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sábado, 4 de janeiro de 2014

FUGA DE PENICHE

«Um milhar de pessoas, entre elas o atual líder do PCP, Jerónimos de Sousa, assistiu esta sexta-feira à recriação da fuga do histórico comunista Álvaro Cunhal da cadeia política de Peniche há 54 anos. A tenda instalada ao lado da Fortaleza de Peniche, com mais de trezentos lugares sentados, foi pequena para acolher o público, deixando muita gente em pé no interior e no exterior, a ver ao vivo ou através de televisores a encenação da fuga de Álvaro Cunhal da ex-prisão política, a 03 de janeiro de 1960. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, foi um dos presentes na iniciativa, que culmina a celebração dos 100 anos do nascimento do fundador do Partido Comunista Português (PCP). "Esta recriação tem uma carga não apenas saudosista ou de memória, significou aquilo que Álvaro escreveu no título do livro "rumo à vitória". Nunca mais foi a mesma coisa, porque foi um golpe que abalou o fascismo, reforçou o partido e levou a abril", afirmou, no final, aos jornalistas o secretário-geral comunista. Jerónimo de Sousa disse que recordar a fuga faz "olhar para a frente, procurando que os valores de abril retornem novamente a Portugal", incitando as "vítimas dos atuais cortes a lutar contra a brutalidade e a injustiça" das políticas do Governo e contra o "esquema que o Governo encontrou de contornar a Constituição da República". O espetáculo repartiu-se entre uma dramatização do plano de fuga, ainda dentro da cadeia, e a encenação da descida das muralhas da antiga prisão pelos diversos panos amarrados entre si, de uma dezena de presos, entre os quais Álvaro Cunhal. O espetáculo precedeu a inauguração, no interior da fortaleza, da exposição "Forte de Peniche - Local de Repressão, Resistência e Luta", que relata a história da prisão política, recordando as normas de funcionamento e vivências dos 2487 presos que por ali passaram e as várias fugas que ocorreram. A mostra dá a conhecer documentação institucional da prisão, fotografias dos presos e outros materiais executados pelos reclusos, como cartas escritas aos familiares, jornais produzidos na clandestinidade. Constam ainda objetos pessoais, como o relógio do falecido ator Rogério Paulo, que auxiliou Álvaro Cunhal na fuga, dois volumes de "As Farpas", de Ramalho Ortigão, usados para passar mensagens para o interior da prisão. A exposição dá também a conhecer a onda de solidariedade internacional gerada em torno dos presos e que a nível local se traduzia no apoio dado pela comunidade às famílias dos presos, nomeadamente disponibilizando as habitações para aí ficarem alojadas.»
Fonte: TVI

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

MANDELA

«5 FRASES DE NELSON MANDELA QUE A GRANDE MÍDIA PREFERE ESCONDER Esta semana o mundo perdeu um dos maiores líderes da História. Nelson Mandela faleceu quinta-feira, no dia 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos, em Pretória, África do Sul. Principal agente político do fim do apartheid e da abertura política de seu país, sua morte gerou comoção mundial e a mídia o tem tratado como unanimidade. O que é questionável porém é a descaracterização de sua postura política, o esvaziamento de sua ideologia e a exposição deste homem somente como um quase santo o qual fomentou as tão importantes mudanças em seu país sendo apolítico e pacífico sob quaisquer condições, este retrato não condiz com a realidade. Essa estratégia de alguns setores da mídia conservadora visa tão somente a neutralização de sua influência perante o atual cenário e configuração política de nossa sociedade. Diante destas constatações nada melhor que conhecermos Madiba por suas próprias palavras, termos conhecimento real dos posicionamentos deste personagem que marcou a humanidade. Abaixo seguem cinco citações dele que dificilmente você verá divulgadas na Grande Mídia: 1. “Nós concordamos com as Nações Unidas quando esta declara que disputas internacionais devem ser solucionadas por vias pacíficas. A postura beligerante adotada pelo governo de Israel é inaceitável a nós. Se temos de nos referir a qualquer uma das partes como Estado terrorista, devemos fazê-lo em relação ao governo Israelense, porque eles são os que estão massacrando árabes inocentes e indefesos nos territórios ocupados e não consideramos isto aceitável.” 2. “Nem Bush nem Tony Blair forneceram evidências da existência de armas deste tipo (no Iraque). Porém o que sabemos é que Israel possui armas de destruição em massa. Ninguém fala sobre isso. Qual a razão de possuirmos um parâmetro para um país, especialmente quando este é negro, e outro para outro país, Israel, que é branco?” 3. “Se existe um país o qual cometeu atrocidades inimagináveis pelo mundo este é o Estados Unidos da América. Eles não se importam com a humanidade.” 4. “Desde sua alvorada a Revolução Cubana tem sido fonte de inspiração a todos os povos amantes da liberdade. Admiramos os sacrifícios do povo cubano em manter sua independência e soberania diante do imperialismo imoral que arquiteta campanhas que visam destruir o impressionante avanço realizado desde a Revolução Cubana. Vida longa a Revolução Cubana. Vida longa ao camarada Fidel Castro.” 5. “A pobreza massiva e a desigualdade obscena são terríveis chagas de nossos tempos – tempos os quais o mundo galga impressionantes avanços na ciência, tecnologia, indústria e acumulação de riqueza – porém ainda assim temos de conviver com a escravidão e o apartheid. Dar fim a pobreza não é um gesto de caridade. É um ato de justiça. É a proteção de um direito humano fundamental, o direito a dignidade e a uma vida decente. Enquanto a pobreza existir não há liberdade genuína.”»

MANDELA

«5 Things The Media Won’t Tell You About Nelson Mandela Nelson Mandela in his own words: 1. “We agree with the United Nations that international disputes should be settled by peaceful means. The belligerent attitude which is adopted by the Israeli government is to us unacceptable. If one has to refer to any of the parties as a terrorist state, one might refer to the Israeli government, because they are the people who are slaughtering defenseless and innocent Arabs in the occupied territories, and we don’t regard that as acceptable.” 2. “Neither Bush nor Tony Blair has provided any evidence that such weapons exist [in Iraq]. But what we know is that Israel has weapons of mass destruction. Nobody talks about that. Why should there be one standard for one country, especially because it is black, and another one for another country, Israel, that is white.” 3. “If there is a country that has committed unspeakable atrocities in the world, it is the United States of America. They don’t care for human beings.” 4. “From its earliest days, the Cuban Revolution has also been a source of inspiration to all freedom-loving people. We admire the sacrifices of the Cuban people in maintaining their independence and sovereignty in the face of the vicious imperialist-orquestrated campaign to destroy the impressive gain made in the Cuban Revolution….Long live the Cuban Revolution. Long live comrade Fidel Castro.” 5. “Massive poverty and obscene inequality are such terrible scourges of our times — times in which the world boasts breathtaking advances in science, technology, industry and wealth accumulation — that they have to rank alongside slavery and apartheid as social evils. Overcoming poverty is not a gesture of charity. It is an act of justice. It is the protection of a fundamental human right, the right to dignity and a decent life. While poverty persists, there is no true freedom» Fonte: Existence is Resistance

sábado, 5 de outubro de 2013

VO NGUYEN GIAP

«Vo Nguyen Giap (província de Quang Binh, 25 de agosto de 1911 - Hanói, 4 de outubro de 20131 ) foi um general vietnamita, fundador e comandante supremo do Exército do Povo do Vietnam e um dos mais importantes estrategistas militares do século XX, que comandou as forças do Vietnam que derrotaram o exército francês na Batalha de Dien Bien Phu em 1954, encerrando o domínio colonial europeu no país, criando o Vietnam do Norte e Vietnam do Sul e o Exército dos Estados Unidos na Guerra do Vietnam, que resultou novamente na unificação do Vietnam, sob regime comunista.

Juventude

Giap é o sexto de uma família de oito filhos. Seu prenome Vo significa força e Giap, armadura, um nome que, segundo seus admiradores, pressagiava seu destino.
Alguns fatos de sua juventude permanecem obscuros e outros foram fabricados para efeito de propaganda. Segundo as fontes oficiais, seu pai era um agricultor que plantava algodão, mas fontes ocidentais asseguram que seu pai pertencia à elite mandarim. Há dúvidas até mesmo quanto ao ano de seu nascimento: 1911, como consta dos registros oficiais, ou 1912. Certo é que era fluente na língua francesa e teve oportunidade de estudar em duas importantes cidades, Hue e Hanói.
Aos 14 anos já fazia parte de organizações clandestinas que lutavam contra a ocupação francesa da Indochina, o antigo nome do Vietnam, dado por seus colonizadores. Em 1930, foi preso e condenado a três anos de prisão, mas foi solto alguns meses depois. Em 1933, foi expulso da Universidade de Hanói por se envolver em atividades subversivas. No ano seguinte, ingressou no Partido Comunista da Indochina.
A história oficial registra que Giap formou-se em Direito no ano de 1937, mas fontes ocidentais duvidam desta informação, pois dificilmente as autoridades francesas permitiriam que fosse readmitido na Universidade de onde fora expulso.

Carreira militar

Neste mesmo ano começa a trabalhar como professor de História, mas se ocupa mais em organizar colegas e alunos para a luta revolucionária. No ano seguinte, casa-se com a tailandesa Dang Thi Quang, também uma militante comunista.

Colocado o Partido Comunista na ilegalidade pelas autoridades francesas, segue-se a perseguição a seus militantes, Giap, junto com Ho Chi Minh e outros comunistas, foge em 1939 para a China. Lá inicia seu treinamento militar na tática de guerrilha.
A mulher de Giap é presa e morre na prisão, em consequência de torturas. Outros parentes seus também são mortos, inclusive seu pai, seu filho recém nascido e alguns de seus irmãos.
No princípio da década de 1940, inicia sua carreira militar como conselheiro de Ho Chi Minh em operações de guerrilha na fronteira com a China. A China e o Vietnam sofriam à época a invasão japonesa que se prolongaria até 1945. Em 1941, participa da fundação da Liga Vietnamita para a Independência, mais conhecida como Viet Minh.
Quando os japoneses se rendem em 1945, Ho Chi Minh, aproveitando-se da confusão reinante, tomou o poder na parte norte do Vietnam, estabelecendo sua capital em Hanói. Giap foi nomeado Ministro da Defesa e comandante do Exército e forma o primeiro núcleo das Tropas de Libertação do Povo, com 34 homens.

As duas fases da Guerra do Vietnam

Expulsos de Hanói por um contra-ataque francês, os nacionalistas se internam na selva e iniciam uma guerra de guerrilhas que se estenderá até 1954. A partir do núcleo inicial, Giap constituiu um aparato militar excepcional que surpreendeu os franceses na Batalha de Dien Bien Phu.
Os franceses, contando com superioridade numérica e em armamento, deslocaram tropas de pára-quedistas da Legião Estrangeira por trás das posições inimigas, concentrando-a em grandes linhas ao longo do território, ao redor da fortaleza de Dien Bien Phu. Com isso queriam forçar os vietnamitas a um confronto direto, abandonando a tática de guerrilhas. Como os vietnamitas não contavam com artilharia, este confronto seria favorável aos franceses, que dispunham de canhões de longo alcance.
O general Giap então montou uma demorada operação de cerco contra os franceses. Milhares de civis – estima-se em 250 mil homens e mulheres - foram mobilizados para, por dentro das picadas da floresta fechada, a pé ou com bicicletas, trazerem em cestas ou à mão todo o equipamento de artilharia necessário para contrabalançar o poderio francês.

Da derrota dos franceses, resultou a divisão do Vietnam, o Norte governado pelos comunistas liderados por Ho Chi Minh e o Sul sob governos vinculados aos Estados Unidos. A partir de 1959, crescia a presença de tropas norte-americanas e seu envolvimento em operações de guerra, em apoio às tropas do Vietnam do Sul. Era a segunda fase da Guerra do Vietnam.
Giap, à frente do exército norte-vietnamita, derrotou as forças dos Estados Unidos com uma desgastante guerra de guerrilhas. Na chamada Ofensiva do Tet, suas tropas chegaram a combater nas ruas da capital do Vietnam do Sul, Saigon, o que levou os Estados Unidos a se retirarem do Vietnam. Em 1975, ocorreu a reunificação do país.
Giap continuou Ministro da Defesa e, por um curto período, foi Primeiro-Ministro do país. Mas em 1991 se retirou em definitivo da vida pública. Continua vivo e tem 101 anos de idade.
Contou sua experiência militar em três livros: Manual de Estratégia Subversiva, Como Vencemos a Guerra e Guerra do Povo, Exército do Povo.»
Fonte: Wikipedia

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

GRUPO DE IRRESPONSÁVEIS

«“Estamos entregues a um grupo de irresponsáveis", diz Freitas do Amaral
O fundador do CDS e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Diogo Freitas do Amaral disse nesta terça-feira que o país está “entregue a um grupo de irresponsáveis” e defendeu um governo de salvação nacional ou eleições antecipadas.
“Nós estamos entregues a um grupo de irresponsáveis, de pessoas que não sabem o que é governar um país, não sabem o que é a dignidade do Estado e não sabem as regras mais elementares da democracia (…). Não sabem nada, fazem tudo mal”, criticou o histórico dirigente partidário.
Diogo Freitas do Amaral assinalou que a declaração que o primeiro-ministro fez hoje ao país, após a demissão do ministro centrista Paulo Portas, “revelou um homem que vive fora da realidade e um político com medo de assumir as graves responsabilidades que lhe cabem na dupla crise das últimas 24 horas”.
Pedro Passos Coelho anunciou que vai manter-se em funções e que não aceitou a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que pediu para sair do Governo menos de 24 horas depois do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ter tomado a mesma decisão.
“O Governo está morto e quanto mais depressa se encontrar outro, melhor”, frisou Freitas do Amaral, adiantando que, se o Presidente da República “não puder ou não quiser formar um governo de salvação nacional”, que seria a melhor solução para o país, deve convocar eleições antecipadas.
O antigo ministro, que foi também candidato à presidência da República, assinalou que “em democracia não se pode ter medo de eleições”, afirmando que “é uma perda de tempo” Passos Coelho apelar a Paulo Portas que volte atrás numa decisão que o próprio considerou irrevogável.
“[Passos Coelho] está agarrado ao poder, está com medo de ir para eleições, está com medo de pedir uma moção de confiança ao Parlamento, está com medo de perder o apoio do CDS, está com medo de perder a presidência do PSD e, portanto, acena para uma solução que teria sido possível há uns meses”, mas não depois de ignorar as posições do CDS e de Portas.
“Andou a humilhá-lo e agora é que vem pedir batatinhas? É tarde”, considerou, acrescentando que, “se o primeiro-ministro continuar a fazer este jogo, o CDS deve solidarizar-se com o seu presidente e romper a coligação”.»
FONTE: Público
Lusa

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

MATARÓN A CHAVEZ

«Rebelión.org /Aporrea.org.- El escritor, político y filósofo indicó que desde principios de la década de los 70, la CIA ha desarrollado tecnologías para inocular células cancerígenas o para generar infartos en enemigos políticos.

El escritor, político y filósofo argentino Atilio Borón señaló que cada vez se encuentra más convencido que la muerte del Comandante Supremo Hugo Chávez, fue el resultado de un magnicidio preparado por los Estados Unidos.
Aseguró que la Agencia Central de Inteligencia (CIA) norteamericana desde principios de la década de los 70 desarrolla tecnologías para inocular células cancerígenas o para generar infartos a sus enemigos políticos.
“Con los avances tecnológicos que ha habido a mi no me cabe duda que esta gente tuvo que haber desarrollado un vector, para generar procesos cancerígenos a través de células malignas”, dijo.
Precisó durante una entrevista en el programa Contragolpe que transmite Venezolana de Televisión, que una fuente científica confiable le confesó que existe un método donde se pueden activar procesos de radiación de células malignas, contenidas en un micrófono, que al ser colocado frente al jefe de Estado podría ser activado desde alguna especie de centro de comando para introducir las partículas microscópicas letales.
En este sentido, instó a los Presidentes de las naciones progresistas de Latinoamérica a que sean más cuidadosos y extremas las medidas de precaución.
“Creo que mataron a Chávez, cada día estoy más convencido y creo que van a seguir matando (…) pueden continuar con el presidente (Nicolás) Maduro, con Evo (Morales) y (Rafael) Correa”, advirtió el ganador del Premio Libertador al Pensamiento Crítico.
“Hay que trabajar con los mejores científicos que están moviéndose en todo este tema de las ciencias biológicas, para ver cómo desarrollamos mecanismos anticuerpos que permitan neutralizar esas armas”, puntualizó.
Exhortó a las autoridades a que se adelante una minuciosa investigación, en aras de determinar la presunta responsabilidad de los EEUU en las causas de la enfermedad que causó la desaparición física del líder de la Revolución Bolivariana.
 
ES POSIBLE LA INOCULACIÓN DEL CÁNCER
 
En un trabajo publicado por el periodista y ensayista español Pascual Serrano en la página web Rebelion.org, se cita el testimonio del doctor Carlos Cardona, médico especialista en oncología molecular, que ha estado 16 años investigando esta enfermedad en universidades tan prestigiosas como Cambridge y Birmingham , en Inglaterra, o en el Centro de Investigación del Cáncer Fred Hutchinson de Seattle, donde hicieron el trasplante de médula ósea al tenor José Carreras.
En unas declaraciones al diario ABC Cardona afirma que “al contrario de lo que piensa mucha gente, técnicamente es posible que el cáncer que terminó con la vida de Hugo Chávez fuera inoculado con la intención de asesinarle” (ABC, 15-3-2013).
En dicho trabajo se asegura que “tan solo hace falta una inyección puesta en cualquier parte del cuerpo cuyo contenido llegue a la sangre”.
Una de las formas -señaló el investigador- sería “inyectar líneas celulares de un tumor que conoces previamente, incluso de pacientes que murieron hace 50 años; a través de un oncovirus, es decir, un virus que tú has preparado y que lleva los genes de tumores supresores que se introducen en las células y producen el cáncer, o inyectando directamente carcinógenos químicos”.
“Si Chávez, por ejemplo, hubiera ido al dentista, éste podría haberle puesto una anestesia y después inocularle un oncovirus o un carcinógeno. El paciente no se va a enterar y al cabo de varios meses puede desarrollar el cáncer.
Hay carcinógenos químicos que son específicos de un órgano y otros generalizados que provocan cáncer de manera discriminada. Los hay, por ejemplo, que pueden provocan el cáncer en la zona pélvica, que es donde afectó a Chávez.»
FONTE: Cubainformación

ESA ESTA CRECIENDO

«Discurso del Comandante Che Guevara en la Asamblea General de las Naciones Unidas
12 de diciembre de 1964


Señor Presidente,
Señores Delegados:
La representación de Cuba ante esta Asamblea se complace en cumplir, en primer término, el agradable deber de saludar la incorporación de tres nuevas naciones al importante número de las que aquí discuten problemas del mundo. Saludamos, pues, en las personas de su Presidente y Primeros Ministros, a los pueblos de Zambia, Malawi y Malta y hacemos votos porque estos países se incorporen desde el primer momento al grupo de naciones no alineadas que luchan contra el imperialismo, el colonialismo y el neocolonialismo.
Hacemos llegar también nuestra felicitación al Presidente de esta Asamblea, cuya exaltación a tan alto cargo tiene singular significación, pues ella refleja esta nueva etapa histórica de resonantes triunfos para los pueblos de Africa, hasta ayer sometidos al sistema colonial del imperialismo y que hoy, en su inmensa mayoría, en el ejercicio legítimo de su libre determinación, se han constituido en Estados soberanos. Ya ha sonado la hora postrera del colonialismo y millones de habitantes de Africa, Asia y América Latina se levantan al encuentro de una nueva vida e imponen su irrestricto derecho a la autodeterminación y el desarrollo independiente de sus naciones. Le deseamos, Señor Presidente, el mayor de los éxitos en la tarea que le fuera encomendada por los países miembros. 
Cuba viene a fijar su posición sobre los puntos más importantes de controversia y lo hará con todo el sentido de la responsabilidad que entraña el hacer uso de esta tribuna, pero, al mismo tiempo, respondiendo al deber insoslayable de hablar con toda claridad y franqueza.
Quisiéramos ver desperezarse a esta Asamblea y marchar hacia adelante, que las Comisiones comenzaran su trabajo y que éste no se detuviera en la primera confrontación. El imperialismo quiere convertir esta reunión en un vano torneo oratorio en vez de resolver los graves problemas del mundo; debemos impedírselo. Esta Asamblea no debiera recordarse en el futuro sólo por el número XIX que la identifica. A lograr ese fin van encaminados nuestros esfuerzos.
Nos sentimos con el derecho y la obligación de hacerlo debido a que nuestro país es uno de los puntos constantes de fricción, uno de los lugares donde los principios que sustentan los derechos de los países pequeños a su soberanía están sometidos a prueba día a día, y minuto a minuto y, al mismo tiempo, una de las trincheras de la libertad del mundo situada a pocos pasos de imperialismo norteamericano para mostrar con su acción, con su ejemplo diario, que los pueblos sí pueden liberarse y sí pueden mantenerse libres en las actuales condiciones de la humanidad. Desde luego, ahora existe un campo socialista cada día más fuerte y con armas de contención más poderosas. Pero se requieren condiciones adicionales para la supervivencia: mantener la cohesión interna, tener fe en los propios destinos y decisión irrenunciable de luchar hasta la muerte en defensa del país y de la revolución. En Cuba se dan esas condiciones, Señores Delegados.
 
De todos los problemas candentes que deben tratarse en esta Asamblea, uno de los que para nosotros tiene particular significación y cuya definición creemos debe hacerse en forma que no deje dudas a nadie, es el de la coexistencia pacífica entre Estados de diferentes regímenes económico-sociales. Mucho se ha avanzado en el mundo en este campo; pero el imperialismo -norteamericano sobre todo- ha pretendido hacer creer que la coexistencia pacífica es de uso exclusivo de las grandes potencias de la tierra. Nosotros expresamos aquí lo mismo que nuestro Presidente expresara en El Cairo y lo que después quedara plasmado en la declaración de la Segunda Conferencia de Jefes de Estado o de Gobierno de países No Alineados: que no puede haber coexistencia pacífica entre poderosos solamente, si se pretende asegurar la paz del mundo. La coexistencia pacífica debe ejercitarse entre todos los Estados, independientemente de su tamaño, de las anteriores relaciones históricas que los ligara y de los problemas que se suscitaren entre algunos de ellos, en un momento dado.
Actualmente, el tipo de coexistencia pacífica a que nosotros aspiramos no se cumple en multitud de casos. El reino de Cambodia, simplemente por mantener una actitud neutral y no plegarse a las maquinaciones del imperialismo norteamericano se ha visto sujeto a toda clase de ataques alevosos y brutales partiendo de las bases que los yanquis tienen en Viet Nam del Sur. Laos, país dividido, ha sido objeto también de agresiones imperialistas de todo tipo, su pueblo masacrado desde el aire, las convenciones que se firmaran en Ginebra han sido violadas y parte del territorio está en constante peligro de ser atacado a mansalva por las fuerzas imperialistas. La República Democrática de Viet Nam, que sabe de todas estas historias de agresiones como pocos pueblos en la tierra, ha visto una vez más violadas sus fronteras, ha visto como aviones de bombardeo y cazas enemigos disparaban contra sus instalaciones; como los barcos de guerra norteamericanos, violando aguas territoriales, atacaban sus puesto navales. En estos instantes, sobre la República Democrática de Viet Nam pesa la amenaza de que los guerreristas norteamericanos extiendan abiertamente sobre su territorio y su pueblo la guerra que, desde hace varios años, están llevando a cabo contra el pueblo de Viet Nam del Sur. La Unión Soviética y la República Popular China, han hecho advertencias serias a los Estados Unidos. Estamos frente a un caso en el cual la paz del mundo está en peligro, pero, además, la vida de millones de seres de toda esta zona del Asia está constantemente amenazada, dependiendo de los caprichos del invasor norteamericano.
La coexistencia pacífica también se ha puesto a prueba en una forma brutal en Chipre debido a presiones del gobierno turco y de la OTAN, obligando a una heroica y enérgica defensa de su soberanía hecha por el pueblo de Chipre y su gobierno.
En todos estos lugares del mundo, el imperialismo trata de imponer su versión de lo que debe ser la coexistencia; son los pueblos oprimidos, en alianza con el campo socialista, los que le deben enseñar cuál es la verdadera, y es obligación de las Naciones Unidas apoyarlos.
También hay que esclarecer que no solamente en relaciones en las cuales están imputados Estados soberanos, los conceptos sobre la coexistencia pacífica deben ser bien definidos. Como marxistas, hemos mantenido que la coexistencia pacífica ente naciones no engloba la coexistencia entre explotadores y explotados, entre opresores y oprimidos. Es, además, un principio proclamado en el seno de esta Organización, el derecho a la plena independencia contra todas las formas de opresión colonial. Por eso, expresamos nuestra solidaridad hacia los pueblos, hoy coloniales, de la Guinea llamada portuguesa, de Angola o Mozambique, masacrados por el delito de demandar su libertad y estamos dispuestos a ayudarlos en la medida de nuestras fuerzas, de acuerdo con la declaración del Cairo.
Expresamos nuestra solidaridad al pueblo de Puerto Rico y su gran líder, Pedro Albizu Campos, el que, en un acto más de hipocresía, ha sido dejado en libertad a la edad de 72 años, sin habla casi, paralítico después de haber pasado en la cárcel toda una vida. Albizu Campos es un símbolo de la América todavía irredenta pero indómita. Años y años de prisiones, presiones casi insoportables en la cárcel, torturas mentales, la soledad, el aislamiento total de su pueblo y de su familia, la insolencia del conquistador y de sus lacayos en la tierra que le vio nacer; nada dobló su voluntad. La Delegación de Cuba rinde, en nombre de su pueblo, homenaje de admiración y gratitud a un patriota que dignifica a nuestra América.
Los norteamericanos han pretendido durante años convertir a Puerto Rico en un espejo de cultura híbrida; habla española con inflexiones en inglés, habla española con bisagras en el lomo para inclinarlo ante el soldado yanqui. Soldados portorriqueños han sido empleados como carne de cañón en guerras del imperio, como en Corea, y hasta para disparar contra sus propios hermanos, como es la masacre perpetrada por el ejército norteamericano, hace algunos meses, contra el pueblo inerme de Panamá -una de las más recientes fechorías del imperialismo yanqui.
Sin embargo, a pesar de esa tremenda violentación de su voluntad y su destino histórico, el pueblo de Puerto Rico ha conservado su cultura, su carácter latino, sus sentimientos nacionales, que muestran por sí mismos la implacable vocación de independencia yacente en las masas de la isla latinoamericana.
También debemos advertir que el principio de la coexistencia pacífica no entraña el derecho a burlar la voluntad de los pueblos, como ocurre en el caso de la Guayana llamada británica, en que el gobierno del Primer Ministro Cheddy Jagan ha sido víctima de toda clase de presiones y maniobras y se ha ido dilatando el instante de otorgarle la independencia, en la búsqueda de métodos que permitan burlar los deseos populares y asegurar la docilidad de un gobierno distinto al actual colocado allí por turbios manejos, para entonces otorgar una libertad castrada a este pedazo de tierra americana.
Cualesquiera que sean los caminos que la Guayana se vea obligada a seguir para obtenerla, hacia su pueblo va el apoyo moral y militante de Cuba.
Debemos señalar, asimismo, que las islas de Guadalupe y Martinica están luchando por su autonomía desde hace tiempo, sin lograrla, y ese estado de cosas no debe seguir.
Una vez más elevamos nuestra voz para alertar al mundo sobre lo que está ocurriendo en Sur Africa; la brutal política del «Apartheid» se aplica ante los ojos de las naciones del mundo. Los pueblos de Africa se ven obligados a soportar que en ese continente todavía se oficialice la superioridad de una raza sobre otra, que se asesine impunemente en nombre de esa superioridad racial. ¿Las Naciones Unidas no harán nada para impedirlo?
Quería referirme específicamente al doloroso caso del Congo, único en la historia del mundo moderno, que muestra cómo se pueden burlar con la más absoluta impunidad, con el cinismo más insolente, el derecho de los pueblos. Las ingentes riquezas que tiene el Congo y que las naciones imperialistas quieren mantener bajo su control son los motivos directos de todo esto. En la intervención que hubiera de hacer, a raíz de su primera visita a las Naciones Unidas, el compañero Fidel Castro advertía que todo el problema de la coexistencia entre las naciones se reducía al problema de la apropiación indebida de riquezas ajenas, y hacía la advocación siguiente: «cese la filosofía del despojo y cesará la filosofía de la guerra.» Pero la filosofía del despojo no sólo no ha cesado, sino que se mantiene más fuerte que nunca y, por eso, los mismos que utilizaron el nombre de las Naciones Unidas para perpetrar el asesinato de Lumumba, hoy, en nombre de la defensa de la raza blanca, asesinan a millares de congoleños.
¿Cómo es posible que olvidemos la forma en que fue traicionada la esperanza que Patricio Lumumba puso en las Naciones Unidas? ¿Cómo es posible que olvidemos los rejuegos y maniobras que sucedieron a la ocupación de ese país por las tropas de las Naciones Unidas, bajo cuyos auspicios actuaron impunemente los asesinos del gran patriota africano?
¿Cómo podremos olvidar, Señores Delegados, que quien desacató la autoridad de las Naciones Unidas en el Congo, y no precisamente por razones patrióticas, sino en virtud de pugnas entre imperialistas, fue Moisé Tshombe, que inició la secesión de Katanga con el apoyo belga?
¿Y cómo justificar, cómo explicar que, al final de toda la acción de las Naciones Unidas, Tshombe, desalojado de Katanga, regrese dueño y señor del Congo? ¿Quién podría negar el triste papel que los imperialistas obligaron a jugar a la Organización de Naciones Unidas?
En resumen se hicieron aparatosas movilizaciones para evitar la escisión de Katanga y hoy Tshombe está en el poder, las riquezas del Congo en manos imperialistas... y los gastos deben pagarlos las naciones dignas. ¡Qué buen negocio hacen los mercaderes de la guerra! Por eso, el gobierno de Cuba apoya la justa actitud de la Unión Soviética, al negarse a pagar los gastos del crimen.
Para colmo de escarnio, nos arrojan ahora al rostro estas últimas acciones que han llenado de indignación al mundo.
¿Quiénes son los autores? Paracaidistas belgas, transportados por aviones norteamericanos que partieron de bases inglesas. Nos recordamos que ayer, casi, veíamos a un pequeño país de Europa, trabajador y civilizado, el reino de Bélgica, invadido por las hordas hitlerianas; amargaba nuestra conciencia el saber de ese pequeño pueblo masacrado por el imperialismo germano y lo veíamos con cariño. Pero esta otra cara de la moneda imperialista era la que muchos no percibíamos.
Quizás hijos de patriotas belgas que murieran por defender la libertad de su país, son los que asesinaran a mansalva a millares de congoleños en nombre de la raza blanca, así como ellos sufrieron la bota germana porque su contenido de sangre aria no era suficientemente elevado. 
Nuestros ojos libres se abren hoy a nuevos horizontes y son capaces de ver lo que ayer nuestra condición de esclavos coloniales nos impedía observar; que la «civilización occidental» esconde bajo su vistosa fachada un cuadro de hienas y chacales. Porque nada más que ese nombre merecen los que han ido a cumplir tan «humanitarias» tareas al Congo. Animal carnicero que se ceba en los pueblos inermes; eso es lo que hace el imperialismo con el hombre, eso es lo que distingue al «blanco» imperial.
Todos los hombres libres del mundo deben aprestarse a vengar el crimen del Congo.
Quizás muchos de aquellos soldados, convertidos en subhombres por la maquinaria imperialista, piensen de buena fe que están defendiendo los derechos de una raza superior; pero en esta Asamblea son mayoritarios los pueblos que tienen sus pieles tostadas por distintos soles, coloreadas por distintos pigmentos, y han llegado a comprender plenamente que la diferencia entre los hombres no está dada por el color de la piel, sino por las formas de propiedad de los medios de producción, por las relaciones de producción.
La delegación cubana hace llegar su saludo a los pueblos de Rhodesia del Sur y Africa Sudoccidental, oprimidos por minorías de colonos blancos. A Basutolandia, Bechuania y Swazilandia, a la Somalia francesa, al pueblo árabe de Palestina, a Adén y los protectorados, a Omán y a todos los pueblos en conflicto con el imperialismo o el colonialismo y les reitera su apoyo. Formula además votos por una justa solución al conflicto que la hermana República de Indonesia encara con Malasia.
Señor Presidente: uno de los temas fundamentales de esta Conferencia es el del desarme general y completo. Expresamos nuestro acuerdo con el desarme general y completo; propugnamos además, la destrucción total de los artefactos termonucleares y apoyamos la celebración de una conferencia de todos los países del mundo para llevar a cabo estas aspiraciones de los pueblos. Nuestro Primer Ministro advertía, en su intervención ante esta Asamblea, que siempre las carreras armamentistas han llevado a la guerra. Hay nuevas potencias atómicas en el mundo; las posibilidades de una confrontación crecen.
Nosotros consideramos que es necesaria esta conferencia con el objetivo de lograr la destrucción total de las armas termonucleares y, como primera medida, la prohibición total de las pruebas. Al mismo tiempo, debe establecerse claramente la obligación de todos los países de respetar las actuales fronteras de otros estados; de no ejercer acción agresiva alguna, aun cuando sea con armas convencionales.
Al unirnos a la voz de todos los países del mundo que piden el desarme general y completo, la destrucción de todo el arsenal atómico, el cese absoluto de la fabricación de nuevos artefactos termonucleares y las pruebas atómicas de cualquier tipo, creemos necesario puntualizar que, además, debe también respetarse la integridad territorial de las naciones y debe detenerse el brazo armado del imperialismo, no menos peligroso porque solamente empuñe armas convencionales. Quienes asesinaron miles de indefensos ciudadanos del Congo, no se sirvieron del arma atómica; han sido armas convencionales, empuñadas por el imperialismo, las causantes de tanta muerte.
Aun cuando las medidas aquí preconizadas, de hacerse efectivas, harían inútil la mención, es conveniente recalcar que no podemos adherirnos a ningún pacto regional de desnuclearización mientras Estados Unidos mantenga bases agresivas en nuestro propio territorio, en Puerto Rico, Panamá, y otros estados americanos donde se considera con derecho a emplazar, sin restricción alguna, tanto armas convencionales que nucleares. Descontando que las últimas resoluciones de la OEA, contra nuestro país, al que se podría agredir invocando el Tratado de Río, hace necesaria la posesión de todos los medios defensivos a nuestro alcance.
Creemos que, si la conferencia de que hablábamos lograra todos esos objetivos, cosa difícil, desgraciadamente, sería la más trascendental en la historia de la humanidad. Para asegurar esto sería preciso contar con la presencia de la República Popular China, y de ahí el hecho obligado de la realización de una reunión de ese tipo. Pero sería mucho más sencillo para los pueblos del mundo reconocer la verdad innegable de que existe la República Popular China, cuyos gobernantes son representantes únicos de su pueblo y darle el asiento a ella destinado, actualmente usurpado por la camarilla que con apoyo norteamericano mantiene en su poder la provincia de Taiwan.
El problema de la representación de China en las Naciones Unidas no puede considerarse en modo alguno como el caso de un nuevo ingreso en la Organización sino de restaurar los legítimos derecho de la República Popular China.
Debemos repudiar enérgicamente el complot de las «dos Chinas». La camarilla Chiangkaishekista de Taiwan no puede permanecer en la Organización de las Naciones Unidas. Se trata, repetimos, de expulsar al usurpador e instalar al legítimo representante del pueblo chino.
Advertimos además contra la insistencia del Gobierno de los Estados Unidos en presentar el problema de la legítima representación de China en la ONU como una «cuestión importante» al objeto de imponer el quórum extraordinario de votación de las dos terceras partes de los miembros presentes y votantes.
El ingreso de la República Popular China al seno de las Naciones Unidas es realmente una cuestión importante para el mundo en su totalidad, pero no para el mecanismo de las Naciones Unidas donde debe constituir una mera cuestión de procedimiento. De esta forma se haría justicia, pero casi tan importante como hacer justicia quedaría, además, demostrado de una vez que esta augusta asamblea tiene ojos para ver, oídos para oír, lengua propia para hablar, criterio certero para elaborar decisiones.
La difusión de armas atómicas entre los países de la OTAN y, particularmente la posesión de estos artefactos de destrucción en masa por la República Federal Alemana, alejarían más aún la posibilidad de un acuerdo sobre el desarme, y unido a estos acuerdos va el problema de la reunificación pacífica de Alemania. Mientras no se logre un entendimiento claro, debe reconocerse la existencia de dos Alemanias, la República Democrática Alemana y la República Federal. El problema alemán no puede arreglarse si no es con la participación directa en las negociaciones de la República Democrática Alemana, con plenos derechos.
Tocaremos solamente los temas sobre desarrollo económico y comercio internacional que tienen amplia representación en la agenda. En este mismo año del 64 se celebró la Conferencia de Ginebra donde se trataron multitud de puntos relacionados con estos aspectos de las relaciones internacionales. Las advertencias y predicciones de nuestra delegación se han visto confirmadas plenamente, para desgracia de los países económicamente dependientes.
Sólo queremos dejar señalado que, en lo que a Cuba respecta, los Estados Unidos de América no han cumplido recomendaciones explícitas de esa Conferencia y, recientemente, el Gobierno norteamericano prohibió también la venta de medicinas a Cuba, quitándose definitivamente la máscara de humanitarismo con que pretendió ocultar el carácter agresivo que tiene el bloqueo contra el pueblo de Cuba.
Por otra parte, expresamos una vez más que las lacras coloniales que detienen el desarrollo de los pueblos no se expresan solamente en relaciones de índole política: el llamado deterioro de los términos de intercambio no es otra cosa que el resultado del intercambio desigual entre países productores de materia prima y países industriales que dominan los mercados e imponen la aparente justicia de un intercambio igual de valores.
Mientras los pueblos económicamente dependientes no se liberen de los mercados capitalistas y, en firme bloque con los países socialistas, impongan nuestras relaciones entre explotadores y explotados, no habrá desarrollo económico sólido, y se retrocederá, en ciertas ocasiones volviendo a caer los países débiles bajo el domino político de los imperialistas y colonialistas.
Por último, Señores Delegados, hay que establecer claramente que se están realizando en el área del Caribe maniobras y preparativos para agredir a Cuba. En las costas de Nicaragua sobre todo, en Costa Rica también, en la zona del Canal de Panamá, en las Islas Vieques de Puerto Rico, en la Florida; probablemente, en otros puntos del territorio de los Estados Unidos y, quizás, también en Honduras, se están entrenando mercenarios cubanos y de otras nacionalidades con algún fin que no debe ser el más pacífico.
Después de un sonado escándalo, el Gobierno de Costa Rica, se afirma, ha ordenado la liquidación de todos los campos de adiestramiento de cubanos exiliados en ese país. Nadie sabe si esa actitud es sincera o si constituye una simple coartada, debido a que los mercenarios entrenados allí estén a punto de cometer alguna fechoría. Esperamos que se tome clara conciencia de la existencia real de bases de agresión, lo que hemos denunciado desde hace tiempo, y se medite sobre la responsabilidad internacional que tiene el gobierno de un país que autoriza y facilita el entrenamiento de mercenarios para atacar a Cuba.
Es de hacer notar que las noticias sobre el entrenamiento de mercenarios en distintos puntos del Caribe y la participación que tiene en tales actos el Gobierno norteamericano se dan con toda naturalidad en los periódicos de los Estados Unidos. No sabemos de ninguna voz latinoamericana que haya protestado oficialmente por ello. Esto nos muestra el cinismo con que manejan los Estados Unidos a sus peones. Los sutiles Cancilleres de la OEA que tuvieron ojos para ver escudos cubanos y encontrar pruebas «irrefutables» en las armas yanquis exhibidas en Venezuela, no ven los preparativos de agresión que se muestran en los Estados Unidos, como no oyeron la voz del presidente Kennedy que se declaraba explícitamente agresor de Cuba en Playa Girón.
En algunos casos es una ceguera provocada por el odio de las clases dominantes de países latinoamericanos sobre nuestra Revolución; en otros, más tristes aún, es producto de los deslumbrantes resplandores de Mammon.
Como es de todos conocido, después de la tremenda conmoción llamada crisis del Caribe, los Estados Unidos contrajeron con la Unión Soviética determinados compromisos que culminaron en la retirada de cierto tipo de armas que las continuas agresiones de aquel país -como el ataque mercenario de Playa Girón y las amenazas de invadir nuestra patria- nos obligaron a emplazar en Cuba en acto de legítima e irrenunciable defensa.
Pretendieron los norteamericanos, además, que las Naciones Unidas inspeccionaran nuestro territorio, a lo que nos negamos enfáticamente, ya que Cuba no reconoce el derecho de los Estados Unidos, ni de nadie en el mundo, a determinar el tipo de armas que pueda tener dentro de sus fronteras.
En este sentido, sólo acataríamos acuerdos multilaterales, con iguales obligaciones para todas las partes.
Como ha dicho Fidel Castro: «Mientras el concepto de soberanía exista como prerrogativa de las naciones y de los pueblos independientes; como derecho de todos los pueblos, nosotros no aceptamos la exclusión de nuestro pueblo de ese derecho. Mientras el mundo se rija por esos principios, mientras el mundo se rija por esos conceptos que tengan validez universal, porque son universalmente aceptados y consagrados por los pueblos, nosotros no aceptaremos que se nos prive de ninguno de esos derechos, nosotros no renunciaremos a ninguno de esos derechos.»
El señor Secretario General de las Naciones Unidas, U Thant, entendió nuestras razones. Sin embargo, los Estados Unidos pretendieron establecer una nueva prerrogativa arbitraria e ilegal: la de violar el espacio aéreo de cualquier país pequeño. Así han estado surcando el aire de nuestra patria aviones U-2 y otros tipos de aparatos espías que, con toda impunidad, navegan en nuestro espacio aéreo. Hemos hecho todas las advertencias necesarias para que cesen las violaciones aéreas, así como las provocaciones que los marinos yanquis hacen contra nuestras postas de vigilancia en la zona de Guantánamo, los vuelos rasantes de aviones sobre buques nuestros o de otras nacionalidades en aguas internacionales, los ataques piratas a barcos de distintas banderas y las infiltraciones de espías, saboteadores y armas en nuestra isla.
Nosotros queremos construir el socialismo; nos hemos declarado partidarios de los que luchan por la paz; nos hemos declarado dentro del grupo de países no alineados, a pesar de ser marxistas leninistas, porque los no alineados, como nosotros, luchan contra el imperialismo. Queremos paz, queremos construir una vida mejor para nuestro pueblo y, por eso, eludimos al máximo caer en las provocaciones maquinadas por los yanquis, pero conocemos la mentalidad de sus gobernantes; quieren hacernos pagar muy caro el precio de esa paz. Nosotros contestamos que ese precio no puede llegar más allá de las fronteras de la dignidad.
Y Cuba reafirma, una vez más, el derecho a tener en su territorio la armas que le conviniere y su negativa a reconocer el derecho de ninguna potencia de la tierra, por potente que sea, a violar nuestro suelo, aguas jurisdiccionales o espacio aéreo.
Si en alguna asamblea Cuba adquiere obligaciones de carácter colectivo, las cumplirá fielmente; mientras esto no suceda, mantiene plenamente todos sus derechos, igual que cualquier otra nación.
Ante las exigencias del imperialismo, nuestro Primer Ministro planteó los cinco puntos necesarios para que existiera una sólida paz en el Caribe. Estos son:
«Primero: Cese del bloqueo económico y de todas las medidas de presión comercial y económica que ejercen los Estados Unidos en todas partes del mundo contra nuestro país.
Segundo: Cese de todas las actividades subversivas, lanzamiento y desembarco de armas y explosivos por aire y mar, organización de invasiones mercenarias, filtración de espías y saboteadores, acciones todas que se llevan a cabo desde el territorio de los Estados Unidos y de algunos países cómplices.
Tercero: Cese de los ataques piratas que se llevan a cabo desde bases existentes en los Estados Unidos y en Puerto Rico.
Cuarto: Cese de todas las violaciones de nuestro espacio aéreo y naval por aviones y navíos de guerra norteamericanos.
Quinto: Retirada de la Base Naval de Guantánamo y devolución del territorio cubano ocupado por los Estados Unidos.» No se ha cumplido ninguna de estas exigencias elementales, y desde la Base Naval de Guantánamo, continúa el hostigamiento de nuestras fuerzas. Dicha Base se ha convertido en guarida de malhechores y catapulta de introducción de éstos en nuestro territorio.
Cansaríamos a esta Asamblea si hiciéramos un relato medianamente detallado de la multitud de provocaciones de todo tipo. Baste decir que el número de ellas, incluidos los primeros días de este mes de diciembre, alcanza la cifra de 1.323, solamente en 1964.
La lista abarca provocaciones menores, como violación de la línea divisoria, lanzamiento de objetos desde territorio controlado por los norteamericanos, realización de actos de exhibicionismo sexual por norteamericanos de ambos sexos, ofensas de palabra; otros de carácter más grave como disparos de armas de pequeño calibre, manipulación de armas apuntando a nuestro territorio y ofensas a nuestra enseña nacional; provocaciones gravísimas son: el cruce de la línea divisoria provocando incendios en instalaciones del lado cubano y disparos con fusiles, hecho repetido 78 veces durante el año, con el saldo doloroso de la muerte del soldado Ramón López Peña, de resultas de dos disparos efectuados por las postas norteamericanas situadas a 3,5 kilómetros de la costa por el límite noroeste. Esta gravísima provocación fue hecha a las 19:07, del día 19 de julio de 1964, y el Primer Ministro de nuestro Gobierno manifestó públicamente, el 26 de Julio, que de repetirse el hecho, se daría orden a nuestras tropas de repeler la agresión. Simultáneamente, se ordenó el retiro de las líneas de avanzada de las fuerzas cubanas hacia posiciones más alejadas de la divisoria y la construcción de casamatas adecuadas.
1.323 provocaciones en 340 días significan aproximadamente 4 diarias. Sólo un ejército perfectamente disciplinado y con la moral del nuestro puede resistir tal cúmulo de actos hostiles sin perder la ecuanimidad.
47 países reunidos en la Segunda Conferencia de Jefes de Estado o de Gobierno de países No Alineados, en El Cairo, acordaron, por unanimidad:
«La Conferencia advirtiendo con preocupación que las bases militares extranjeras constituyen, en la práctica, un medio para ejercer presión sobre las naciones, y entorpecen su emancipación y su desarrollo, según sus concepciones ideológicas, políticas, económicas y culturales, declara que apoya sin reserva a los países que tratan de lograr la supresión de las bases extranjeras establecidas en su territorio y pide a todos los Estados la inmediata evacuación de las tropas y bases que tienen en otros países.
La Conferencia considera que el mantenimiento por los Estados Unidos de América de una base militar en Guantánamo (Cuba), contra la voluntad del Gobierno y del pueblo de Cuba, y contra las disposiciones de la Declaración de la Conferencia de Belgrado, constituye una violación de la soberanía y de la integridad territorial de Cuba.
La Conferencia, considerando que el Gobierno de Cuba se declara dispuesto a resolver su litigio con el Gobierno de los Estados Unidos de América acerca de la base de Guantánamo en condiciones de igualdad, pide encarecidamente al Gobierno de los Estados Unidos que entable negociaciones con el Gobierno de Cuba para evacuar esa base.»
El gobierno de los Estados Unidos no ha respondido a esa instancia de la Conferencia de El Cairo y pretende mantener indefinidamente ocupado por la fuerza un pedazo de nuestro territorio, desde el cual lleva a cabo agresiones como las detalladas anteriormente.
La Organización de Estados Americanos, también llamada por los pueblos Ministerio de las Colonias norteamericanas, nos condenó «enérgicamente», aun cuando ya antes nos había excluido de su seno, ordenando a los países miembros que rompieran relaciones diplomáticas y comerciales con Cuba. La OEA autorizó la agresión a nuestro país, en cualquier momento, con cualquier pretexto, violando las más elementales leyes internacionales e ignorando por completo a la Organización de las Naciones Unidas.
A aquella medida se opusieron con sus votos los países de Uruguay, Bolivia, Chile y México; y se opuso a cumplir la sanción, una vez aprobada, el gobierno de los Estados Unidos Mexicanos; desde entonces no tenemos relaciones con países latinoamericanos salvo con aquel Estado, cumpliéndose así una de las etapas previas de la agresión directa del imperialismo.
Queremos aclarar, una vez más, que nuestra preocupación por Latinoamérica está basada en los lazos que nos unen: la lengua que hablamos, la cultura que sustentamos, el amo común que tuvimos. Que no nos anima otra causa para desear la liberación de Latinoamérica del yugo colonial norteamericano. Si alguno de los países latinoamericanos aquí presentes decidiera restablecer relaciones con Cuba, estaríamos dispuestos a hacerlo sobre bases de igualdad y no con el criterio de que es una dádiva a nuestro gobierno el reconocimiento como país libre del mundo, porque ese reconocimiento lo obtuvimos con nuestra sangre en los días de la lucha de liberación, lo adquirimos con sangre en la defensa de nuestras playas frente a la invasión yanqui.
Aun cuando nosotros rechazamos que se nos pretenda atribuir ingerencias en los asuntos internos de otros países, no podemos negar nuestra simpatía hacia los pueblos que luchan por su liberación y debemos cumplir con la obligación de nuestro gobierno y nuestro pueblo de expresar contundentemente al mundo que apoyamos moralmente y nos solidarizamos con los pueblos que luchan en cualquier parte del mundo para hacer realidad los derechos de soberanía plena proclamados en la Carta de las Naciones Unidas.
Los Estados Unidos sí intervienen; lo han hecho históricamente en América. Cuba conoce desde fines del siglo pasado esta verdad, pero la conocen también Colombia, Venezuela, Nicaragua y la América Central en general, México, Haití, Santo Domingo.
En años recientes, además de nuestro pueblo, conocen de la agresión directa Panamá, donde los «marines» del Canal tiraron a mansalva sobre el pueblo inerme; Santo Domingo, cuyas costas fueron violadas por la flota yanqui para evitar el estallido de la justa ira popular, luego del asesinato de Trujillo; y Colombia, cuya capital fue tomada por asalto a raíz de la rebelión provocada por el asesinato de Gaitán.
Se producen intervenciones solapadas por intermedio de las misiones militares que participan en la represión interna, organizando las fuerzas destinadas a ese fin en buen número de países, y también en todos los golpes de estado, llamados «gorilazos», que tantas veces se repitieron en el continente americano durante los últimos tiempos.
Concretamente, intervienen fuerzas de los Estados Unidos en la represión de los pueblos de Venezuela, Colombia y Guatemala que luchan con las armas por su libertad. En el primero de los países nombrados, no sólo asesoran al ejército y a la policía, sino que también dirigen los genocidios efectuados desde el aire contra la población campesina de amplias regiones insurgentes y, las compañías yanquis instaladas allí, hacen presiones de todo tipo para aumentar la ingerencia directa.
Los imperialistas se preparan a reprimir a los pueblos americanos y están formando la internacional del crimen. Los Estados Unidos intervienen en América invocando la defensa de las instituciones libres. Llegará el día en que esta Asamblea adquiera aún más madurez y le demande al gobierno norteamericano garantías para la vida de la población negra y latinoamericana que vive en este país, norteamericanos de origen o adopción, la mayoría de ellos. ¿Cómo puede constituirse en gendarme de la libertad quien asesina a sus propios hijos y los discrimina diariamente por el color de la piel, quien deja en libertad a los asesinos de los negros, los protege además, y castiga a la población negra por exigir el respeto a sus legítimos derechos de hombres libres?
Comprendemos que hoy la Asamblea no está en condiciones de demandar explicaciones sobre hechos, pero debe quedar claramente sentado que el gobierno de los Estados Unidos no es gendarme de la libertad, sino perpetuador de la explotación y la opresión contra los pueblos del mundo y contra buena parte de su propio pueblo.
Al lenguaje anfibológico con que algunos delegados han dibujado el caso de Cuba y la OEA nosotros contestamos con palabras contundentes y proclamamos que los pueblos de América cobrarán a los gobiernos entreguistas su traición.
Cuba, señores delegados, libre y soberana, sin cadenas que la aten a nadie, sin inversiones extranjeras en su territorio, sin procónsules que orienten su política, puede hablar con la frente alta en esta Asamblea y demostrar la justeza de la frase con que la bautizaran: «Territorio Libre de América.»
Nuestro ejemplo fructificará en el Continente como lo hace ya, en cierta medida en Guatemala, Colombia y Venezuela.
No hay enemigo pequeño ni fuerza desdeñable, porque ya no hay pueblos aislados. Como establece la Segunda Declaración de La Habana: «Ningún pueblo de América Latina es débil, porque forma parte de una familia de doscientos millones de hermanos que padecen las mismas miserias, albergan los mismos sentimientos, tienen el mismo enemigo, sueñan todos un mismo mejor destino y cuentan con la solidaridad de todos los hombres y mujeres honrados del mundo.
Esta epopeya que tenemos delante la van a escribir las masas hambrientas de indios, de campesinos sin tierra, de obreros explotados; la van a escribir las masas progresistas, los intelectuales honestos y brillantes que tanto abundan en nuestras sufridas tierras de América Latina. Lucha en masas y de ideas, epopeya que llevarán adelante nuestros pueblos maltratados y despreciados por el imperialismo, nuestros pueblos desconocidos hasta hoy, que ya empiezan a quitarle el sueño. Nos consideraban rebaño impotente y sumiso y ya se empieza a asustar de ese rebaño, rebaño gigante de doscientos millones de latinoamericanos en los que advierte ya sus sepultureros el capital monopolista yanqui.
La hora de su reivindicación, la hora que ella misma se ha elegido, la vienen señalando con precisión también de un extremo a otro del Continente. Ahora esta masa anónima, esta América de color, sombría, taciturna, que canta en todo el Continente con una misma tristeza y desengaño, ahora esta masa es la que empieza a entrar definitivamente en su propia historia, la empieza a escribir con su sangre, la empieza a sufrir y a morir, porque ahora los campos y las montañas de América, por las faldas de sus sierras, por sus llanuras y sus selvas, entre la soledad o el tráfico de las ciudades, en las costas de los grandes océanos y ríos, se empieza a estremecer este mundo lleno de corazones con los puños calientes de deseos de morir por lo suyo, de conquistar sus derechos casi quinientos años burlados por unos y por otros. Ahora sí la historia tendrá que contar con los pobres de América, con los explotados y vilipendiados, que han decidido empezar a escribir ellos mismos, para siempre, su historia. Ya se los ve por los caminos un día y otro, a pie, en marchas sin término de cientos de kilómetros, para llegar hasta los «olimpos» gobernantes a recabar sus derechos. Ya se les ve, armados de piedras, de palos, de machetes, en un lado y otro, cada día, ocupando las tierras, afincando sus garfios en las tierras que les pertenecen y defendiéndolas con sus vidas; se les ve, llevando sus cartelones, sus banderas, sus consignas; haciéndolas correr en el viento, por entre las montañas o a lo largo de los llanos. Y esa ola de estremecido rencor, de justicia reclamada, de derecho pisoteado, que se empieza a levantar por entre las tierras de Latinoamérica, esa ola ya no parará más. Esa ola irá creciendo cada día que pase. Porque esa ola la forman los más, los mayoritarios en todos los aspectos, los que acumulan con su trabajo las riquezas, crean los valores, hacen andar las ruedas de la historia y que ahora despiertan del largo sueño embrutecedor a que los sometieron.
Porque esta gran humanidad ha dicho "¡Basta!" y ha echado a andar. Y su marcha, de gigantes, ya no se detendrá hasta conquistar la verdadera independencia, por la que ya han muerto más de una vez inútilmente. Ahora, en todo caso, los que mueran, morirán como los de Cuba, los de Playa Girón, morirán por su única, verdadera e irrenunciable independencia.»
Todo eso, Señores Delegados, esta disposición nueva de un continente, de América, está plasmada y resumida en el grito que, día a día, nuestras masas proclaman como expresión irrefutable de su decisión de lucha, paralizando la mano armada del invasor. Proclama que cuenta con la comprensión y el apoyo de todos los pueblos del mundo y especialmente, del campo socialista, encabezado por la Unión Soviética.
Esa proclama es: Patria o muerte. »
FONTE: Periódico Revolución, 12 de diciembre de 1964

domingo, 25 de agosto de 2013

BLOCO DE LESTE

Ontem morreu Alexander Donner. Aproveitei para fazer uma pesquisa na internet sobre ele e as suas origens. Dessa pesquisa resultou esta entrevista que apresenta o testemunho de três atletas que desenvolveram atividade profissional aqui em Portugal e nos seus países de origem.
Conhecer a vida para além do antigo muro de Berlim, antes da sua queda, é algo que me seduz  incomensuravelmente. Assim, transcrevo uma entrevista com o testemunho pessoal de três atletas que têm a experiência de vida do lado de cá e do lado lá, antes e depois da queda do Muro de Berlim. Pareceu-me muito interessante.

«Suplemento de Domingo: Ion Timofte, Alexander Donner e Svetlana Kabelevskaia recordam antigo bloco de Leste
ATLETAS ERAM MAIS FORTES MAS A SUA VIDA CONTROLADA

A COMEMORAÇÃO do décimo aniversário da queda do Muro de Berlim foi pretexto para juntar três figuras de proa do desporto em Portugal, nas suas respectivas modalidades, oriundos da Europa de Leste: o futebolista romeno Ion Timofte, o treinador ucraniano de andebol do ABC, de Braga, e ex-seleccionador nacional, Alexander Donner, e a voleibolista russa Svetlana Kabelevskaia, que representa uma das melhores equipas nacionais, a Senhora da Hora. A ideia era pô-los a falar sobre o desporto na Europa de Leste antes da queda do Muro de Berlim e da derrocada do sistema socialista e contarem-nos as suas experiências.


A conversa fluiu com naturalidade perante a qualidade dos interlocutores. Timofte exprime-se melhor na língua de Camões que a maioria dos seus colegas de profissão portugueses; Svetlana, casada com um português e à espera do deferimento para o pedido de naturalização que formulou de forma a poder representar a selecção portuguesa, idem aspas; Donner, um anti-estalinista e anti-Gorbatchov convicto, não tem a mesma fluência, mas é uma personalidade interessantíssima, de outra geração, com uma vivência muito rica, da qual nos revelou algumas facetas, que por falta de espaço não pudemos reproduzir nestas páginas. Aliás, o treinador do ABC foi uma surpresa na medida em que nos tinham alertado para o seu feitio sisudo e impenetrável e acabou por se revelar uma pessoa aberta, com um sentido de humor subtil, e um jeito particular para contar anedotas...


Entre os três, a curiosidade de terem vindo para Portugal no mesmo ano, em 1991. Uma coincidência. Apesar da sua avó materna ser russa, Timofte não conseguia comunicar com Svetlana e Donner nessa língua, dada a origem latina do romeno, pelo que o fez sempre em bom português. Pena foi que o espaço tivesse sido escasso para contar outras experiências dos nossos convidados e dar a conhecer a estrutura em que assentava o desporto no Bloco de Leste em termos do acesso da população à prática desportiva.


RECORD - Como é que funcionava, em linhas gerais, o modelo base sobre o qual assentava o desporto de alta competição no antigo Bloco de Leste e que tão bons resultados desportivos proporcionou durante anos a fio?


ION TIMOFTE - Diziam que havia um modelo amador, mas era totalmente profissional. Os clubes eram das câmaras municipais e quem mandava era o partido, que tinha representantes em cada cidade, em cada região. Os dirigentes dos clubes eram, também, nomeados pelo partido. Quem quisesse subir na hierarquia, em qualquer actividade, tinha de pertencer ao partido. Dou-lhe um exemplo: num plantel de vinte jogadores de um clube, dois ou três eram empregados da EDP, outros da Companhia das Águas e por aí fora. Eram distribuídos por empresas ou departamentos do Estado. Havia como que um entendimento: o chefe do partido nessa região ou cidade ia ter com o presidente de uma empresa e dizia-lhe que precisava que dois ou três jogadores se tornassem empregados dessa empresa e que esta lhes pagasse ao fim do mês. Realmente os jogadores iam lá receber o ordenado, mas só lá punham os pés no fim do mês. Só os prémios eram pagos pelo clube. Eles diziam que os jogadores eram amadores, que tinham os seus empregos, mas a verdade é que só jogavam à bola e eram totalmente profissionais. Havia alguns que estudavam...


ALEXANDER DONNER - E outros eram militares, até havia coronéis...


I. T. - Não sei se na Rússia era como na Roménia...


SVETLANA KABELEVSKAIA - Por exemplo, uma atleta que fosse sargento e ganhasse uma competição importante era promovida a uma patente superior...


I. T. - Na Roménia havia o Dínamo, que era o clube da polícia, e o Steaua, que era o clube do exército. Quem mandava era o ministro das Internas - o correspondente cá ao ministro da Administração Interna. Todos os jogadores que iam para o Dínamo tinham logo a patente de tenente e depois eram promovidos consoante o peso que tinham na equipa e os títulos que ganhavam. Por exemplo, se um jogador do Dínamo era mandado parar pela polícia de trânsito, apresentava um cartão que tinha e ainda o cumprimentavam e pediam desculpa pelo incómodo. (risos) Um jogador jovem que brilhasse num clube pequeno e que despertasse o interesse do Steaua, era logo contratado porque lhe prometiam livrar da tropa, que era uma vida dura.


A. D. - Na União Soviética a rivalidade era grande entre o Dínamo de Moscovo, que era o clube da polícia, e o CSKA de Moscovo, que era o clube central do exército, porque havia outros CSKA's...


GANHAR ACIMA DA MÉDIA


I. T. - [metendo a colher no futebol soviético] Por exemplo, quando jogava o CSKA de Moscovo contra o CSKA de Leninegrado era obrigatório ganhar o de Moscovo...


A. D. [acusando o toque] Na Roménia era a mesma coisa com o Steaua e o Dínamo...


I. T. - Sim, sim, por isso é que eram sempre as duas melhores equipas... Se um jogador, mesmo já credenciado, recusasse ir para o Dínamo pagava um preço alto por isso. Lembro-me de um caso de um jogador que não quis ir para o Dínamo. O pai desse jogador tinha um pequeno negócio e eles chegaram ao cúmulo de enviar a polícia económica para o prender, alegando que não tinha os papéis em ordem, para obrigar o filho a ir jogar para o Dínamo.


I. T. - Quem pagava era o partido. Os melhores jogadores ganhavam um pouco mais do que os outros, por isso eram colocados em cargos superiores no emprego para justificar os melhores ordenados que lhes pagavam.


R. - Quer dizer que o craque da equipa podia ser o presidente da empresa...


I. T. - Lembro-me que um ano antes da revolução, estava na I Divisão, pelo Timisoara, e ganhava muito acima da média, melhor do que um engenheiro ou um médico... Dava para ter uma boa vida...


R. - Qual era o salário médio de um futebolista romeno?


I. T. - Tinha meses em que... Bem, ganhava em função dos resultados, as vitórias davam direito a prémio, embora não fossem muito elevados.


R. - Pode atirar um número só para ter uma ideia?


I. T. - Em moeda portuguesa?!... Não posso fazer...


S. K. - (rindo-se) Não dá...


I. T. - Não dá, não, porque eram outros tempos, não havia inflação...


A. D. - Só dá comparando com um engenheiro ou um médico...


S. K. - Na Rússia os médicos ganhavam muito mal... e hoje é a mesma coisa... Quando jogava no Dínamo de Moscovo, lembro-me que nós, atletas, não sabíamos quanto iríamos receber no fim do mês. Eu também era muito novinha, tinha 19 anos... Diziam, por exemplo, que eu ia ganhar 100 rublos por mês e depois não era assim. A disciplina era muito rigorosa e durante os treinos não podíamos falar, não podíamos rir. Se o fizéssemos, éramos multados, por exemplo, em dez rublos, descontados depois no ordenado.


I. T. - Metiam ao bolso...


S. K. - Pois metiam... E hoje em dia acontece o seguinte: a um atleta que sai para o estrangeiro dizem-lhe que vai ganhar xis e depois uma parte vai para o treinador, outra para o clube. Sei disso porque tenho colegas a quem isso aconteceu não há muito tempo.


R. - Não sei que a Svetlana era de rir e falar nos treinos, mas, mesmo com os descontos, quanto é que lhe sobrava para viver?


S. K. - Ganhava mais do dobro que a minha mãe, que era médica...


R. - Também tinha um emprego fictício?


S. K. - Não tinha emprego, mas frequentava a universidade. Frequentava... é uma maneira de dizer. Treinava duas, e às vezes três vezes por dia, não sobrava tempo para estudar. Quando tinha um exame, facilitavam, não o ia fazer, mas no fim do ano passava.


CARROS NOVOS E USADOS


R. - Como é que surgiu a oportunidade de jogar em Portugal?


S. K. - Através do meu treinador, que era muito amigo do presidente da Federação Russa. Nessa altura jogava noutra equipa, o Mopi, e ganhámos os Jogos Universitários, em 1990, que era um competição de prestígio na Rússia...


A. D. - Eu sou do século dezanove... (gargalhada geral)


S. K. - O clube vivia com dificuldades e o treinador disse-me que ia jogar um ano para Portugal e que cerca de metade do ordenado que ia ganhar seria para mim, e a outra metade para ele e para a equipa. Vim e acabei por ficar - já cá estou há oito anos...


A. D. - Comecei a praticar desporto, não no século dezanove, e como quase todos da geração que nasceu depois da II Guerra, crescemos na rua e fomos atraídos para modalidades como o boxe e lutas de vários tipos, que pratiquei bastante, mas no fim acabei por optar pelo andebol. Aquela geração praticava desporto mais por gosto do que por dinheiro. Naquela altura o desporto era a única forma de um jovem, que não fosse filho de uma família de um funcionário do partido ou de um engenheiro famoso, subir na vida [o meu pai era "chauffer"] e conhecer o mundo. Sabíamos que havia a Europa, a América e sonhávamos em lá ir e ver como era... Como atleta ganhei uma miséria, o que ganhava um sargento do exército que eu era, um falso sargento. Até menos que o meu pai. Mas havia uma diferença. O meu pai tinha mulher e três filhos e vivíamos num T0, eu dormia com o meu irmão na cozinha e a minha irmã com os pais no único quarto. E podíamos considerar-nos uma família feliz porque muitas outras não tinham sequer isso. Naquele tempo era o Estado que oferecia os apartamentos, não se podia comprar. O meu pai, como trabalhador, esperou dezoito anos por esse apartamento. Eu, como atleta, ao fim de dois anos casei e deram-me um T0. Outra vantagem dos atletas: para comprar carro qualquer pessoa na União Soviética, mesmo que tivesse dinheiro, tinha de esperar anos.


I. T. - Qual era o carro? O “Volga”?


A. D. - “Volga” era só para campeões dos Jogos Olímpicos... As coisas funcionavam assim: se ganhássemos um campeonato da União Soviética não pagavam prémios, mas o General não sei quantos passava-nos um papel a autorizar que este e aquele atleta podiam comprar um carro. Com o dinheiro que eu ganhava não precisava de carro, mas essa compra ia render-me mais tarde. A União Soviética era o único país no mundo onde um carro usado valia cinco vezes mais do que um carro novo... Porque para comprar um novo tinha de se esperar anos e anos e um usado podia ser logo utilizado. Até faziam "bicha" para comprar um usado...


JOGAR COM DEDOS PARTIDOS


R. - Quer dizer que havia um controlo absoluto das autoridades sobre a vida pessoal e desportiva dos atletas...


A. D. - Lá um treinador era Deus...


I. T. - Não havia respeito, mas sim medo...


A. D. - Se o treinador dizia não, acabava a conversa... Imagine que o ABC ia jogar a França e um dos atletas não andava a treinar em condições... Eu dizia-lhe: não vais a Paris! Qual é o problema para ele? Lá, naquela altura, imagine o que era o treinador chegar ao pé de um jogador e dizer-lhe que já não ia Paris... Era uma tragédia! Primeiro porque era a única hipótese de atravessar a fronteira, segundo porque num torneio no estrangeiro, um atleta ganhava mais do que num ano no clube. Por isso é que muitos futebolistas e atletas de bom nível que jogam na Rússia chegam a Portugal e se perdem. Não estão habituados a trabalhar assim, sem ninguém a controlar.


I. T. - Antes de 1989 só fiz uma viagem ao estrangeiro, à República Checa, pelo Timisoara. Não tínhamos passaporte individual, havia uma tabela com os nomes que era controlada por agentes da polícia secreta que vinham na comitiva para vigiar os jogadores. Nessa viagem parámos duas a três horas em Budapeste e dois colegas meus fugiram com a ajuda de uns amigos da Alemanha. Não queira saber o que passámos, os outros que ficaram, nessa semana, foram massacrados com interrogatórios.


R. - Acalentava, também, o sonho de dar o salto para o Ocidente?


I. T. - O futebol profissional para mim aparece por acaso. Era um bom aluno e o meu sonho era tirar o curso universitário. Jogava num pequeno clube, da II Divisão B de lá, fiz um campeonato bom e o Timisoara, que é o clube do meu coração e não o Boavista (risos), foi buscar-me. A partir daí comecei a dar nas vistas, cheguei à selecção e vi que o futebol podia ser o meu futuro. Se não fosse isso, seria hoje, provavelmente, um anónimo professor de educação física na Roménia.


R. - Se vos pedisse que apontassem as virtudes e os defeitos do modelo que existia na URSS em relação ao desporto de alta competição, o que diriam?


S. K. - Um aspecto positivo desse modelo era a noção muito clara que os jovens tinham de que para subir na vida era preciso fazer sacrifícios e ter um carácter forte. Penso que isso nos ajudava muito a vencer na competição... Como coisa negativa eu diria a forma como éramos vistos e tratados, como se fossemos máquinas... Hoje as coisas já não são assim, mas lembro-me que a primeira vez que fui à Bulgária jogar, pelo Dínamo, houve uma reunião com pessoas do KGB que depois seguiram na viagem e que nos deram instruções muito claras que não podíamos falar ou contactar com ninguém de fora, nem sequer olhar...


A. D. - Em termos de desporto de alta competição acho que as coisas funcionavam melhor lá do que cá, no Ocidente. Quando cá cheguei disseram-me logo: os portugueses, coitadinhos, não podem ficar longe da família mais de duas semanas, e outras conversas desse género. É ridículo e não aceito isso. A minha primeira viagem fora do país, como atleta, foi à Jordânia e também fomos acompanhados por um agente do KGB, que foi substituir o nosso treinador adjunto, e que obrigou o dono do hotel a retirar todos os televisores dos quartos. Para não sermos seduzidos... Mas, por outro lado, o espírito dos atletas do Leste da Europa era muito mais forte. Parti quatro vezes os dedos da mão [mostrando as sequelas dessas fracturas], mas nunca pedi a nenhum médico para faltar a um jogo por causa de um dedo partido. Ninguém me perceberia, nem o treinador nem os companheiros. Tinha de pôr uma ligadura e ir jogar. Uma vez joguei com uma costela partida, com uma esponja no peito que parecia a Marilyn Monroe... (ri-se) E era guarda-redes...


PROPAGANDA DO REGIME?


R. - Consideram que todo esse investimento do regime comunista no desporto servia como forma de propaganda e instrumento para desviar as atenções da população para a falta de liberdade e para os problemas sociais?


S. K. - Penso que sim...


A. D. - A verdade é que o alto nível que o Desporto atingiu foi muito mais importante para a população. Os sucessos desportivos faziam esquecer o nível de vida, o pouco dinheiro para comprar comida, sapatos, etc. Era o orgulho nacional em causa e que foi importante na época da guerra fria. Desporto e o exército eram as duas áreas onde o Governo ou o regime mais investiam (...) Até aos 30 anos acreditei em toda aquela propaganda, não tenho vergonha de dizer isto. Que éramos melhores, que estávamos a ajudar metade do mundo, da África à Nicarágua e ao Vietname. Eu era militar, participei na entrada das tropas russas na Checoslováquia e mais tarde quis oferecer-me como voluntário para a guerra do Afeganistão. Mas não me deixaram porque já tinha ultrapassado o limite da idade, tinha acabado nessa altura a carreira de jogador. Acreditei naquilo que lia nos jornais e ouvia e via nas rádios e na televisão, que nós tentávamos salvar o pobre povo do Afeganistão, que não podíamos passar a fronteira porque apareciam dezenas de agentes da CIA, que só devíamos andar acompanhados, etc., e quando comecei a sair para o estrangeiro com o andebol verifiquei que, afinal, ninguém vinha ter comigo... Além disso, lia muito, tinha uma biblioteca grande, com alguns livros proibidos na URSS, de Soljenine, por exemplo, que comprava lá fora, e se fosse apanhado ia preso (...) Quando vim para Portugal pensei: vou trabalhar dois anos, ganhar dinheiro e regressar para ter uma boa vida. Quem trabalhava fora garantia o futuro. Mas, entretanto, o Estado desmoronou-se e tudo o que ganhei cá não dá para comprar um apartamento lá. Infelizmente, não sou treinador de futebol...


R. - Como é que justificam a perda de competitividade do desporto dos países de Leste europeu desde a falência do sistema socialista?


A. D. - Não vou discutir com a Svetlana [que tinha acabado de referir que o voleibol na Rússia hoje está melhor do que estava na ex-URSS]. Mas pergunto: quem é hoje o campeão europeu de clubes de voleibol, masculino e feminino? Não é a Rússia, pois não!?, e antes era. Acho que piorou e vai piorar mais. Hoje um atleta de vólei ou outra modalidade da I Divisão na Rússia ganha muito mais do que qualquer outra pessoa. Mas o nível desse atleta, comparando com outro de há dez, quinze anos atrás, não tenho dúvidas que este era muito mais forte do que aquele. Antes os russos ganhavam, até no voleibol, os JO, os campeonatos do mundo... No andebol a selecção russa actual joga com "dinossauros", atletas de 35, 36 anos, e os novos valores são cada vez menos. Só que a Rússia é um país imenso e sempre aparecem dez ou quinze bons, mesmo que ninguém trabalhe a sério com eles. Comparando: Portugal tem um campeonato de andebol com mais força que a Rússia. Quem pensaria há dez anos que isso fosse possível?


S. K. - No voleibol a melhor equipa portuguesa só pode jogar na II Divisão da Rússia (...) Concordo com o que disse o sr. Donner, mas o voleibol na Rússia é hoje um caso à parte (...)


I. T. - Antes o desporto era fomentado ao nível do Estado, em particular o futebol. Hoje se este vai sobrevivendo, as outras modalidades, em algumas das quais a Roménia era uma potência mundial, como o andebol, podem desaparecer de um dia para outro. Não sabem se no fim-de-semana seguinte há dinheiro para pagar uma viagem.


«DOPING» NO DESPORTO DOS PAÍSES DE LESTE


A.D. - Na minha altura não existia “doping”. Infelizmente, nos últimos anos é que a Rússia e as outras repúblicas começaram, com um atraso de muitos anos, a sofrer os efeitos das drogas, da revolução sexual... O único “doping” no desporto que havia era o vodka... (gargalhada) Aliás, nós nem médico tínhamos nos clubes da I Divisão, como é que podíamos sequer pensar em “doping” (...) Na antiga RDA era diferente. Eu na altura estudei no mesmo curso de andebol com um alemão, que me contou algumas coisas a esse respeito. Ele tinha um caderno com informações que nunca dava a ler a ninguém, com um carimbo de "top-secret". Depois da II Guerra, muitos campos de concentração foram tomados pelas tropas russas e mais tarde passaram para a responsabilidade da Alemanha Democrática. E nesses campos havia muitas informações e dados sobre experiências médicas com prisioneiros, acerca da resistência do organismo humano a determinadas substâncias dopantes e os seus efeitos, resistência a cargas físicas, etc. Eles aproveitaram todo esse conhecimento aplicando-o no desporto, sobretudo em determinadas modalidades, sobretudo no atletismo e na natação.


S.K. - Eu era muito jovem, mas nunca me apercebi de alguma coisa que me levasse a suspeitar na existência de “doping”. Pelo menos, no voleibol feminino não havia de certeza...


I.T. - No futebol romeno também arrisco a dizer que não. Era difícil haver “doping” sem que os jogadores se apercebessem. Além disso, essa substâncias dopantes deveriam ser muito caras e dinheiro era coisa que não abundava na Roménia.


QUEDA DO MURO DE BERLIM


I.T. -- Provocou um sentimento geral de esperança. Tive logo a percepção que ia haver uma mudança radical, a vários níveis, sobretudo da liberdade de movimentos e de expressão. E houve. Só que as pessoas continuaram a viver tão mal ou pior, o seu nível de vida degradou-se (...) No desporto profissional, os clubes começaram a ter graves problemas económicos e deixaram extinguir várias modalidades para sobreviverem. No futebol a corrupção tomou conta da sua estrutura. Os resultados são falsificados. Antes da queda do Muro, quando se jogava com um clube mais forte, o delegado do partido falava com o treinador e este com o capitão, para ordenar que deixássemos ganhar o adversário. Aconteceu comigo quando estava no Timisoara. Não tínhamos como deixar de cumprir a ordem, embora nos custasse bastante. E nada transpirava cá para fora. Hoje em dia são os arranjos e as combinações que fazem lei no futebol romeno. Por isso é que o público deixou de ir aos jogos porque o descrédito é total. (...) Só a selecção é sagrada e mantém um bom nível porque a "geração de ouro", como é chamada na Roménia, saiu quase toda ao mesmo tempo para o estrangeiro, para bons clubes e campeonatos competitivos. Aliás, o actual seleccionador, Piturca, tentou o ano passado uma aposta na juventude, mas os resultados foram maus e tiveram de recorrer outra vez ao Hagi, ao Sabau e outros mais.


A.D. -- As mudanças no sistema na União Soviética, incluindo na área do Desporto, começaram antes da queda do Muro de Berlim, com a ascensão de Gorbatchov ao Poder. Foi um terramoto. Ele conseguiu destruir tudo em pouco tempo. Reconheço o mérito e o talento dele (risos). O que há hoje na Rússia não sei o que é. Há quem diga que é capitalismo, mas se é, é um capitalismo selvagem! Tudo piorou. Tenho três filhos, dois deles no desemprego (...) Não estou a dizer que o sistema anterior era um modelo de virtudes, longe disso. Nunca fui comunista. A “cortina de ferro” isolou-nos do mundo e deixou as pessoas "cegas". A censura que existia, enfim... havia muitas coisas más, mas, também, muitas coisas boas... Acho que o fomento do Desporto não deve estar nas mãos de “sponsors”, mas sim do Estado, a quem tem de caber a planificação e gestão. Aliás, os resultados alcançados pelos países de Leste nas grandes competições internacionais antes e depois do colapso do sistema comunista falam por si. A queda do Muro foi um símbolo e, se bem que eu, pessoalmente, não alimentasse muitas esperanças, havia um sentimento geral de que as coisas iriam melhorar. Mas ao fim de dois anos a ouvir diariamente Gorbatchov, percebi que era só treta... Nem ele próprio sabia o que tinha iniciado nem como ia acabar...


JOÃO CARTAXANA»

FONTE: Record

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

WILLIE TOLEDO

«Primera entrevista en video de Willie Toledo desde La Habana: `Carromero es el agente secreto más estúpido de la Historia: le enviaron a Cuba a financiar a los disidentes y acabó matándolos´

"Tras conocer que me venía a vivir a Cuba, los directores de algunos diarios españoles ordenaron a sus mercenarios inventar estupideces como que en la Isla iba a tener mayordomo, piscina y chofer", nos dice este artista y activista social. Un trabajo para Cubainformación TV de David Rodríguez, de la Asociación valenciana de amistad con Cuba "José Martí", con el apoyo de Iroel Sánchez, del blog "La pupila insomne", y el ICAP (Instituto Cubano de Amistad con los Pueblos). Cartas desde Cuba ¿Regresan los españoles a Cuba? Fernando Ravsberg - BBC Mundo.- El actor español Willy Toledo asegura que en La Habana "he encontrado la ciudad más hermosa del mundo para pasear y la más segura de todas las que conozco con diferencia". "Cada vez que defendía a la Revolución cubana me respondían: si tanto te gusta por qué no te vas a vivir allí", me cuenta el actor español Willy Toledo y agrega: "ahora que me mudé para Cuba están más histéricos porque se quedaron sin discurso". A pesar de que algunos periódicos españoles aseguran que habita en una mansión, lo cierto es que vive en un barrio de cubanos, en un modesto apartamento alquilado al que no le vendrían mal algunos muebles más y una mano de pintura. "No necesito más. Tengo mi cama, mi cocina y mi baño, y mis libros y con eso voy tirando, no echo de menos cosas materiales. A la gente sí, y a mi ciudad. Yo he nacido y vivido en Madrid toda mi vida y le tengo mucho cariño a pesar de que se haya convertido en una ciudad bastante invivible". La derecha española lo acusa de tener privilegios sobre los cubanos, pero lo cierto es que también en su país vivía mejor que la mayoría porque nació en una familia acomodada y además ganó mucho como actor. "Claro que entonces nadie me lo cuestionaba", me dice con una sonrisa. Reconoce que en Cuba tener dinero puede abrir ciertas puertas y dar acceso a algunas comodidades pero no a todas. Vuelve a reír cuando me cuenta que, "te puedes pasar días buscando una sartén y no la encuentras por muchos euros que tengas". Se siente mejor en esta Cuba que en la del turista. "Me está gustando mucho más vivir La Habana en el día a día, ir al cine, al teatro, a conciertos, a comer a casa de gentes. (Ahora) tengo tiempo para leer, que en Madrid no lo tenía y me lo estoy leyendo todo". Le recuerdo que su ciudad es "la capital de la marcha" y le pregunto cómo se adapta a la tranquilidad de Cuba. Me responde que ahora sus juergas se reducen a comprar de vez en cuando una botellita e "ir a casa de un amigo o al malecón a hacer botellón". Además en La Habana "hay mucha vida, todos los días hay cosas que hacer. Echo de menos una Guía del Ocio, como allá en Madrid, (…) pero al final siempre me entero, de hecho no tengo tiempo para ir a todas las cosas que me gustaría". Al parecer no le está costando integrarse, en realidad "es bastante fácil, yo he viajado por todo Latinoamérica (…) y creo que los cubanos son los más parecidos a los españoles, en la manera de hablar, en el sentido del humor, en la manera de relacionarse". Visita poco La Habana Vieja porque lo tratan como a un turista, pero "me encanta ir al puestecito de al lado de mi apartamento a tomarme un juguito por la mañana y al de en frente para comerme un pan con tortilla o sentarme en las terrazas donde se sientan los cubanos". Me asegura que ni siquiera tiene problemas con la cocina nacional, "a mí me gusta mucho la comida criolla, siempre me ha gustado, no solo la cubana, sino la de todo el caribe. Lo que más me gusta es el arroz con lo cual aquí voy sobrado… ja, ja". Más allá de sus conocidas simpatías por la Revolución Cubana, el actor confiesa que ha descubierto el encanto de La Habana. "Aquí he encontrado la ciudad más hermosa del mundo para pasear y la más segura de todas las que conozco con diferencia". Willy puede ser el más famoso pero no es el único europeo que emigra a Cuba. A pocas cuadras de donde vivo llegó otro, casado con una cubana. Acaban de comprar una casita con el dinero de la venta de un negocio que apenas les daba para sobrevivir. Años atrás su esposa había obtenido la residencia en la "Madre Patria" por estar casada con un español. Paradójicamente ahora es él quien aprovecha su matrimonio para residir en la isla, donde puede vivir mejor con mucho menos dinero. Hace apenas unos días estuve almorzando raviolis caseros con un italiano cuya esposa cubana se repatrió para pasar en la isla la crisis europea. Aprovechando las reformas, planean crear una cooperativa para vender pastas frescas en La Habana. Pero lograr la residencia en Cuba no es nada fácil, el inmigrante debe estar casado con alguien de nacionalidad cubana o ser contratado por una empresa que opere en la isla y, aun así, muchos vivimos por décadas con un permiso temporal que se debe renovar cada año.»
FONTE: cubainformación

domingo, 18 de agosto de 2013

MONIKA ERTL

«La Mujer que vengó al Che: Mónica Ertl

venganza, ningún camino es largo…

En Hamburgo, Alemania, eran las diez menos veinte de la mañana del 1 de abril de 1971. Una bella y elegante mujer de profundos ojos color de cielo entra en la oficina del cónsul de Bolivia y, espera pacientemente ser atendida. Mientras hace antesala, mira indiferente los cuadros que adornan la oficina. Roberto Quintanilla, cónsul boliviano, vestido elegantemente de traje oscuro de lana, aparece en la oficina y saluda impactado por la belleza de esa mujer que dice ser la australiana, y quien días antes le había pedido una entrevista. Por un instante fugaz, ambos se encuentran frente a frente.
 La venganza aparece encarnada en un rostro femenino muy atractivo. La mujer, de belleza exuberante lo mira fijamente a los ojos y sin mediar palabras extrae un revolver y dispara tres veces. No hubo resistencia, ni forcejeo, ni lucha. Los impactos dieron en el blanco. En su huida, dejó atrás una peluca, su bolso, su Colt Cobra 38 Special, y un trozo de papel donde se leía ‘Victoria o muerte. ELN’.
 
 ¿Quién era esta audaz mujer y por qué habría asesinado a “Toto” Quintanilla?
 
En la milicia guevarista había una mujer que se hacia llamar “Imilla” cuyo significado en lengua quechua y aimara es Niña o joven indígena (ahora considerado un insulto en Bolivia). Su nombre de pila: Mónica (Monika) Ertl. Alemana de nacimiento que había realizado un viaje de once mil kilómetros desde la perdida Bolivia con el único propósito de asesinar a un hombre, el personaje más odiado por la izquierda mundial: Roberto Quintanilla Pereira.
 
Ella, a partir de ese momento, se convirtió en la mujer más buscada del mundo. Acaparó las portadas de los diarios de toda América. Pero ¿cuáles eran sus razones y cuáles sus orígenes?
 
Retornemos al 3 de marzo de 1950, fecha en la que Mónica había llegado a Bolivia con Hans Ertl -su padre- a través de lo que sería conocida como “la ruta de las ratas” , sendero que facilitó la huida de miembros del régimen nazi hacia Sudamérica al finalizar el conflicto armado más grande y sangriento de la historia universal: la II Guerra Mundial.
La historia de Mónica pudo ser narrada con grandes pasajes gracias a la investigación de Jürgen Schreiber. La que yo le presento es apenas un pincelazo de ésta apasionante historia que involucra muchos sentimientos y personajes.
Hans Ertl (Alemania, 1908-Bolivia, 2000) alpinista, innovador de técnicas submarinas, explorador, escritor, inventor y materializador de sueños, agricultor, converso ideológico, cineasta, antropólogo y etnógrafo aficionado. Muy pronto alcanzó notoriedad al retratar a los dirigentes del partido nacionalsocialista cuando filmaba la majestuosidad, la estética corporal y las destrezas atléticas de los participantes en los Juegos Olímpicos de Berlín (1936), bajo la dirección de la cineasta Leni Riefenstahl quien glorificó a los nazis.
Sin embargo, tuvo el infortunio de ser reconocido para la historia (y su posterior desgracia), como “el fotógrafo de Adolfo Hitler”, aunque el iconógrafo oficial del Führer haya sido Heinrich Hoffman del escuadrón de defensa. Citan algunas fuentes que Hans estaba asignado para documentar las zonas de acción del regimiento del famoso mariscal de campo, apodado el “Zorro del Desierto” Erwin Rommel, en sus travesía por Tobruk, África. Como dato curioso, Hans no perteneció al partido nazi pero, a pesar de que aborrecía la guerra, exhibía con orgullo la chaqueta diseñada por Hugo Boss para el ejército alemán, como símbolo de sus gestas de otrora, y su garbo ario. Detestaba que lo llamaran “nazi”, no tenia nada contra ellos, pero tampoco contra los judíos.
Por irónico que parezca fue otra víctima de la Schutzstaffel. Al término la Segunda Guerra Mundial, cuando el Tercer Reich se derrumbó, los jerarcas, colaboradores y allegados al régimen nazi huyeron de la justicia europea refugiándose en diversos países, entre ellos, los del continente americano con el beneplácito de sus respectivos gobiernos y el apoyo incondicional de Estados Unidos. Se dice que era una persona muy pacífica y no tenía enemigos, así que optó por quedarse en Alemania un tiempo trabajando en asignaciones menores a su status, hasta que emigró con su familia. Primeramente a Chile, en el austral archipiélago de Juan Fernández, “fascinante paraíso perdido”, donde realizó el documental Robinson (1950), antes que otros proyectos.
 
Después de un largo viaje, Ertl se establece en 1951 en Chiquitania, a 100 kilómetros de la ciudad de Santa Cruz. Hasta ahí llegó para instalarse en las prósperas y vírgenes tierras cual conquistador del siglo XV, entre la espesa e intrincada vegetación brasileño-boliviana. Una propiedad de 3.000 hectáreas donde construiría con sus propias manos y materia autóctona lo que fue su hogar hasta sus últimos días; “La Dolorida”. El vagabundo de la montaña, como era conocido por los exploradores y científicos, deambulaba con su pasado a cuestas, por la inmensa naturaleza con la visión ávida de desentrañar y capturar con su lente todo lo percibido de su entorno mágico en Bolivia al tiempo que comenzaba una nueva vida acompañado de su esposa y sus hijas. La mayor se llamaba Mónica, tenia 15 años cuando dio lugar el exilio y, aquí empieza su historia… 
 
Mónica había vivido su niñez en medio de la efervescencia del nazismo de Alemania y cuando emigraron a Bolivia aprendió el arte de su padre lo que le valió para trabajar después con el documentalista boliviano Jorge Ruiz. Hans realizó en Bolivia varios filmes (Paitití y Hito Hito) y trasmitió a Mónica la pasión por la fotografía. Por cierto, fácilmente podemos reclamarla como mujer pionera de las realizadoras de documentales en la historia del séptimo arte. Mónica se crió en un círculo tan cerrado como racista, en el que brillaban tanto su padre como otro siniestro personaje al que ella se acostumbró a llamar con cariño “El tío Klaus”. Un empresario germano (seudónimo de Klaus Barbie (1913-1991) y ex jefe de la Gestapo en Lyon, Francia) mejor conocido como el “Carnicero de Lyon”. Klaus Barbie, cambiaría su apellido por “Altmann” antes de involucrarse con la familia Ertl. En el estrecho círculo de personalidades en La Paz, donde este hombre ganó suficiente confianza de tal forma que, el propio padre de Mónica, fue quien lo introdujo, incluso, le consiguió su primer empleo en Bolivia como ciudadano Judío Alemán, de quien se dice asesoro dictaduras sudamericanas.
 
La celebre protagonista de esta historia, se casó con otro alemán en La Paz y vivió en las minas de cobre en el norte de Chile pero, luego de diez años, su matrimonio fracasó y ella se convirtió en una política activa que apoyó causas nobles. Entre otras cosas ayudó a fundar un hogar para huérfanos en La Paz, ahora convertido en hospital. Vivió en un mundo extremo rodeada de viejos lobos torturadores nazis. Cualquier indicio perturbador no le resultaba extraño. Sin embargo, la muerte del guerrillero argentino Ernesto Che Guevara en la selva boliviana (Octubre de 1967) había significado para ella el empujón final para sus ideales. Mónica -según su hermana Beatriz-, “adoraba al “Che” como si fuera un Dios”.
 
A raíz de esto, la relación padre e hija fue difícil por la combinación: ese fanatismo adherido a un espíritu subversivo; quizá factores detonantes que generaron una postura combativa, idealista, perseverante. Su padre fue el más sorprendido y, muy a su pesar, la echó de la granja. Quizás ese desafío produjo en él cierta metamorfosis ideológica en los años 60, hasta convertirse en colaborador y defensor indirecto de los izquierdistas en Sudamérica. “Mónica fue su hija favorita, mi padre era muy frío hacia nosotros y ella parecía ser a la única que amaba. Mi padre nació como resultado de una violación, mi abuela nunca le mostró afecto y eso lo marco para siempre. El único afecto que mostró fue para Monika.” dijo Beatriz en una entrevista para la BBC News (aquí) A finales de los sesenta, todo cambió con la muerte del Che Guevara, rompió con sus raíces y dio un drástico giro para entrar de lleno a la milicia empuñando el brazo con la Guerrilla de Ñancahuazú, tal como lo hiciera en vida su héroe por la desigualdad social.
Mónica dejó de ser aquella chica apasionada por la lente para convertirse en “Imilla la revolucionaria” refugiada en un campamento de las colinas Bolivianas. A medida que fueron desapareciendo de la faz de la tierra la mayor parte de sus integrantes, su dolor se trasformó en fuerza para reclamar justicia convirtiéndose en una clave operativa para el ELN. Durante los cuatro años que permaneció recluida en el campamento escribió a su padre, solamente una vez por año, para decir textualmente; “no se preocupen por mi… estoy bien”. Lamentablemente, nunca más la volvió a ver; ni viva, ni muerta.
Así fue como en año 1971 cruza el Atlántico y vuelve a su natal Alemania, y en Hamburgo ejecuta personalmente al cónsul boliviano, el coronel Roberto Quintanilla Pereira, responsable directo del ultraje final a Guevara: la amputación de sus manos, luego de su fusilamiento en La Higuera. Con esa profanación firmó su sentencia de muerte y, desde entonces, la fiel “Imilla” se propuso una misión de alto riesgo: juró que vengaría al Che Guevara. Después de cumplir su objetivo comenzaría una cacería que atravesó países y mares y que solo encontró su fin cuando Mónica cayó muerta en el año de 1973, en una emboscada que según algunas fuentes fidedignas le tendió su traicionero “tío” Klaus Barbie.
Después de su muerte, Hans Erlt siguió viviendo y filmando documentales en Bolivia, donde murió a la edad de 92 años (año 2000) en su granja ahora convertida en museo gracias a la ayuda de algunas instituciones de España y Bolivia. Allí permanece enterrado, acompañado de su vieja chaqueta de militar alemán, su fiel compañera de los últimos años. Su sepulcro permanece entre dos pinos y tierra de su natal Bavaria. El mismo se encargo de prepararlo y su hija Heidi de hacer sus deseos realidad. Hans había expresado en una entrevista concedida a la agencia Reuters:
 
“No quiero regresar a mi país. Quiero, incluso muerto, quedar en esta mi tierra”.
 
En un cementerio de La Paz, se dice que descansan “simbólicamente” los restos de Mónica Ertl. En realidad nunca le fueron entregados a su padre. Sus reclamos fueron ignorados por las autoridades a partir del hecho. Estos permanecen en algún sitio desconocido del país boliviano. Yacen en una fosa común, sin una cruz, sin un nombre, sin una Bendicion de su padre. Así fue la vida de esta mujer que en un período, al decir de la derecha fascista de aquellos años, campeaba en “el comunismo” y por ende “el terrorismo” en Europa.
Para unos su nombre quedo grabado en los jardines de la memoria como guerrillera, asesina o quizá terrorista, para otros como una mujer valiente que cumplió con una misión. En mi opinión, es el costado femenino de una revolución que luchó por las utopías de su época, y que a la luz de nuestros ojos nos obliga a reflexionar, una vez más sobre esta frase: “Jamás subestime el valor de una mujer”.
Fotos del dominio público en galerías de internet. Complilacón de datos y redacción con algunos ajustes de mi autoría.»

FONTE: Club de Lilith