa vai continuar a ocorrer naturalmente”. Carlos Ramos espera para ver. Avisa que o governo ainda está a tentar captar fundos para a elaboração do estudo e questiona a exequibilidade de um plano “complexo” numa altura de pouco dinheiro.
Desde 2010, a associação Amigos do Cáster tem realizado diversas ações de sensibilização para o problema da erosão costeira. Muitas delas estão disponíveis em vídeo no canal da associação no You Tube. De acordo com Carlos Ramos, a associação tem tentado promover uma relação próxima com as autoridades mas mantendo sempre uma postura crítica. A experiência diz-lhe, por exemplo, que há grandes dificuldades de coordenação entre os diversos institutos sob a alçada do ministério do Ambiente, o que dificulta a realização de atividades no terreno.
Os dois colaboradores apelam aos banhistas que colaborem na proteção das praias, nomeadamente não deitando lixo para o areal, não pisando as dunas e não utilizando veículos motorizados.»
Anabela S. Carvalho - Ligação para o artigo.Jornal LABOR
domingo, 8 de janeiro de 2012
PROFESSORES
O autor do texto abaixo é José Luís Peixoto. Ele, português, um escritor marcante do século xxi, e reflecte sobre a classe dos professores. Em alguns pontos justifica a escolha que fiz. Eis: «O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.
O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.
Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.
Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.
Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.
Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.
Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.»
José Luís Peixoto, in revista Visão (Outubro, 2011)
Via "Barco de Neanderthal"
domingo, 10 de julho de 2011
É O CAPITALISMO
«Quando Portugal é classificado como “lixo” pelas agências de rating ou notação financeira (ou seja, alguns dos principais envolvidos no escândalo financeiro de 2008 que precipitou esta crise estrutural do capitalismo), é altura de dizer, para quem ainda não tenha percebido, que não é com a mesma receita que nos trouxe a este buraco que vamos conseguir sair.
Mudar caras, nomes e símbolos partidários – para prosseguir e acentuar as mesmas opções políticas de fundo que já vinham de trás com os Governos anteriores – não resolve nada. O roubo no subsídio de Natal é mais uma etapa de um caminho que não acaba aqui: eles simplesmente vão dizer que afinal não chega. A mudança que se impõe, tal como vimos alertando, só se concretiza com uma política patriótica e de esquerda e com um Governo em condições de a pôr em prática. Há quem tenha expressado escândalo e indignação com os malvados dos senhores das agências de rating. Mas a verdade é que, com mais do mesmo, fazendo o jeito aos capitalistas, a resposta do capitalismo só pode ser uma: querer mais. Está na sua natureza. Isto não é o capitalismo numa fase desagradável. É o capitalismo, ponto final.
Ora, como não é cedendo ao chantagista que se acaba com a chantagem, a saída só é possível com coragem política para enfrentar os interesses instalados e o poder económico. É preciso dizer Basta! E a exigência de uma mudança de políticas, a defesa concreta dos direitos, só se faz com a acção e a luta. Como há dias sublinhou a Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP, saudando desde logo as lutas vitoriosas dos trabalhadores da CP e da FISIPE, só a luta é o caminho para defender e conquistar direitos.
É assim que se responde a essa ideologia dominante que faz passar incessantemente as teses da inevitabilidade, do conformismo, do “tem que ser”. Aliás, como também a DORS do PCP relembrou, que nenhuma das medidas contidas no programa do Governo ou do pacto da troika estão aprovadas: é possível e necessário fazer frente e impedir a concretização de cada uma das medidas negativas.
O PCP apela aos trabalhadores e ao povo que prossigam e intensifiquem a luta contra a política de direita. E destacou particularmente a luta deste Sábado, dia 9 de Julho, com o PicNic contra a precariedade, acção dinamizada pela Interjovem, Juventude Operária Católica, Associação de Bolseiros de Investigação Científica e Movimento 12 de Março. É aliás curioso que esta luta dos jovens trabalhadores, contra a precariedade, tenha sido agora tão silenciada na comunicação social dominante (e dominada)…
É preciso avisar toda a gente, como dizia o poeta. É da maior importância a participação nas acções de protesto e de defesa dos direitos e da dignidade e do futuro do próprio país. É isso que está em causa também, já neste próximo dia 14 Julho, às 15 horas, na manifestação que partirá do Largo de Santos para a Assembleia da República, convocada pela CGTP-IN.
Há um caminho para sairmos desta situação. O PCP tem afirmado a exigência de uma ruptura com a política de direita que abra caminho a uma outra política, patriótica e de esquerda que, rompendo com as orientações da União Europeia e os interesses do grande capital: valorize os salários e os direitos de quem produz riqueza; defenda a produção nacional; imponha a tributação dos lucros dos grupos económicos; avance com a renegociação da dívida; concretize o reforço dos serviços públicos e do sector empresarial do Estado.
Desde já, o PCP avança na Assembleia da República com a proposta imediata de renegociação da dívida, uma medida da máxima urgência para possibilitar a dinamização da produção nacional (a única resposta estruturante para a crise económica). O debate vai ter lugar no Plenário da AR, já na próxima sessão que está agendada para dia 20. É preciso impedir o caminho de catástrofe económico-financeira para onde estão a querer empurrar o país: procuram encurralar o país numa situação de total fragilidade e de impossível posição negocial perante os abutres da especulação financeira (também conhecidos por mercados), e só aí então dizer-nos que é altura de renegociar ou reestruturar a dívida. Não podemos esperar que nos cortem as pernas para depois começarmos a correr. Simples de entender, certo?»
Mudar caras, nomes e símbolos partidários – para prosseguir e acentuar as mesmas opções políticas de fundo que já vinham de trás com os Governos anteriores – não resolve nada. O roubo no subsídio de Natal é mais uma etapa de um caminho que não acaba aqui: eles simplesmente vão dizer que afinal não chega. A mudança que se impõe, tal como vimos alertando, só se concretiza com uma política patriótica e de esquerda e com um Governo em condições de a pôr em prática. Há quem tenha expressado escândalo e indignação com os malvados dos senhores das agências de rating. Mas a verdade é que, com mais do mesmo, fazendo o jeito aos capitalistas, a resposta do capitalismo só pode ser uma: querer mais. Está na sua natureza. Isto não é o capitalismo numa fase desagradável. É o capitalismo, ponto final.
Ora, como não é cedendo ao chantagista que se acaba com a chantagem, a saída só é possível com coragem política para enfrentar os interesses instalados e o poder económico. É preciso dizer Basta! E a exigência de uma mudança de políticas, a defesa concreta dos direitos, só se faz com a acção e a luta. Como há dias sublinhou a Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP, saudando desde logo as lutas vitoriosas dos trabalhadores da CP e da FISIPE, só a luta é o caminho para defender e conquistar direitos.
É assim que se responde a essa ideologia dominante que faz passar incessantemente as teses da inevitabilidade, do conformismo, do “tem que ser”. Aliás, como também a DORS do PCP relembrou, que nenhuma das medidas contidas no programa do Governo ou do pacto da troika estão aprovadas: é possível e necessário fazer frente e impedir a concretização de cada uma das medidas negativas.
O PCP apela aos trabalhadores e ao povo que prossigam e intensifiquem a luta contra a política de direita. E destacou particularmente a luta deste Sábado, dia 9 de Julho, com o PicNic contra a precariedade, acção dinamizada pela Interjovem, Juventude Operária Católica, Associação de Bolseiros de Investigação Científica e Movimento 12 de Março. É aliás curioso que esta luta dos jovens trabalhadores, contra a precariedade, tenha sido agora tão silenciada na comunicação social dominante (e dominada)…
É preciso avisar toda a gente, como dizia o poeta. É da maior importância a participação nas acções de protesto e de defesa dos direitos e da dignidade e do futuro do próprio país. É isso que está em causa também, já neste próximo dia 14 Julho, às 15 horas, na manifestação que partirá do Largo de Santos para a Assembleia da República, convocada pela CGTP-IN.
Há um caminho para sairmos desta situação. O PCP tem afirmado a exigência de uma ruptura com a política de direita que abra caminho a uma outra política, patriótica e de esquerda que, rompendo com as orientações da União Europeia e os interesses do grande capital: valorize os salários e os direitos de quem produz riqueza; defenda a produção nacional; imponha a tributação dos lucros dos grupos económicos; avance com a renegociação da dívida; concretize o reforço dos serviços públicos e do sector empresarial do Estado.
Desde já, o PCP avança na Assembleia da República com a proposta imediata de renegociação da dívida, uma medida da máxima urgência para possibilitar a dinamização da produção nacional (a única resposta estruturante para a crise económica). O debate vai ter lugar no Plenário da AR, já na próxima sessão que está agendada para dia 20. É preciso impedir o caminho de catástrofe económico-financeira para onde estão a querer empurrar o país: procuram encurralar o país numa situação de total fragilidade e de impossível posição negocial perante os abutres da especulação financeira (também conhecidos por mercados), e só aí então dizer-nos que é altura de renegociar ou reestruturar a dívida. Não podemos esperar que nos cortem as pernas para depois começarmos a correr. Simples de entender, certo?»
domingo, 19 de junho de 2011
GREEN, THE FILM
Parece verde. Mas não é.
«DEFORESTATION OF INDONESIA IS MADE POSSIBLE BY:»(...)
THE COMPANIES BEHIND THE WOOD INDUSTRY
Sinar Mas Group – Indonesia
Salim Group – Indonesia
Barito Pacific Group – Indonesia
Bakrie & Brothers Group – Indonesia
Tanjung Lingga – Indonesia
Astra International - Indonesia
Djajanti Group – Indonesia
Kalimanis Group – Indonesia
Kayu Lapis Group – Indonesia
Korindo Group – Indonesia
Gudang Garam – Indonesia
Raja Garuda Mas Group – Indonesia
PT Uniseraya Group - Indonesia
PT Diamond Raya – Indonesia
Mitra Usaha Sejati Abadi (MUSA) – Indonesia
Surya Dumai – Indonesia
Sumalindo Lestari Jaya Group - Indonesia
PT Inhutani - Indonesia
Benua Indah Group – Indonesia
Lyman Group – Indonesia
Alas Kusuma Group - Indonesia
Sumber Mas Group Samarinda - Indonesia
Hasko Group – Indonesia
Central Cipta Murdaya Group – Indonesia
PT Tanjung Kreasi - Indonesia
Rimbunan Hijau – Malaysia
WTK Group – Malaysia
Samling Global Limited - Malaysia
Kerwara Limited – Malaysia
THE COMPANIES BEHIND PULP AND PAPER INDUSTRY
Sinar Mas Group- Indonesia
Asia Pulp and Paper (APP) – Indonesia
Indah Kiat – Indonesia
Kertas Nusantura - Indonesia
Kalimanis Group – Indonesia
Raja Garuda Mas – Indonesia
Kiani Kertas – Indonesia
Raja Garuda Mas International – Indonesia
Asia Pacific Ressources International Holdings (APRIL) – Indonesia
PT Inti Indorayon Utama – Indonesia
PT Riau Andalan Pulp and Paper - Indonesia
PT Tanjung Enim Lestari Pulp and Paper (TEL) - Indonesia
PT Musi Hutan Persada Pacific Timber – Indonesia
PT Arara Abadi – Indonesia
United Fiber System Limited (Unifiber) - Singapore
Jaakko Pöyry - Finland
THE COMPANIES BEHIND THE PALM OIL PRODUCTION
Sinar Mas Group - Indonesia
Astra Agro Lestari – Indonesia
Raja Garuda Mas International – Indonesia
Asian Agri – Indonesia
Salim Group - Indonesia
Inti Indosawit Subur - Indonesia
Musim Mas Group – Indonesia
Duta Palma – Indonesia
Inexco – Indonesia
Indofood Sukses Makmur – Indonesia
Makin Group – Indonesia
London Sumatra – Indonesia
Bakrie and Brothers – Indonesia
Anglo Eastern Plantations Plc – Indonesia
First Resources Limited – Indonesia
Agro Group – Indonesia
Austindo Nusantara Jaya – Indonesia
Surya Dumai Group - Indonesia
Sime Darby Group – Malaysia
IOI Group – Malaysia
JC Chang Group – Malaysia
Guthrie – Malaysia
Golden Hope – Malaysia
Kuala Lumpur Kepong – Malaysia
Asiatic Development – Malaysia
Boustead Holdings – Malaysia
United Plantations – Malaysia
IJM Plantations – Malaysia
Tradewinds Plantation – Malaysia
Golden Agri – Singapore
CTP Holdings Pte Ltd – Singapore
Wilmar / Kuok / ADM - USA
Cargill - USA
MP Evans Group – United Kingdom
Socfindo – Belgium
THE BANKS AND FINANCIAL INSTITUTIONS SUPPORTING IN THE ABOVE INDUSTRIES
World Bank
International Monetary Fund (IMF)
International Finance Corporation (IFC)
World Trade Organization (WTO)
Asian Development Bank (ADB)
World Resources Institute (WRI)
COFACE – France
Export Credits Guarentee Department (ECGD) – United Kingdom
Export Import Bank (EX-IM) – USA
Overseas Economic Cooperation Fund – Japan
Finnvera - Finland
Export Development Canada - Canada
Export Credit Guarantee Board – Sweden
CellMark - Sweden
Gerling-NCM - Germany
National Machinery Equipment Import Export Corporation (CMEC) – China
China Export & Credit Insurance Corporation - China
Sinar Mas Bank – Indonesia
ABN Amro Bank – Indonesia
Bank Central Asia - Indonesia
Bank Mandiri – Indonesia
Babobank Duta - Indonesia
Bank DBS – Indonesia
Bank Panin – Indonesia
Bank Resona Perdania – Indonesia
Danareksa Securities – Indonesia
OCBC Bank – Singapore
DBS Bank – Singapore
AFC Merchant Bank - Singapore
CIBM Group – Malaysia
Malayan Banking - Malaysia
SOCFIN – Belgium
Sipet – Belgium
Bank Brussels Lambert – Belgium
Raifeisen Zentralbank Österreich AG – Austria
Andritz – Austria
Rabobank – Netherlands
ING Bank- Netherlands
Fortis Bank – Netherlands
German Development Bank (DEG) – Germany
Deutsche Bank – Germany
Commerzbank – Germany
HSH Nordbank AG – Germany
HSBC – United Kingdom
Legal & General – United Kingdom
Barclays – United Kingdom
Standard Chartered Bank - United Kingdom
Royal Bank of Scotland – United Kingdom
Edinburgh Java Trust – United Kingdom
Collins Stewart – United Kingdom
Loyds Bank – United Kingdom
Numis Corporation – United Kingdom
Astra Zeneca – Sweden / United Kingdom
UBS – Switzerland
Credit Suisse – Switzerland
Goldman Sachs - Switzerland
Bank of Tokyo-Mitsubishi (UFJ) – Japan
Mizuho Bank - Japan
Vivendi Water – France
Natixis – France
BNP Paribas - France
Credit Agricole – France
AXA – France
Société Générale – France
Citibank – USA
Cornell Capital Partners – USA
Merrill Lynch – USA
Morgan Stanley – USA
JP Morgan Chase – USA
Lehman Brothers – USA
Amroc – USA
Blackrock – USA
THE COMPANIES TRADING OR BUYING WOOD PRODUCTS FROM INDONESIA
CSH Industrial Group - Singapore
Aeonic International Trade - Singapore
Wajilam Exports – Singapore
Jason Parquet - Singapore
Neeshai Trading – Singapore
Nature Wood - SIngapore
Chippel Overseas Supplies – Singapore
Tong Hin Timber Group - Singapore
Sitra Holdings – Singapore
Chiang Leng Hup Plywood - Singapore
Pargan - Singapore
Sunlight Mercantile – Singapore
Sunrise Doors International - Singapore
Wason Industries – Singapore
Dowlet Trading Enterprises – Singapore
Pan Majestic Holdings – Malaysia
Acmeco Ventures – Malaysia
Flooring Box - Malaysia
Hok Lai Timber - Malaysia
Kim Teck Lee Timber Flooring – Malaysia
McCorry Group - Malaysia
Sumec International Technology Trade – China
Jiangsu Kuaile Wood Industry Group – China
Xiamen Xinda Import Export Trading Company – China
Sino Forest Corporation – China
Celandine Co. – China
Montague Meyer – United Kingdom
Wolseley Group – United Kingdom
Homebase – United Kingdom
Habitat – United Kingdom
International Plywood – United Kingdom
Premier Forest Products – United Kingdom
Kingfisher Group (B&Q, Castorama, Brico Dépôts, Hornbach) – United Kingdom
John Lewis – United Kingdom
Travis Perkins - United Kingdom
Kiani – United Kingdom
Wolseley Group – United Kingdom
Maison du Monde – United Kingdom
Jewson – United Kingdom
Allied Carpets – United Kingdom
Caledonian Plywood - United Kingdom
Cipta - United Kingdom
Wood International Agency - United Kingdom
Armstrong World Industries - USA
Lowe’s - USA
Koch Industries Inc. - USA
Chesapeake Hardwoods – USA
Plywood Tropics – USA
Geogia Pacific – USA
Taraca Pacific – USA
North Pacific Lumber – USA`
Far East American – USA
IHLO sales & Imports - USA
The Home Depot – USA
Les Mousquetaires (Bricomarché) - France
Leroy Merlin – France
Saint Gobain Group (Point P / Lapeyre / Jewson / Raab Karcher / Dahl) - France
Maison Coloniale - France
Pier Import - France
Pont Meyer – Netherlands
Hoek Lopik – Netherlands
Oldeboom – Netherlands
Tarkett - Germany
Possling – Germany
Roggemenn – Germany
Daiken – Japan
Seihuko – Japan
Nippindo – Japan
Kahrs - Sweden
IKEA – Sweden
DLH Group – Denmark
Junckers – Denmark
Finnforest - Finland
FEPCO – Belgium
Glencore International – Switzerland
Goodfellow – Canada
THE COMPANIES TRADING PULP AND PAPER FROM INDONESIA
United Fiber System Limited (Unifiber) – Singapore
PaperlinX Asia - Singapore
International Paper Company – USA
Weyerhaeuser Company – USA
Kimberly-Clark - USA
MeadWestvaco Corporation - USA
Procter & Gamble - USA
Koch Industries - USA
OJI Paper – Japan
Nippon Paper Group - Japan
Sumitomo Forestry Co - Japan
Marubeni Corporation - Japan
Itochu -Japan
Marubeni – Japan
Sojitz – Japan
Stora Enso Oyj - Finland
UPM-Kymmene Corporation - Finland
Metsälliitto - Finland
Cellmark – Sweden
Bomo-Cypap Pulp and Paper– Cyprus
THE COMPANIES TRADING OR BUYING PALM OIL FROM INDONESIA
Sinar Mas Group – Indonesia
Permata Hijau Sawit – Indonesia
Golden Agri – Indonesia
Indofood Sukses Makmur – Indonesia
Arnott Indonesia – Indonesia
Wilmar Group – Singapore
Charleston Holdings (Tropical Oil Products) - Singapore
Pacific Rim Plantations Services – Singapore
Olam International - Singapore
Intercontinental Oils and Fats – Singapore
Lam Soon - Singapore
Kuok Group – Malaysia
Sime Darby – Malaysia
Giant – Malaysia
Mitsui & Co – Malaysia
Yee Lee Corporation – Malaysia
Intercontinental Specialty Fats - Malaysia
SSD Oils Mills Co – India
Nirma – India
Hindustan Lever – India
Godrej Industries – India
China Grains & Oils Group Corporation – China
China National Vegetable Oil Corporation – China
Beijing Orient-Huaken Cereal & Oil – China
Beijing Heyirong Cereals & Oils – China
Cargill - USA
Bunge – USA
Archer Daniels Midland (ADM) - USA
Kentuky Fried Chicken (KFC) - USA
Kraft - USA
ConAgra Trade Group Inc. – USA
Reckitt Benckiser - USA
Procter & Gamble - USA
Johnson & Johnson – USA
Wal-Mart - USA
Hershey - USA
Kroger Co - USA
Shaw’s – USA
Safeway Inc – USA
Costco Wholesale Corporation – USA
Kroger Co – USA
Pepsi Co Inc. - USA
Krafts Food Inc. - USA
SYSCO - USA
Pizza Hut -USA
Mc Cain - USA
Burger King – USA
Mc Donalds – USA
US Foodservice – USA
Aramark – USA
Estée Lauder – USA
McKee Foods Corporation – USA
Kellogg's – USA
Starbuck – USA
Colgate Palmolive – USA
Safeway – USA
Shaw’s – USA
Albertson’s – USA
Ahold – USA
Sara Lee Corporation - USA
Unilever - Netherlands / United Kingdom
HJ Heinz – United Kingdom
Cadbury Schweppes – United Kingdom
Body Shop International – United Kingdom
Tesco - United Kingdom
Sainsbury's – United Kingdom
Boots – United Kingdom
Marks and Spencer – United Kingdom
Macphilips Foods – United Kingdom
Compas Group – United Kingdom
Associated British Foods – United Kingdom
Tate & Lyle – United Kingdom
Musgrave – United Kingdom
John Lewis Partnership – United Kingdom
Co-operative Group – United Kingdom
ASDA – United Kingdom
Britannia Food Ingredients – United Kingdom
United Biscuits – United Kingdom
Aarhus – United Kingdom
Northern Foods plc – United Kingdom
Burton’s Foods Ltd – United Kingdom
Croda – United Kingdom
Whitbread Group – United Kingdom
ICI – United Kingdom
ASDA – United Kingdom
Waitrose – United Kingdom
Morrisons – United Kingdom
Carrefour – France
Edouard Leclerc - France
Auchan – France
Pinault Printemps Redoute – France
Danone – France
Gillette – France
SAS Devineau – France
L’Oréal – France
Henkel - Germany
Cognis – Germany
Alfred C Toepfer International – Germany
Metro Group – Germany
Aldi Group – Germany
Schwarz Group – Germany
Rewe – Germany
Cognis – Germany
Cremer Oleo – Germany
Walter Rau – Germany
ALDI Group – Germany
Goodman Fielder – Australia
Gardner Smith – Australia
Coles Group – Australia
Australian Food – Australia
Woolworths Limited – Australia
Arnott's - Australia
Foodstuffs – New Zealand
Progressive Enterprises – New Zealand
Ahold NV - Nertherlands
CSM – Netherlands
Cefetra – Netherlands
Glencore Grain – Netherlands
Nidera – Netherlands
Akzo Nobel - Netherlands
Nestlé - Switzerland
Barry Callebaut – Switzerland
Glencore International – Switzerland
Lindt – Switzerland
Florin – Switzerland
Nutriswiss – Switzerland
Coop – Switzerland
Migros - Switzerland
DaiEi – Japan
Kao Corporation – Japan
Saraya Co Ltd – Japan
Fuji Oil Group – Japan
Mitsubishi Corporation – Japan
Myojo Foods – Japan
Rainbow Energy Corporation - Japan
Arthur Goethels – Belgium
Delhalze Group – Belgium
FEDIOL - Belgium
Danisco – Denmark
Dragsbaek – Denmark
Goteborts Kex – Sweden
Cloetta Fazer – Sweden
Mills DA – Norway
Orkla Group – Norway
Saetre Kjeks – Norway
Kantolan Keksi – Finland
Musgrave Budgens Longis - Ireland
Savola – Saudi Arabia
Thai President Foods - Thailand
THE COMPANIES INVESTING IN BIO DIESEL MADE FROM PALM OIL
Wilmar Group - Singapore
Continental BioEnergy – Singapore
Carotino Sdn Bhd - Malaysia
Zurex Corporation – Malaysia
SPC Biodiesel – Malaysia
DXN Oleochemicals - Malaysia
PT Vision Renewable fuels - Malaysia
Natural Fuel – Australia
PME Biofuels – Australia
Mission NewEnergy Limited – Australia
Sterling Bioduels - Australia
Biofuels Corporation – United Kingdom
Greenergy – United Kingdom
BP International – United Kingdom
D1 Oils –United Kingdom
EDF Energy – United Kingdom
WHEB Biofuels – United Kingdom
Cargill – USA
BioFuel Merchants (BFM) – USA
BioX Group – Netherlands
Costal Energy limited – India
ED&F Man Biofuels – France
BioDiesel Oils – New Zealand
Neste Oil – Finland
OKQ8 - Sweden
ECO Solutions Co – South Korea
Rainbow Energy Corporation – Japan
Biopetrol Industries - Switzerland
AND OUR PASSIVITY»
«DEFORESTATION OF INDONESIA IS MADE POSSIBLE BY:»(...)
THE COMPANIES BEHIND THE WOOD INDUSTRY
Sinar Mas Group – Indonesia
Salim Group – Indonesia
Barito Pacific Group – Indonesia
Bakrie & Brothers Group – Indonesia
Tanjung Lingga – Indonesia
Astra International - Indonesia
Djajanti Group – Indonesia
Kalimanis Group – Indonesia
Kayu Lapis Group – Indonesia
Korindo Group – Indonesia
Gudang Garam – Indonesia
Raja Garuda Mas Group – Indonesia
PT Uniseraya Group - Indonesia
PT Diamond Raya – Indonesia
Mitra Usaha Sejati Abadi (MUSA) – Indonesia
Surya Dumai – Indonesia
Sumalindo Lestari Jaya Group - Indonesia
PT Inhutani - Indonesia
Benua Indah Group – Indonesia
Lyman Group – Indonesia
Alas Kusuma Group - Indonesia
Sumber Mas Group Samarinda - Indonesia
Hasko Group – Indonesia
Central Cipta Murdaya Group – Indonesia
PT Tanjung Kreasi - Indonesia
Rimbunan Hijau – Malaysia
WTK Group – Malaysia
Samling Global Limited - Malaysia
Kerwara Limited – Malaysia
THE COMPANIES BEHIND PULP AND PAPER INDUSTRY
Sinar Mas Group- Indonesia
Asia Pulp and Paper (APP) – Indonesia
Indah Kiat – Indonesia
Kertas Nusantura - Indonesia
Kalimanis Group – Indonesia
Raja Garuda Mas – Indonesia
Kiani Kertas – Indonesia
Raja Garuda Mas International – Indonesia
Asia Pacific Ressources International Holdings (APRIL) – Indonesia
PT Inti Indorayon Utama – Indonesia
PT Riau Andalan Pulp and Paper - Indonesia
PT Tanjung Enim Lestari Pulp and Paper (TEL) - Indonesia
PT Musi Hutan Persada Pacific Timber – Indonesia
PT Arara Abadi – Indonesia
United Fiber System Limited (Unifiber) - Singapore
Jaakko Pöyry - Finland
THE COMPANIES BEHIND THE PALM OIL PRODUCTION
Sinar Mas Group - Indonesia
Astra Agro Lestari – Indonesia
Raja Garuda Mas International – Indonesia
Asian Agri – Indonesia
Salim Group - Indonesia
Inti Indosawit Subur - Indonesia
Musim Mas Group – Indonesia
Duta Palma – Indonesia
Inexco – Indonesia
Indofood Sukses Makmur – Indonesia
Makin Group – Indonesia
London Sumatra – Indonesia
Bakrie and Brothers – Indonesia
Anglo Eastern Plantations Plc – Indonesia
First Resources Limited – Indonesia
Agro Group – Indonesia
Austindo Nusantara Jaya – Indonesia
Surya Dumai Group - Indonesia
Sime Darby Group – Malaysia
IOI Group – Malaysia
JC Chang Group – Malaysia
Guthrie – Malaysia
Golden Hope – Malaysia
Kuala Lumpur Kepong – Malaysia
Asiatic Development – Malaysia
Boustead Holdings – Malaysia
United Plantations – Malaysia
IJM Plantations – Malaysia
Tradewinds Plantation – Malaysia
Golden Agri – Singapore
CTP Holdings Pte Ltd – Singapore
Wilmar / Kuok / ADM - USA
Cargill - USA
MP Evans Group – United Kingdom
Socfindo – Belgium
THE BANKS AND FINANCIAL INSTITUTIONS SUPPORTING IN THE ABOVE INDUSTRIES
World Bank
International Monetary Fund (IMF)
International Finance Corporation (IFC)
World Trade Organization (WTO)
Asian Development Bank (ADB)
World Resources Institute (WRI)
COFACE – France
Export Credits Guarentee Department (ECGD) – United Kingdom
Export Import Bank (EX-IM) – USA
Overseas Economic Cooperation Fund – Japan
Finnvera - Finland
Export Development Canada - Canada
Export Credit Guarantee Board – Sweden
CellMark - Sweden
Gerling-NCM - Germany
National Machinery Equipment Import Export Corporation (CMEC) – China
China Export & Credit Insurance Corporation - China
Sinar Mas Bank – Indonesia
ABN Amro Bank – Indonesia
Bank Central Asia - Indonesia
Bank Mandiri – Indonesia
Babobank Duta - Indonesia
Bank DBS – Indonesia
Bank Panin – Indonesia
Bank Resona Perdania – Indonesia
Danareksa Securities – Indonesia
OCBC Bank – Singapore
DBS Bank – Singapore
AFC Merchant Bank - Singapore
CIBM Group – Malaysia
Malayan Banking - Malaysia
SOCFIN – Belgium
Sipet – Belgium
Bank Brussels Lambert – Belgium
Raifeisen Zentralbank Österreich AG – Austria
Andritz – Austria
Rabobank – Netherlands
ING Bank- Netherlands
Fortis Bank – Netherlands
German Development Bank (DEG) – Germany
Deutsche Bank – Germany
Commerzbank – Germany
HSH Nordbank AG – Germany
HSBC – United Kingdom
Legal & General – United Kingdom
Barclays – United Kingdom
Standard Chartered Bank - United Kingdom
Royal Bank of Scotland – United Kingdom
Edinburgh Java Trust – United Kingdom
Collins Stewart – United Kingdom
Loyds Bank – United Kingdom
Numis Corporation – United Kingdom
Astra Zeneca – Sweden / United Kingdom
UBS – Switzerland
Credit Suisse – Switzerland
Goldman Sachs - Switzerland
Bank of Tokyo-Mitsubishi (UFJ) – Japan
Mizuho Bank - Japan
Vivendi Water – France
Natixis – France
BNP Paribas - France
Credit Agricole – France
AXA – France
Société Générale – France
Citibank – USA
Cornell Capital Partners – USA
Merrill Lynch – USA
Morgan Stanley – USA
JP Morgan Chase – USA
Lehman Brothers – USA
Amroc – USA
Blackrock – USA
THE COMPANIES TRADING OR BUYING WOOD PRODUCTS FROM INDONESIA
CSH Industrial Group - Singapore
Aeonic International Trade - Singapore
Wajilam Exports – Singapore
Jason Parquet - Singapore
Neeshai Trading – Singapore
Nature Wood - SIngapore
Chippel Overseas Supplies – Singapore
Tong Hin Timber Group - Singapore
Sitra Holdings – Singapore
Chiang Leng Hup Plywood - Singapore
Pargan - Singapore
Sunlight Mercantile – Singapore
Sunrise Doors International - Singapore
Wason Industries – Singapore
Dowlet Trading Enterprises – Singapore
Pan Majestic Holdings – Malaysia
Acmeco Ventures – Malaysia
Flooring Box - Malaysia
Hok Lai Timber - Malaysia
Kim Teck Lee Timber Flooring – Malaysia
McCorry Group - Malaysia
Sumec International Technology Trade – China
Jiangsu Kuaile Wood Industry Group – China
Xiamen Xinda Import Export Trading Company – China
Sino Forest Corporation – China
Celandine Co. – China
Montague Meyer – United Kingdom
Wolseley Group – United Kingdom
Homebase – United Kingdom
Habitat – United Kingdom
International Plywood – United Kingdom
Premier Forest Products – United Kingdom
Kingfisher Group (B&Q, Castorama, Brico Dépôts, Hornbach) – United Kingdom
John Lewis – United Kingdom
Travis Perkins - United Kingdom
Kiani – United Kingdom
Wolseley Group – United Kingdom
Maison du Monde – United Kingdom
Jewson – United Kingdom
Allied Carpets – United Kingdom
Caledonian Plywood - United Kingdom
Cipta - United Kingdom
Wood International Agency - United Kingdom
Armstrong World Industries - USA
Lowe’s - USA
Koch Industries Inc. - USA
Chesapeake Hardwoods – USA
Plywood Tropics – USA
Geogia Pacific – USA
Taraca Pacific – USA
North Pacific Lumber – USA`
Far East American – USA
IHLO sales & Imports - USA
The Home Depot – USA
Les Mousquetaires (Bricomarché) - France
Leroy Merlin – France
Saint Gobain Group (Point P / Lapeyre / Jewson / Raab Karcher / Dahl) - France
Maison Coloniale - France
Pier Import - France
Pont Meyer – Netherlands
Hoek Lopik – Netherlands
Oldeboom – Netherlands
Tarkett - Germany
Possling – Germany
Roggemenn – Germany
Daiken – Japan
Seihuko – Japan
Nippindo – Japan
Kahrs - Sweden
IKEA – Sweden
DLH Group – Denmark
Junckers – Denmark
Finnforest - Finland
FEPCO – Belgium
Glencore International – Switzerland
Goodfellow – Canada
THE COMPANIES TRADING PULP AND PAPER FROM INDONESIA
United Fiber System Limited (Unifiber) – Singapore
PaperlinX Asia - Singapore
International Paper Company – USA
Weyerhaeuser Company – USA
Kimberly-Clark - USA
MeadWestvaco Corporation - USA
Procter & Gamble - USA
Koch Industries - USA
OJI Paper – Japan
Nippon Paper Group - Japan
Sumitomo Forestry Co - Japan
Marubeni Corporation - Japan
Itochu -Japan
Marubeni – Japan
Sojitz – Japan
Stora Enso Oyj - Finland
UPM-Kymmene Corporation - Finland
Metsälliitto - Finland
Cellmark – Sweden
Bomo-Cypap Pulp and Paper– Cyprus
THE COMPANIES TRADING OR BUYING PALM OIL FROM INDONESIA
Sinar Mas Group – Indonesia
Permata Hijau Sawit – Indonesia
Golden Agri – Indonesia
Indofood Sukses Makmur – Indonesia
Arnott Indonesia – Indonesia
Wilmar Group – Singapore
Charleston Holdings (Tropical Oil Products) - Singapore
Pacific Rim Plantations Services – Singapore
Olam International - Singapore
Intercontinental Oils and Fats – Singapore
Lam Soon - Singapore
Kuok Group – Malaysia
Sime Darby – Malaysia
Giant – Malaysia
Mitsui & Co – Malaysia
Yee Lee Corporation – Malaysia
Intercontinental Specialty Fats - Malaysia
SSD Oils Mills Co – India
Nirma – India
Hindustan Lever – India
Godrej Industries – India
China Grains & Oils Group Corporation – China
China National Vegetable Oil Corporation – China
Beijing Orient-Huaken Cereal & Oil – China
Beijing Heyirong Cereals & Oils – China
Cargill - USA
Bunge – USA
Archer Daniels Midland (ADM) - USA
Kentuky Fried Chicken (KFC) - USA
Kraft - USA
ConAgra Trade Group Inc. – USA
Reckitt Benckiser - USA
Procter & Gamble - USA
Johnson & Johnson – USA
Wal-Mart - USA
Hershey - USA
Kroger Co - USA
Shaw’s – USA
Safeway Inc – USA
Costco Wholesale Corporation – USA
Kroger Co – USA
Pepsi Co Inc. - USA
Krafts Food Inc. - USA
SYSCO - USA
Pizza Hut -USA
Mc Cain - USA
Burger King – USA
Mc Donalds – USA
US Foodservice – USA
Aramark – USA
Estée Lauder – USA
McKee Foods Corporation – USA
Kellogg's – USA
Starbuck – USA
Colgate Palmolive – USA
Safeway – USA
Shaw’s – USA
Albertson’s – USA
Ahold – USA
Sara Lee Corporation - USA
Unilever - Netherlands / United Kingdom
HJ Heinz – United Kingdom
Cadbury Schweppes – United Kingdom
Body Shop International – United Kingdom
Tesco - United Kingdom
Sainsbury's – United Kingdom
Boots – United Kingdom
Marks and Spencer – United Kingdom
Macphilips Foods – United Kingdom
Compas Group – United Kingdom
Associated British Foods – United Kingdom
Tate & Lyle – United Kingdom
Musgrave – United Kingdom
John Lewis Partnership – United Kingdom
Co-operative Group – United Kingdom
ASDA – United Kingdom
Britannia Food Ingredients – United Kingdom
United Biscuits – United Kingdom
Aarhus – United Kingdom
Northern Foods plc – United Kingdom
Burton’s Foods Ltd – United Kingdom
Croda – United Kingdom
Whitbread Group – United Kingdom
ICI – United Kingdom
ASDA – United Kingdom
Waitrose – United Kingdom
Morrisons – United Kingdom
Carrefour – France
Edouard Leclerc - France
Auchan – France
Pinault Printemps Redoute – France
Danone – France
Gillette – France
SAS Devineau – France
L’Oréal – France
Henkel - Germany
Cognis – Germany
Alfred C Toepfer International – Germany
Metro Group – Germany
Aldi Group – Germany
Schwarz Group – Germany
Rewe – Germany
Cognis – Germany
Cremer Oleo – Germany
Walter Rau – Germany
ALDI Group – Germany
Goodman Fielder – Australia
Gardner Smith – Australia
Coles Group – Australia
Australian Food – Australia
Woolworths Limited – Australia
Arnott's - Australia
Foodstuffs – New Zealand
Progressive Enterprises – New Zealand
Ahold NV - Nertherlands
CSM – Netherlands
Cefetra – Netherlands
Glencore Grain – Netherlands
Nidera – Netherlands
Akzo Nobel - Netherlands
Nestlé - Switzerland
Barry Callebaut – Switzerland
Glencore International – Switzerland
Lindt – Switzerland
Florin – Switzerland
Nutriswiss – Switzerland
Coop – Switzerland
Migros - Switzerland
DaiEi – Japan
Kao Corporation – Japan
Saraya Co Ltd – Japan
Fuji Oil Group – Japan
Mitsubishi Corporation – Japan
Myojo Foods – Japan
Rainbow Energy Corporation - Japan
Arthur Goethels – Belgium
Delhalze Group – Belgium
FEDIOL - Belgium
Danisco – Denmark
Dragsbaek – Denmark
Goteborts Kex – Sweden
Cloetta Fazer – Sweden
Mills DA – Norway
Orkla Group – Norway
Saetre Kjeks – Norway
Kantolan Keksi – Finland
Musgrave Budgens Longis - Ireland
Savola – Saudi Arabia
Thai President Foods - Thailand
THE COMPANIES INVESTING IN BIO DIESEL MADE FROM PALM OIL
Wilmar Group - Singapore
Continental BioEnergy – Singapore
Carotino Sdn Bhd - Malaysia
Zurex Corporation – Malaysia
SPC Biodiesel – Malaysia
DXN Oleochemicals - Malaysia
PT Vision Renewable fuels - Malaysia
Natural Fuel – Australia
PME Biofuels – Australia
Mission NewEnergy Limited – Australia
Sterling Bioduels - Australia
Biofuels Corporation – United Kingdom
Greenergy – United Kingdom
BP International – United Kingdom
D1 Oils –United Kingdom
EDF Energy – United Kingdom
WHEB Biofuels – United Kingdom
Cargill – USA
BioFuel Merchants (BFM) – USA
BioX Group – Netherlands
Costal Energy limited – India
ED&F Man Biofuels – France
BioDiesel Oils – New Zealand
Neste Oil – Finland
OKQ8 - Sweden
ECO Solutions Co – South Korea
Rainbow Energy Corporation – Japan
Biopetrol Industries - Switzerland
AND OUR PASSIVITY»
domingo, 1 de maio de 2011
BOM 1º DE MAIO
A história do 1º de Maio: «No dia 1 de Maio de 1886, o operariado norte-americano ergueu um poderoso conjunto de greves e de grandes acções de massas, reivindicando direitos laborais e, entre eles, as oito horas diárias de trabalho.
Em Chicago, no dia 4 de Maio desse ano, no decorrer de um comício sindical, a polícia montou uma provocação, fazendo explodir uma bomba que matou um polícia, assim criando o pretexto para a brutal vaga repressiva que se seguiu: dezenas de mortos, centenas de feridos, centenas de trabalhadores presos, designadamente dirigentes operários, oito dos quais foram submetidos a um julgamento que se revelaria como a continuação da provocação montada no dia 4: um juiz, um júri e testemunhas todos escolhidos a dedo...
E, como a provocação previamente determinara, os acusados foram condenados a penas cruéis, tendo quatro deles - Adolph Fischer, Albert Parsons, August Spies e George Engel - sido enforcados em 11 de Novembro do ano seguinte.
(...) A repercussão destes acontecimentos - que constituíram um novo estádio na luta dos trabalhadores contra a exploração capitalista - fez-se sentir em todo o mundo.
E três anos depois, o Congresso Operário Internacional de Paris, em homenagem aos "Mártires de Chicago", aprovou uma resolução que fixava o dia 1º de Maio como Dia Internacional do Trabalhador.
(...) Desde então, todos os anos, no 1º de Maio, por todo o mundo, milhões de trabalhadores saem às ruas em memoráveis jornadas de confraternização, de luta e de exigência reivindicativa aos governos e ao patronato, exigência que comporta, sempre, a redução do horário de trabalho - sendo certo que em alguns países, as oito horas diárias são, ainda hoje, a reivindicação primeira dessas manifestações.
E tal é o significado do 1º de Maio, enquanto sinónimo de liberdade na luta pelos direitos e interesses dos trabalhadores, que só nos países onde a opressão domina ele não é comemorado livremente».
Em Chicago, no dia 4 de Maio desse ano, no decorrer de um comício sindical, a polícia montou uma provocação, fazendo explodir uma bomba que matou um polícia, assim criando o pretexto para a brutal vaga repressiva que se seguiu: dezenas de mortos, centenas de feridos, centenas de trabalhadores presos, designadamente dirigentes operários, oito dos quais foram submetidos a um julgamento que se revelaria como a continuação da provocação montada no dia 4: um juiz, um júri e testemunhas todos escolhidos a dedo...
E, como a provocação previamente determinara, os acusados foram condenados a penas cruéis, tendo quatro deles - Adolph Fischer, Albert Parsons, August Spies e George Engel - sido enforcados em 11 de Novembro do ano seguinte.
(...) A repercussão destes acontecimentos - que constituíram um novo estádio na luta dos trabalhadores contra a exploração capitalista - fez-se sentir em todo o mundo.
E três anos depois, o Congresso Operário Internacional de Paris, em homenagem aos "Mártires de Chicago", aprovou uma resolução que fixava o dia 1º de Maio como Dia Internacional do Trabalhador.
(...) Desde então, todos os anos, no 1º de Maio, por todo o mundo, milhões de trabalhadores saem às ruas em memoráveis jornadas de confraternização, de luta e de exigência reivindicativa aos governos e ao patronato, exigência que comporta, sempre, a redução do horário de trabalho - sendo certo que em alguns países, as oito horas diárias são, ainda hoje, a reivindicação primeira dessas manifestações.
E tal é o significado do 1º de Maio, enquanto sinónimo de liberdade na luta pelos direitos e interesses dos trabalhadores, que só nos países onde a opressão domina ele não é comemorado livremente».
domingo, 24 de abril de 2011
AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU
Um poema que conta uma parte da história de Portugal.
As Portas que Abril Abriu
José Carlos Ary dos Santos
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril f
ez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
As Portas que Abril Abriu
José Carlos Ary dos Santos
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril f
ez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
DEMOCRACIA EM EXERCÍCIO IV
«Aos amiguinhos dos alemães e dos mercados»
«Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts who, for short-sighted or ideological reasons, have now managed to drive out one democratically elected administration and potentially tie the hands of the next one.
If left unregulated, these market forces threaten to eclipse the capacity of democratic governments — perhaps even America’s — to make their own choices about taxes and spending.»
A ler, obrigatoriamente: Portugal’s Unnecessary Bailout, no NY Times.»
Nota de Miguel Marujo, no Facebook.
«South Bend, Ind.
PORTUGAL’S plea for help with its debts from the International Monetary Fund and the European Union last week should be a warning to democracies everywhere.
The crisis that began with the bailouts of Greece and Ireland last year has taken an ugly turn. However, this third national request for a bailout is not really about debt. Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts who, for short-sighted or ideological reasons, have now managed to drive out one democratically elected administration and potentially tie the hands of the next one.
If left unregulated, these market forces threaten to eclipse the capacity of democratic governments — perhaps even America’s — to make their own choices about taxes and spending.
Portugal’s difficulties admittedly resemble those of Greece and Ireland: for all three countries, adoption of the euro a decade ago meant they had to cede control over their monetary policy, and a sudden increase in the risk premiums that bond markets assigned to their sovereign debt was the immediate trigger for the bailout requests.
But in Greece and Ireland the verdict of the markets reflected deep and easily identifiable economic problems. Portugal’s crisis is thoroughly different; there was not a genuine underlying crisis. The economic institutions and policies in Portugal that some financial analysts see as hopelessly flawed had achieved notable successes before this Iberian nation of 10 million was subjected to successive waves of attack by bond traders.
Market contagion and rating downgrades, starting when the magnitude of Greece’s difficulties surfaced in early 2010, have become a self-fulfilling prophecy: by raising Portugal’s borrowing costs to unsustainable levels, the rating agencies forced it to seek a bailout. The bailout has empowered those “rescuing” Portugal to push for unpopular austerity policies affecting recipients of student loans, retirement pensions, poverty relief and public salaries of all kinds.
The crisis is not of Portugal’s doing. Its accumulated debt is well below the level of nations like Italy that have not been subject to such devastating assessments. Its budget deficit is lower than that of several other European countries and has been falling quickly as a result of government efforts.
And what of the country’s growth prospects, which analysts conventionally assume to be dismal? In the first quarter of 2010, before markets pushed the interest rates on Portuguese bonds upward, the country had one of the best rates of economic recovery in the European Union. On a number of measures — industrial orders, entrepreneurial innovation, high-school achievement and export growth — Portugal has matched or even outpaced its neighbors in Southern and even Western Europe.
Why, then, has Portugal’s debt been downgraded and its economy pushed to the brink? There are two possible explanations. One is ideological skepticism of Portugal’s mixed-economy model, with its publicly supported loans to small businesses, alongside a few big state-owned companies and a robust welfare state. Market fundamentalists detest the Keynesian-style interventions in areas from Portugal’s housing policy — which averted a bubble and preserved the availability of low-cost urban rentals — to its income assistance for the poor.
A lack of historical perspective is another explanation. Portuguese living standards increased greatly in the 25 years after the democratic revolution of April 1974. In the 1990s labor productivity increased rapidly, private enterprises deepened capital investment with help from the government, and parties from both the center-right and center-left supported increases in social spending. By the century’s end the country had one of Europe’s lowest unemployment rates.»
«Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts who, for short-sighted or ideological reasons, have now managed to drive out one democratically elected administration and potentially tie the hands of the next one.
If left unregulated, these market forces threaten to eclipse the capacity of democratic governments — perhaps even America’s — to make their own choices about taxes and spending.»
A ler, obrigatoriamente: Portugal’s Unnecessary Bailout, no NY Times.»
Nota de Miguel Marujo, no Facebook.
«South Bend, Ind.
PORTUGAL’S plea for help with its debts from the International Monetary Fund and the European Union last week should be a warning to democracies everywhere.
The crisis that began with the bailouts of Greece and Ireland last year has taken an ugly turn. However, this third national request for a bailout is not really about debt. Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts who, for short-sighted or ideological reasons, have now managed to drive out one democratically elected administration and potentially tie the hands of the next one.
If left unregulated, these market forces threaten to eclipse the capacity of democratic governments — perhaps even America’s — to make their own choices about taxes and spending.
Portugal’s difficulties admittedly resemble those of Greece and Ireland: for all three countries, adoption of the euro a decade ago meant they had to cede control over their monetary policy, and a sudden increase in the risk premiums that bond markets assigned to their sovereign debt was the immediate trigger for the bailout requests.
But in Greece and Ireland the verdict of the markets reflected deep and easily identifiable economic problems. Portugal’s crisis is thoroughly different; there was not a genuine underlying crisis. The economic institutions and policies in Portugal that some financial analysts see as hopelessly flawed had achieved notable successes before this Iberian nation of 10 million was subjected to successive waves of attack by bond traders.
Market contagion and rating downgrades, starting when the magnitude of Greece’s difficulties surfaced in early 2010, have become a self-fulfilling prophecy: by raising Portugal’s borrowing costs to unsustainable levels, the rating agencies forced it to seek a bailout. The bailout has empowered those “rescuing” Portugal to push for unpopular austerity policies affecting recipients of student loans, retirement pensions, poverty relief and public salaries of all kinds.
The crisis is not of Portugal’s doing. Its accumulated debt is well below the level of nations like Italy that have not been subject to such devastating assessments. Its budget deficit is lower than that of several other European countries and has been falling quickly as a result of government efforts.
And what of the country’s growth prospects, which analysts conventionally assume to be dismal? In the first quarter of 2010, before markets pushed the interest rates on Portuguese bonds upward, the country had one of the best rates of economic recovery in the European Union. On a number of measures — industrial orders, entrepreneurial innovation, high-school achievement and export growth — Portugal has matched or even outpaced its neighbors in Southern and even Western Europe.
Why, then, has Portugal’s debt been downgraded and its economy pushed to the brink? There are two possible explanations. One is ideological skepticism of Portugal’s mixed-economy model, with its publicly supported loans to small businesses, alongside a few big state-owned companies and a robust welfare state. Market fundamentalists detest the Keynesian-style interventions in areas from Portugal’s housing policy — which averted a bubble and preserved the availability of low-cost urban rentals — to its income assistance for the poor.
A lack of historical perspective is another explanation. Portuguese living standards increased greatly in the 25 years after the democratic revolution of April 1974. In the 1990s labor productivity increased rapidly, private enterprises deepened capital investment with help from the government, and parties from both the center-right and center-left supported increases in social spending. By the century’s end the country had one of Europe’s lowest unemployment rates.»
DEMOCRACIA EM EXERCÍCIO III
«A senhora verdade... mentiu»
«A senhora verdade, a senhora que teve razão antes de tempo, a senhora que devíamos ter ouvido. Não poupam nos encómios os que dizem que Manuela Ferreira Leite é que falou verdade em 2009 na campanha e que o estúpido do eleitor português (só não é estúpido se votar em nobres neoliberais que andam aí) se deixou levar no canto socrático. Mas como se soube ontem, via Público, "para salvar Portugal de um procedimento comunitário por défices excessivos em 2003, o Governo de Durão Barroso titularizou dívidas fiscais, para receber do Citigroup, de uma só vez, a quantia de 1760 milhões de euros. Mas a ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite nunca especificou qual seria o "preço" a pagar pelo Estado. A auditoria do Tribunal de Contas (TC) à operação de titularização, ontem divulgada, refere que, só até Fevereiro de 2010, o custo em juros e despesas de operação foi de 300 milhões de euros". [sublinhado nosso]
Ou seja: estamos a falar de alguém que omitiu a factura para as gerações futuras para não excedermos o défice naquele ano (onde é que ouvimos isto agora, não é?). Quando nos falam em "15 anos de socialismo", a expressão favorita à direita, devem estar a querer incluir a senhora verdade, no governo do comissário europeu e do seu ministro das fotocópias. Para falar verdade, MFL não hipotecou Portugal. Hipotecou a verdade. Por isso, não a apresentem como paladina de algo que ela nunca foi.»
Nota de Miguel Marujo no Facebook.
«A senhora verdade, a senhora que teve razão antes de tempo, a senhora que devíamos ter ouvido. Não poupam nos encómios os que dizem que Manuela Ferreira Leite é que falou verdade em 2009 na campanha e que o estúpido do eleitor português (só não é estúpido se votar em nobres neoliberais que andam aí) se deixou levar no canto socrático. Mas como se soube ontem, via Público, "para salvar Portugal de um procedimento comunitário por défices excessivos em 2003, o Governo de Durão Barroso titularizou dívidas fiscais, para receber do Citigroup, de uma só vez, a quantia de 1760 milhões de euros. Mas a ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite nunca especificou qual seria o "preço" a pagar pelo Estado. A auditoria do Tribunal de Contas (TC) à operação de titularização, ontem divulgada, refere que, só até Fevereiro de 2010, o custo em juros e despesas de operação foi de 300 milhões de euros". [sublinhado nosso]
Ou seja: estamos a falar de alguém que omitiu a factura para as gerações futuras para não excedermos o défice naquele ano (onde é que ouvimos isto agora, não é?). Quando nos falam em "15 anos de socialismo", a expressão favorita à direita, devem estar a querer incluir a senhora verdade, no governo do comissário europeu e do seu ministro das fotocópias. Para falar verdade, MFL não hipotecou Portugal. Hipotecou a verdade. Por isso, não a apresentem como paladina de algo que ela nunca foi.»
Nota de Miguel Marujo no Facebook.
ECOSFERA
«Estudo demonstra que biodiversidade melhora qualidade da água nos rios»
«Quanto mais espécies tiver um habitat, mais depressa os poluentes serão removidos da água, conclui um estudo publicado na revista “Nature” sobre o papel da biodiversidade na melhoria da qualidade dos rios.
Brad Cardinale, da Universidade de Michigan, recriou 150 rios em laboratório para estudar como é que o número de espécies de algas num habitat afecta a velocidade a que os poluentes são removidos da água. Concluiu, então, que em habitats com oito espécies, os nitratos são removidos até 4,5 vezes mais depressa do que em habitats com apenas uma espécie, segundo um comunicado publicado no site da “Nature”.
“Os estudos na natureza mostraram que ecossistemas mais diversos têm concentrações de poluentes mais baixas. Este estudo mostra que a biodiversidade pode controlar um serviço vital para a humanidade, isto é, a purificação da água”, comentou Cardinale.
A explicação que o investigador encontrou relaciona-se com os nichos. Cada espécie de alga está especialmente adaptada a um habitat particular num rio e concentra-se nesse local, ou seja, num nicho ecológico. "À medida que fomos acrescentando algas aos nossos pequenos modelos, mais habitats foram sendo ocupados e o rio passou a ter maior capacidade para absorver os poluentes", explicou.
“O que torna este um estudo único é que analisa pormenorizadamente o impacto da biodiversidade num sistema pouco estudado”, comentou David Tilman, ecólogo na Universidade do Minnesota.
“Não penso que esta investigação sugira que precisamos conservar cada espécie num ecossistema. Mas levanta a questão: de quantas espécies precisamos para termos água com qualidade?”, questionou Cardinale.
Ainda assim, vários especialistas têm dúvidas sobre este trabalho. “Gerar toda uma paisagem num microcosmos é um feito técnico notável. Mas será que este mecanismo é relevante num contexto natural?”, pergunta Jason Fridley, da Universidade Syracuse, em Nova Iorque.
Cardinale explica, então, que já “existem estudos que mostram que ecossistemas mais diversos têm menores concentrações de poluentes. Mas não explicam por quê. Para o fazer precisamos de criar um sistema simplificado em laboratório e controlar tudo, excepto a diversidade”.
“Sabemos que a diversidade de espécie interessa. Mas o que ainda não sabemos é quantas e quais as espécies a conservar”, comentou Cardinale.»
Fonte: Público.
«Quanto mais espécies tiver um habitat, mais depressa os poluentes serão removidos da água, conclui um estudo publicado na revista “Nature” sobre o papel da biodiversidade na melhoria da qualidade dos rios.
Brad Cardinale, da Universidade de Michigan, recriou 150 rios em laboratório para estudar como é que o número de espécies de algas num habitat afecta a velocidade a que os poluentes são removidos da água. Concluiu, então, que em habitats com oito espécies, os nitratos são removidos até 4,5 vezes mais depressa do que em habitats com apenas uma espécie, segundo um comunicado publicado no site da “Nature”.
“Os estudos na natureza mostraram que ecossistemas mais diversos têm concentrações de poluentes mais baixas. Este estudo mostra que a biodiversidade pode controlar um serviço vital para a humanidade, isto é, a purificação da água”, comentou Cardinale.
A explicação que o investigador encontrou relaciona-se com os nichos. Cada espécie de alga está especialmente adaptada a um habitat particular num rio e concentra-se nesse local, ou seja, num nicho ecológico. "À medida que fomos acrescentando algas aos nossos pequenos modelos, mais habitats foram sendo ocupados e o rio passou a ter maior capacidade para absorver os poluentes", explicou.
“O que torna este um estudo único é que analisa pormenorizadamente o impacto da biodiversidade num sistema pouco estudado”, comentou David Tilman, ecólogo na Universidade do Minnesota.
“Não penso que esta investigação sugira que precisamos conservar cada espécie num ecossistema. Mas levanta a questão: de quantas espécies precisamos para termos água com qualidade?”, questionou Cardinale.
Ainda assim, vários especialistas têm dúvidas sobre este trabalho. “Gerar toda uma paisagem num microcosmos é um feito técnico notável. Mas será que este mecanismo é relevante num contexto natural?”, pergunta Jason Fridley, da Universidade Syracuse, em Nova Iorque.
Cardinale explica, então, que já “existem estudos que mostram que ecossistemas mais diversos têm menores concentrações de poluentes. Mas não explicam por quê. Para o fazer precisamos de criar um sistema simplificado em laboratório e controlar tudo, excepto a diversidade”.
“Sabemos que a diversidade de espécie interessa. Mas o que ainda não sabemos é quantas e quais as espécies a conservar”, comentou Cardinale.»
Fonte: Público.
domingo, 17 de abril de 2011
DEMOCRACIA EM EXERCÍCIO II
«Assassinado à queima-roupa por homens encapuzados à frente do filho de um ano. Foi este o desfecho da vida de Juliano Mer-Khamis, o actor árabe-israelita de 53 anos, considerado um símbolo da luta pela causa palestiniana.»
«Perto do teatro que ele próprio fundou, num campo de refugiados na cidade de Jenin, na Palestina, Mer-Khamis foi, nesta segunda-feira, atingido cinco vezes por tiros de militantes de cara tapada. As circunstâncias do seu assassinato estão a ser investigadas pelas forças de segurança israelitas e o Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, já condenou o acto, sublinhando a necessidade de levar à justiça os responsáveis pela morte do actor.
Nascido e criado em Nazaré, no Norte de Israel, Juliano Mer-Khamis era filho de mãe judia israelita, defensora acérrima dos direitos dos palestinianos, e de um pai cristão palestiniano, que liderou o partido comunista em Israel. Fruto de um casamento israelo-árabe - numa terra em que a relação entre as duas populações é de conflito - Mer-Khamis absorveu das suas origens a preocupação com os dois povos, entre os quais afirmava querer ser uma ponte.
Ficou conhecido por ser actor, realizador e activista político, mas principalmente por defender uma “intifada cultural”, que acreditava ter mais sucesso do que uma acção violenta. Nas últimas décadas, Mer-Khamis tornou-se um dos maiores críticos da política israelita face aos palestinianos.
Mas a sua determinação e coragem de dizer o que pensava, valeram-lhe ameaças desde o começo da sua carreira. Acusado de “traição” por ser filho de mãe judia israelita e de “corrupção moral” por desencaminhar os jovens de Jenin com obras de teatro em que se “atrevia” a misturar no mesmo cenários rapazes e raparigas, Mer-Khamis viu o seu teatro incendiado por duas vezes e passaram-lhe pelas mãos folhetos redigidos e distribuídos por islamitas radicais que o ameaçavam de morte. “Se as palavras não o convencem, devemos usar a linguagem das balas”, advertiram os fundamentalistas.
“Seria muito triste se, depois de tudo o que fiz pelos jovens do campo de refugiados de Jenin, fosse morto por uma bala palestiniana”, disse o actor a um jornalista do “El Mundo” na altura em que viu os folhetos.
A morte de Mer-Khamis fez levantar um coro de vozes, chocados com a violenta morte de um homem e com o silenciar de uma opinião diferente.
Entre outras classificações, Juliano Mer-Khamis é descrito como um “grande apoiante do povo palestiniano”, “um fantástico actor, um ser humano extraordinário”, e todos os que lamentam a sua morte sublinham a sua persistência e convicção.
Para Michael Handesaltz, crítico do Haaretz, que trabalhou com Mer-Khamis, a sua morte faz parte da “realidade trágica do seu país” e ele foi “outra vítima da vida no Médio Oriente”.
Avi Nesher, realizador de um dos filmes em que Mer-Khamis entrou, frisou a ironia do fim do actor: “É tão irónico que ele tenha sido morto por uma série de tiros, na vida real tal como num filme”.»
Fonte: Público.
«Perto do teatro que ele próprio fundou, num campo de refugiados na cidade de Jenin, na Palestina, Mer-Khamis foi, nesta segunda-feira, atingido cinco vezes por tiros de militantes de cara tapada. As circunstâncias do seu assassinato estão a ser investigadas pelas forças de segurança israelitas e o Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, já condenou o acto, sublinhando a necessidade de levar à justiça os responsáveis pela morte do actor.
Nascido e criado em Nazaré, no Norte de Israel, Juliano Mer-Khamis era filho de mãe judia israelita, defensora acérrima dos direitos dos palestinianos, e de um pai cristão palestiniano, que liderou o partido comunista em Israel. Fruto de um casamento israelo-árabe - numa terra em que a relação entre as duas populações é de conflito - Mer-Khamis absorveu das suas origens a preocupação com os dois povos, entre os quais afirmava querer ser uma ponte.
Ficou conhecido por ser actor, realizador e activista político, mas principalmente por defender uma “intifada cultural”, que acreditava ter mais sucesso do que uma acção violenta. Nas últimas décadas, Mer-Khamis tornou-se um dos maiores críticos da política israelita face aos palestinianos.
Mas a sua determinação e coragem de dizer o que pensava, valeram-lhe ameaças desde o começo da sua carreira. Acusado de “traição” por ser filho de mãe judia israelita e de “corrupção moral” por desencaminhar os jovens de Jenin com obras de teatro em que se “atrevia” a misturar no mesmo cenários rapazes e raparigas, Mer-Khamis viu o seu teatro incendiado por duas vezes e passaram-lhe pelas mãos folhetos redigidos e distribuídos por islamitas radicais que o ameaçavam de morte. “Se as palavras não o convencem, devemos usar a linguagem das balas”, advertiram os fundamentalistas.
“Seria muito triste se, depois de tudo o que fiz pelos jovens do campo de refugiados de Jenin, fosse morto por uma bala palestiniana”, disse o actor a um jornalista do “El Mundo” na altura em que viu os folhetos.
A morte de Mer-Khamis fez levantar um coro de vozes, chocados com a violenta morte de um homem e com o silenciar de uma opinião diferente.
Entre outras classificações, Juliano Mer-Khamis é descrito como um “grande apoiante do povo palestiniano”, “um fantástico actor, um ser humano extraordinário”, e todos os que lamentam a sua morte sublinham a sua persistência e convicção.
Para Michael Handesaltz, crítico do Haaretz, que trabalhou com Mer-Khamis, a sua morte faz parte da “realidade trágica do seu país” e ele foi “outra vítima da vida no Médio Oriente”.
Avi Nesher, realizador de um dos filmes em que Mer-Khamis entrou, frisou a ironia do fim do actor: “É tão irónico que ele tenha sido morto por uma série de tiros, na vida real tal como num filme”.»
Fonte: Público.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
MUDANÇA
A alegria do povo egípcio é evindente e não dá para enganar. A mudança era obrigatória. Para muitos que acompanharam de fora e pelos media a contestação foi individualizada e dirigida a Mubarak. Mas não, a contestação é muito mais profunda. É dirigida a Mubarak, ao sistema que suportou Mubarak e aos amigos externos de Mubarak, União Europeia e Estados Unidos da América.
No seguimento deste raciocínio gostaria de partilhar esta informação, à vinda para casa ouvi na rádio o desenvolvimento da situação política e social no Egípto. Nesta moldura o General Loureiro dos Santos fazia a sua análise e entre imensa informação exposta, referiu que existe uma enorme diferença entre Mubarak e o presente quadro do exército. O primeiro foi treinado e educado na antiga União Soviética, o segundo já foi e é preparado pelos EUA. Embora morta a URSS ainda tem as costas largas. O descaramento deste senhor...
Quanto à mudança, era obrigatória, que seja para melhor.
No seguimento deste raciocínio gostaria de partilhar esta informação, à vinda para casa ouvi na rádio o desenvolvimento da situação política e social no Egípto. Nesta moldura o General Loureiro dos Santos fazia a sua análise e entre imensa informação exposta, referiu que existe uma enorme diferença entre Mubarak e o presente quadro do exército. O primeiro foi treinado e educado na antiga União Soviética, o segundo já foi e é preparado pelos EUA. Embora morta a URSS ainda tem as costas largas. O descaramento deste senhor...
Quanto à mudança, era obrigatória, que seja para melhor.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
PROTESTO À PRECARIEDADE
Primeiro vi no blogue "5 dias", não percebi o que se passava. Depois a ANTENA1 e o Telejornal na RTP1 explicaram. Foi ontem. Hoje, sobre isto, os Deolinda emitem o comunicado.
sábado, 29 de janeiro de 2011
SER SOLIDÁRIO
SER SOLIDÁRIO
Intérprete: José Mário Branco
Composição: José Mário Branco
Letra: José Mário Branco
Ver vídeo: aqui.
Ser solidário assim pr’além da vida
Por dentro da distância percorrida
Fazer de cada perda uma raiz
E improvavelmente ser feliz
De como aqui chegar não é mister
Contar o que já sabe quem souber
O estrume em que germina a ilusão
Fecundará por certo esta canção
Ser solidário assim tão longe e perto
No coração de mim por mim aberto
Amando a inquietação que permanece
Pr’além da inquietação que me apetece
De como aqui chegar nada direi
Senão que tu já sentes o que eu sei
Apenas o momento do teu sonho
No amor intemporal que nos proponho
Ser solidário sim, por sobre a morte
Que depois dela só o tempo é forte
E a morte nunca o tempo a redime
Mas sim o amor dos homens que se exprime
De como aqui chegar não vale a pena
Já que a moral da história é tão pequena
Que nunca por vingança eu te daria
No ventre das canções sabedoria
Intérprete: José Mário Branco
Composição: José Mário Branco
Letra: José Mário Branco
Ver vídeo: aqui.
Ser solidário assim pr’além da vida
Por dentro da distância percorrida
Fazer de cada perda uma raiz
E improvavelmente ser feliz
De como aqui chegar não é mister
Contar o que já sabe quem souber
O estrume em que germina a ilusão
Fecundará por certo esta canção
Ser solidário assim tão longe e perto
No coração de mim por mim aberto
Amando a inquietação que permanece
Pr’além da inquietação que me apetece
De como aqui chegar nada direi
Senão que tu já sentes o que eu sei
Apenas o momento do teu sonho
No amor intemporal que nos proponho
Ser solidário sim, por sobre a morte
Que depois dela só o tempo é forte
E a morte nunca o tempo a redime
Mas sim o amor dos homens que se exprime
De como aqui chegar não vale a pena
Já que a moral da história é tão pequena
Que nunca por vingança eu te daria
No ventre das canções sabedoria
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
IR MAIS FUNDO - EXPERIMENTAR
Fonte para a nota: Jornal de Letras - Manuel Halpern.
Vídeo: Aqui.
Para mim, uma lufada de ar fresco: «O experimentar na m'incomoda: Tradição de vanguarda Será um folctrónico ou uma retradição? Talvez seja mesmo necessário inventar uma palavra para classificar o primeiro disco de O Experimentar na m'incomoda. Ou uma expressão aparentemente contraditória, como 'folclore urbano' ou 'tradição de vanguarda'. Notável é que, com canções como Bela Aurora, Caracol ou As Ilhas de Bruma, Pedro Lucas conseguiu fazer um dos melhores discos de 2010. Ou será de 2015?
Será um folctrónico ou uma retradição? Talvez seja mesmo necessário inventar uma palavra para classificar o primeiro disco de O Experimentar na m'incomoda. Ou uma expressão aparentemente contraditória, como 'folclore urbano' ou 'tradição de vanguarda'. Notável é que, com canções como Bela Aurora, Caracol ou As Ilhas de Bruma, Pedro Lucas conseguiu fazer um dos melhores discos de 2010. Ou será de 2015?
Outra forma de ouvir a coisa é pensando que está encontrado o mais fiel herdeiro de João Aguardela e do seu Megafone. O parentesco é mais do que óbvio. Tem mais a ver com o conceito do que com o resultado final. Ambos fazem uma releitura urbana de sons tradicionais. Lucas fechou-se no universo açoriano, principalmente no disco O cantar na m'incomoda, de Carlos Medeiros. Descobriu ali uma base melódica para construir a sua música. E diga-se que não é difícil misturar universos antagónicos, o mundo das remixes está cheio de exemplos. O que é difícil é fazê-lo bem. Que lhe seja dado o mérito.
Aqui temos o campo e a cidade servidos de uma forma híbrida. Sente-se a tradição e sente-se a modernidade. Mas o que conta é que foi construído um novo objeto, que passa de forma fluida. É na encruzilhada entre o cosmopolitismo e a insularidade que se situa Pedro Lucas, não fosse o faial, por tradição, a mais cosmopolita paragem do arquipélago.
Foi ali que Pedro Lucas nasceu há 25 anos. Estudou música no conservatório, aprendeu a tocar guitarra e participou nas filarmónicas locais. Mas na adolescência, naturalmente, fugiu daqueles sons. Já adulto mudou-se para Lisboa e, num curso da Re-start, aprofundou os seus conhecimentos técnicos no domínio da música por computador. A capital não lhe agradou. E regressou rapidamente para o faial. Até que aproveitando a sua condição de cidadão europeu, emigrou para Copenhaga, onde vive há cerca de um ano e trabalha num bar.
Foi enquanto estava nos Açores que, ao ver um concerto de Zeca Medeiros, teve a ideia do projeto. Sobretudo ao ver Carlos Medeiros, que também participava. "O disco faz uma abordagem diferente, de cantautor, sobre a música tradicional. Fiquei fascinado".
Um ponto de partida. Começou a explorar aqueles sons no computador e a fazer experiências, até que o disco ganhou forma. Só a meio do processo se cruzou com o som do Megafone de Aguardela: "Não conhecia. Quando ouvi, percebi que tinha de ir noutro sentido".
Concorreu aos prémios Megafone e foi apurado para a final. Dos três selecionados foi o único sem discos editados. O prémio foi atribuído aos mirandeses Galandum Galundaina, mas Pedro Lucas ganhou uma importante menção honrosa. O concerto foi uma surpresa, apesar de se ter notado a ausência de ensaios. Porque aconteceu ali, em palco, um bonito encontro de gerações, com as participações de Zeca e Carlos de Medeiros. Sobretudo a interpretação de As Ilhas de Bruma, por Zeca Medeiros, como se fosse um blues. O figurino porventura pouco prático. Mas Pedro insiste: "Gostava de ter sempre uma formação de banda, mas já percebi que tenho de ter uma alternativa mais portátil". Experimentar na m'incomoda é um autêntico disco voador.»
Vídeo: Aqui.
Para mim, uma lufada de ar fresco: «O experimentar na m'incomoda: Tradição de vanguarda Será um folctrónico ou uma retradição? Talvez seja mesmo necessário inventar uma palavra para classificar o primeiro disco de O Experimentar na m'incomoda. Ou uma expressão aparentemente contraditória, como 'folclore urbano' ou 'tradição de vanguarda'. Notável é que, com canções como Bela Aurora, Caracol ou As Ilhas de Bruma, Pedro Lucas conseguiu fazer um dos melhores discos de 2010. Ou será de 2015?
Será um folctrónico ou uma retradição? Talvez seja mesmo necessário inventar uma palavra para classificar o primeiro disco de O Experimentar na m'incomoda. Ou uma expressão aparentemente contraditória, como 'folclore urbano' ou 'tradição de vanguarda'. Notável é que, com canções como Bela Aurora, Caracol ou As Ilhas de Bruma, Pedro Lucas conseguiu fazer um dos melhores discos de 2010. Ou será de 2015?
Outra forma de ouvir a coisa é pensando que está encontrado o mais fiel herdeiro de João Aguardela e do seu Megafone. O parentesco é mais do que óbvio. Tem mais a ver com o conceito do que com o resultado final. Ambos fazem uma releitura urbana de sons tradicionais. Lucas fechou-se no universo açoriano, principalmente no disco O cantar na m'incomoda, de Carlos Medeiros. Descobriu ali uma base melódica para construir a sua música. E diga-se que não é difícil misturar universos antagónicos, o mundo das remixes está cheio de exemplos. O que é difícil é fazê-lo bem. Que lhe seja dado o mérito.
Aqui temos o campo e a cidade servidos de uma forma híbrida. Sente-se a tradição e sente-se a modernidade. Mas o que conta é que foi construído um novo objeto, que passa de forma fluida. É na encruzilhada entre o cosmopolitismo e a insularidade que se situa Pedro Lucas, não fosse o faial, por tradição, a mais cosmopolita paragem do arquipélago.
Foi ali que Pedro Lucas nasceu há 25 anos. Estudou música no conservatório, aprendeu a tocar guitarra e participou nas filarmónicas locais. Mas na adolescência, naturalmente, fugiu daqueles sons. Já adulto mudou-se para Lisboa e, num curso da Re-start, aprofundou os seus conhecimentos técnicos no domínio da música por computador. A capital não lhe agradou. E regressou rapidamente para o faial. Até que aproveitando a sua condição de cidadão europeu, emigrou para Copenhaga, onde vive há cerca de um ano e trabalha num bar.
Foi enquanto estava nos Açores que, ao ver um concerto de Zeca Medeiros, teve a ideia do projeto. Sobretudo ao ver Carlos Medeiros, que também participava. "O disco faz uma abordagem diferente, de cantautor, sobre a música tradicional. Fiquei fascinado".
Um ponto de partida. Começou a explorar aqueles sons no computador e a fazer experiências, até que o disco ganhou forma. Só a meio do processo se cruzou com o som do Megafone de Aguardela: "Não conhecia. Quando ouvi, percebi que tinha de ir noutro sentido".
Concorreu aos prémios Megafone e foi apurado para a final. Dos três selecionados foi o único sem discos editados. O prémio foi atribuído aos mirandeses Galandum Galundaina, mas Pedro Lucas ganhou uma importante menção honrosa. O concerto foi uma surpresa, apesar de se ter notado a ausência de ensaios. Porque aconteceu ali, em palco, um bonito encontro de gerações, com as participações de Zeca e Carlos de Medeiros. Sobretudo a interpretação de As Ilhas de Bruma, por Zeca Medeiros, como se fosse um blues. O figurino porventura pouco prático. Mas Pedro insiste: "Gostava de ter sempre uma formação de banda, mas já percebi que tenho de ter uma alternativa mais portátil". Experimentar na m'incomoda é um autêntico disco voador.»
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