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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

GRUPO DE IRRESPONSÁVEIS

«“Estamos entregues a um grupo de irresponsáveis", diz Freitas do Amaral
O fundador do CDS e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Diogo Freitas do Amaral disse nesta terça-feira que o país está “entregue a um grupo de irresponsáveis” e defendeu um governo de salvação nacional ou eleições antecipadas.
“Nós estamos entregues a um grupo de irresponsáveis, de pessoas que não sabem o que é governar um país, não sabem o que é a dignidade do Estado e não sabem as regras mais elementares da democracia (…). Não sabem nada, fazem tudo mal”, criticou o histórico dirigente partidário.
Diogo Freitas do Amaral assinalou que a declaração que o primeiro-ministro fez hoje ao país, após a demissão do ministro centrista Paulo Portas, “revelou um homem que vive fora da realidade e um político com medo de assumir as graves responsabilidades que lhe cabem na dupla crise das últimas 24 horas”.
Pedro Passos Coelho anunciou que vai manter-se em funções e que não aceitou a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que pediu para sair do Governo menos de 24 horas depois do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ter tomado a mesma decisão.
“O Governo está morto e quanto mais depressa se encontrar outro, melhor”, frisou Freitas do Amaral, adiantando que, se o Presidente da República “não puder ou não quiser formar um governo de salvação nacional”, que seria a melhor solução para o país, deve convocar eleições antecipadas.
O antigo ministro, que foi também candidato à presidência da República, assinalou que “em democracia não se pode ter medo de eleições”, afirmando que “é uma perda de tempo” Passos Coelho apelar a Paulo Portas que volte atrás numa decisão que o próprio considerou irrevogável.
“[Passos Coelho] está agarrado ao poder, está com medo de ir para eleições, está com medo de pedir uma moção de confiança ao Parlamento, está com medo de perder o apoio do CDS, está com medo de perder a presidência do PSD e, portanto, acena para uma solução que teria sido possível há uns meses”, mas não depois de ignorar as posições do CDS e de Portas.
“Andou a humilhá-lo e agora é que vem pedir batatinhas? É tarde”, considerou, acrescentando que, “se o primeiro-ministro continuar a fazer este jogo, o CDS deve solidarizar-se com o seu presidente e romper a coligação”.»
FONTE: Público
Lusa

domingo, 18 de agosto de 2013

PORTUGAL É RICO

Mais um registo:
«Portugal é um dos países mais ricos da UE, e não dos mais pobres!

Portugal é um dos poucos países no mundo que pode fechar as suas fronteiras, pois a natureza dá-lhe uma grande riqueza que...
contém tudo o que é necessário para que a sua povoação possa viver feliz e em paz!

A maior parte dos portugueses desconhece que o seu “pobre” país possuí:
- A maior Zona Económica Exclusiva da UE, que é tão grande como todo o continente europeu.
- 80% de solo arável, mas está quase em completo abandono.
- Invejável rede hidrográfica a nível mundial.
- Grandes reservas de água doce, em aquíferos subterrâneos, quase inesgotáveis.
- As maiores reservas de ferro, da UE, de excelente qualidade.
- As maiores reservas de cobre da Europa (segundas do mundo).
- As maiores reservas de tungsténio (volfrâmio) da Europa.
- As maiores reservas de lítio da Europa.
- As maiores reservas de terras raras.
- As segundas maiores reservas de urânio da Europa.
- Grandes reservas mineiras de ouro, prata e platina.
- Grandes reservas de carvão mineral de excelente qualidade.
- E as incomensuráveis riquezas que as águas do Atlântico escondem.
- Uma das maiores reservas de petróleo da europa ,que já vão ser exploradas na costa do Algarve, por companhias alemães e espanhola. Vão pagar a Portugal apenas 20 cêntimos por barril, enquanto ele já passou à muito tempo os 100 dólares por barril.
-Reservas de gás natural e de gisto, que dá para Portugal pelo menos para 100 anos sem precisar de ninguém.

E isto é apenas a ponta do iceberg que circula pela internet,…
Portugal, é possivelmente o país mais rico da UE, na sua dimensão, e é levado à ruína pelos seus governantes.

Caros Governantes, por favor valorizem o vosso país, em vez da vossa carteira!»
 


domingo, 26 de maio de 2013

O PRONTO-A-VESTIR ...

«... DA LUTA DE CLASSES
Martim Neves é um miúdo de 16 anos. Aos 15 anos, desenhava umas roupas e resolveu fazer-se à vida. Pediu a "às raparigas mais giras" da escola para as usarem e assim promover o seu trabalho. Depois a coisa correu bem e acabou por pedir a uma fábrica que o fizesse. Já exporta o que faz. Até aqui, o Martim só merecia aplauso. Até aqui e depois disto. Porque a única coisa que vi no "Prós & Contras" de segunda-feira foi um miúdo empenhado, com genica, a querer viver da sua criatividade e do seu trabalho. Não vi um chico esperto, um arrivista, alguém que espezinha os outros para subir na vida. Vi alguém que quer fazer o que gosta e faz por isso. Nada sei sobre ele. Ninguém ali sabia. Logo, o que interessa é o que se viu: um miúdo articulado, despachado, esperto e empenhado.
 
A historiadora Raquel Varela (que, para que fique a declaração de interesses, conheço há uns bons anos e de quem, apesar de muitas e antigas divergências políticas, gosto muito pessoalmente) achou que aquele era o momento ideal para explicar os fundamentos da exploração. Perguntou se ele sabia quanto recebiam os trabalhadores chineses que lhe faziam a roupa. Azar: a roupa era feita numa fábrica portuguesa. Depois perguntou se ele sabia quanto ganhavam os trabalhadores que as faziam, pois nas fábricas portuguesas recebe-se o salário mínimo, que, verdade indesmentível, não dá para viver com dignidade. Ele respondeu: ao menos os trabalhadores que ganham o salário mínimo não estão no desemprego. A coisa espalhou-se pelas redes sociais e o rapaz tornou-se em assunto de debate.
 
Com esta frase, Martim Neves, sem o saber (ou sabendo, é indiferente), atirou por terra tudo que Raquel Varela tivesse para dizer. Porque a historiadora não tinha razão? Porque o salário mínimo dá para viver? Nada disso. Raquel Varela tinha toda a razão, mas a isso já vou. Mas porque o facto de ter razão não invalida que o que Martim disse seja igualmente verdade. É mesmo melhor pouco que nada. Não é preciso fazer grande teoria sobre o assunto, porque se trata de puro bom-senso. Ter nada não é o mesmo que ter pouco. Por isso mesmo se defende a existência de um salário mínimo e todas as pessoas normais se batem pelo subsídio de desemprego. Se fosse o mesmo, nem uma nem outra coisa fariam qualquer sentido. Se não fosse melhor receber o salário mínimo do que estar desempregado a esquerda não tinha passado décadas a bater-se pelo salário mínimo. Quer é que ele seja maior.
 
O problema de Raquel Varela foi ter escolhido a pessoa errada para ilustrar o seu ponto de vista. Foi ter procurado num miúdo de 16 anos, com iniciativa, que não é dono de fábrica nenhuma e que em nenhum momento defendeu que o salário mínimo era decente, mais um exemplo da luta de classes. Foi, como muitas vezes acontece à esquerda (e à direita), usar a ideologia, não como o enquadramento para a sua ação política, mas como um pronto-a-vestir. Simplificou de tal forma as coisas que recebeu uma resposta igualmente simples mas muito mais eficaz.
 
Sim, o pouco ser melhor que nada não justifica o pouco. Porque de pouco em pouco se chega ao nada. Porque, já agora, pelo menos em Portugal, a existência do desemprego ajuda aos salários baixos. E o argumento de que mais vale pouco que nada faz o resto. Não porque seja falso. Funciona exatamente por ser verdadeiro. Se fosse falso, ninguém aceitaria pouco e preferia ficar com nada.
 
Cabe à política, através, por exemplo, de um salário mínimo decente, de um subsídio de desemprego que não obrigue as pessoas a aceitar trabalho quase escravo, de um Estado Social que garanta a dignidade, de uma política que promova o trabalho qualificado, impedir que esta verdade se transforme numa chantagem. Nada disto é posto em causa pelas roupas do Martim. Nem pelo facto de ter entregue as suas roupas a uma fábrica e com isso ter ajudado, à sua dimensão, a economia. Aquela que produz bens que nós compramos. Coisa que Raquel Varela quase tratou como uma forma de cumplicidade de um adolescente com a política de salários baixos. Nem sequer a sua frase, que corresponde a uma evidência, é um problema. O problema, e disso o Martim não tem qualquer culpa, é a política que usa esta verdade para aniquilar a dignidade das pessoas. O mundo estar cheio de verdades cruéis não nos impede de, como comunidade, impor outras verdades que as combatam.
 
O problema de alguma esquerda, que desvaloriza o papel social do Estado e o reformismo de que o garantiu, é que depois se vê obrigada a encontrar em cada demonstração de ambição pessoal mais um exemplo da luta de classes, única explicação para toda a realidade. Porque não há lugar para meios-termos, não há diferença entre o Martim e o dono da cadeia de supermercados que tem lucros gigantescos enquanto mantém os seus trabalhadores abaixo do limiar da pobreza.
 
O problema naquele diálogo não foi o Martim. Foi a Raquel Varela, que confundiu a consciência política e a solidariedade social, que a todos é exigida, com a falta de ambição pessoal. Que confundiu o combate ao ultraliberalismo com a censura à iniciativa privada. Que tomou um miúdo com genica por um capitalista sem escrúpulos. Que tentou aplicar o seu prefabricado ideológico na primeira coisa que lhe apareceu à frente. Que confundiu o Manuel Germano com Género Humano. Que, como acontece tantas vezes ao excesso de voluntarismo ideológico (de esquerda ou de direita, de Raquel Varela e dos que viram no Martim um exemplo para saída da crise), afastou a política da vida concreta, fazendo da vida concreta uma mera ilustração da política.
Publicado no Expresso Online»
Por Daniel Oliveira
FONTE: Arrastão

segunda-feira, 20 de maio de 2013

CATARINA EUFÉMIA

«Francisco Miguel
Na vasta planície os trigos não ceifados.
Ao longe oliveiras batidas pelo sol.
Tu serena caminhas para os soldados
com a ideia, para todos um farol.

A brisa não se levantara.
Ias armada apenas da razão.
Contigo os milhões que têm, fome
contigo o povo que não come e que ali cultiva o nosso pão.

O monstro empunhava as armas de aço.
Tu pedindo a paz serena caminhavas
levando um filho no colo outro no regaço.

As armas dispararam, tu tombaste.
Com teu sangue a terra foi regada.

E ali à luz do sol que tudo ardia
dava mais um passo a nossa caminhada.
Na boca da mulher assassinada
certeza da vitória nos sorria.

o sol que o teu sangue viu correr
que teus camaradas viu ali aflitos
ouvirá amanhã os nossos gritos
quando o novo dia amanhecer

Que nessa terra heróica - Baleizão -
onde se recolhe o trigo branco e loiro
teu nome gravado em letras de oiro
tem já cada um no coração»

AO RETRATO DE CATARINA

«Carlos Aboim Inglez
Esses teus olhos enxutos
Num fundo cavo de olheiras
Esses lábios resolutos
Boca de falas inteiras
Essa fronte aonde os brutos
Vararam balas certeiras
Contam certa a tua vida
Vida de lida e de luta
De fome tão sem medida
Que os campos todos enluta

Ceifou-te ceifeira a morte
Antes da própria sazão
Quando o teu altivo porte
Fazia sombra ao patrão
Sua lei ditou-te a sorte
Negra bala foi teu pão
E o pão por nós semeado
Com nosso suor colhido
Pelo pobre é amassado
Pelo rico só repartido

Tanta seara continhas
Visível já nas entranhas
Em teu ventre a vida tinhas
Na morte certeza tenhas
Malditas ervas daninhas
Hão-de ter mondas tamanhas
Searas de grã estatura
De raiva surda e vingança
Crescerão da tua esperança
Ceifada sem ser madura

Teus destinos Catarina
Não findaram sem renovo
Tiveram morte assassina
Hão-de ter vida de novo
Na semente que germina
Dos destinos do teu povo
E na noite negra negra
Do teu cabelo revolto
nasce a Manhã do teu rosto
No futuro de olhos posto»

GOVERNO VAI CAIR?

«Passos Coelho foi a Belém no domingo dizer a Cavaco Silva que a sétima avaliação da troika a Portugal estava em perigo porque Portas recusava assinar o documento que punha como “benchmark [objectivo] estrutural” a nova taxa sobre as pensões. A troika não cedia.
Cavaco, nessa manhã, virou o jogo: manifestou também dúvidas sobre a medida e fez chegar à troika a mensagem de que poderia enviá-la para o Tribunal Constitucional. O perigo de queda do Governo e a oposição do Presidente acabaram por ter efeitos: a medida foi desvalorizada e Portas aceitou, “na 25.ª hora”, assinar o memorando. Pelo meio, até Durão Barroso interveio – o presidente da Comissão estava em Lisboa e falou com Passos e Portas, ajudando a recompor a coligação.
A crise interna começou na quinta-feira da semana passada, quando Portas recebeu no Palácio das Necessidades os chefes de missão da troika. Fez aí um derradeiro esforço para os convencer da necessidade de deixar cair a nova taxa sobre as pensões. Mas a troika não se convenceu. Considerou os cortes alternativos nos ministérios, que Portas e Carlos Moedas conseguiram em duas semanas de trabalho interno, de efeito incerto; e considerou também imprescindível que o Governo fosse determinado no campo das pensões.
Na sexta-feira ao final do dia, Passos e Portas encontraram-se em S. Bento. Foi aí que Portas disse que não assinaria o documento com a medida classificada como prioritária. Saiu da residência oficial do primeiro-ministro com a ruptura à vista.
Os técnicos externos terminaram a avaliação no sábado e deixaram a batata quente a Passos Coelho. Nesse dia, Passos chamou vários ministros a S. Bento: Mota Soares, Portas, Gaspar e Poiares Maduro. Mas em separado. Em cima da mesa, uma versão intermédia: a medida passaria a opcional, ou seja, poderia ser trocada por outra medida de igual efeito. Um critério que a tornava igual a todas as outras.
O líder do CDS, que tinha marcada em Aveiro uma discreta apresentação de candidatos autárquicos, voltou a São Bento. Mas manteve-se contra: não queria a taxa no papel nem como hipótese académica, confirmou o SOL.»
FONTE: Jornal Sol

domingo, 19 de maio de 2013

EL CHE Y SU MADRE

«El Che y su madre: La piedra
Este es un impactante relato testimonial escrito por el Che en el Congo. Ocupa en su versión original, de la que fue tomado, diez caras de su libreta de apuntes, y está escrito allí directamente, con pocas correcciones en sus páginas. El tema del relato —el anuncio de la posible muerte de Celia, su madre— ubica su escritura en algún momento posterior al 22 de mayo de 1965. Osmany Cienfuegos llevó al Che ese día “la noticia más triste de la guerra: en conversación telefónica desde buenos Aires informaban que mi madre estaba muy enferma, con un tono que hacía presumir que ese era simplemente un anuncio preparatorio. (…) Tuve que pasar un mes en esa triste incertidumbre, esperando resultados de algo que adivinaba pero con la esperanza de que hubiera un error en la noticia, hasta que llegó la confirmación del deceso de mi madre”. En medio de “esa triste incertidumbre” Che construye este relato de fuerte tono introspectivo, en el que conviven las reflexiones filosóficas, la ironía, el dolor y la ternura. Es probablemente el relato más crudo, intenso y conmovedor que haya escrito. LA PIEDRA Me lo dijo como se deben decir estas cosas a un hombre fuerte, a un responsable, y lo agradecí. No me mintió preocupación o dolor y traté de no mostrar ni lo uno ni lo otro. ¡Fue tan simple! Además había que esperar la confirmación para estar oficialmente triste. Me pregunté si se podía llorar un poquito. No, no debía ser, porque el jefe es impersonal; no es que se le niegue el derecho a sentir, simplemente, no debe mostrar que siente lo de él; lo de sus soldados, tal vez. —Fue un amigo de la familia, le telefonearon avisándole que estaba muy grave, pero yo salí ese día. —Grave, ¿de muerte? —Sí. —No dejes de avisarme cualquier cosa. En cuanto lo sepa, pero no hay esperanzas. Creo. Ya se había ido el mensajero de la muerte y no tenía confirmación. Esperar era todo lo que cabía. Con la noticia oficial decidiría si tenía derecho o no a mostrar mi tristeza. Me inclinaba a creer que no. El sol mañanero golpeaba fuerte después de la lluvia. No había nada extraño en ello; todos los días llovía y después salía el sol y apretaba y expulsaba la humedad. Por la tarde, el arroyo sería otra vez cristalino, aunque ese día no había caído mucha agua en las montañas; estaba casi normal. —Decían que el 20 de mayo dejaba de llover y hasta octubre no caía una gota de agua. —Decían… pero dicen tantas cosas que no son ciertas. —¿La naturaleza se guiará por el calendario? No me importaba si la naturaleza se guiaba o no por el calendario. En general, podía decir que no me importaba nada de nada, ni esa inactividad forzada, ni esta guerra idiota, sin objetivos. Bueno, sin objetivo no; solo que estaba tan vago, tan diluido, que parecía inalcanzable, como un infierno surrealista donde el eterno castigo fuera el tedio. Y, además, me importaba. Claro que me importaba. Hay que encontrar la manera de romper esto, pensé. Y era fácil pensarlo; uno podía hacer mil planes, a cual más tentador, luego seleccionar los mejores, fundir dos o tres en uno, simplificarlo, verterlo al papel y entregarlo. Allí acababa todo y había que empezar de nuevo. Una burocracia más inteligente que lo normal; en vez de archivar, lo desaparecían. Mis hombres decían que se lo fumaban, todo pedazo de papel puede fumarse, si hay algo dentro. Era una ventaja, lo que no me gustara podía cambiarlo en el próximo plan. Nadie lo notaría. Parecía que eso seguiría hasta el infinito. Tenía deseos de fumar y saqué la pipa. Estaba, como siempre, en mi bolsillo. Yo no perdía mis pipas, como los soldados. Es que era muy importante para mí tenerla. En los caminos del humo se puede remontar cualquier distancia, diría que se pueden creer los propios planes y soñar con la victoria sin que parezca un sueño; solo una realidad vaporosa por la distancia y las brumas que hay siempre en los caminos del humo. Muy buena compañera es la pipa; ¿cómo perder una cosa tan necesaria? Qué brutos. No eran tan brutos; tenían actividad y cansancio de actividad. No hace falta pensar entonces y ¿para qué sirve una pipa sin pensar? Pero se puede soñar. Sí, se puede soñar, pero la pipa es importante cuando se sueña a lo lejos; hacia un futuro cuyo único camino es el humo o un pasado tan lejano que hay necesidad de usar el mismo sendero. Pero los anhelos cercanos se sienten con otra parte del cuerpo, tienen pies vigorosos y vista joven; no necesitan el auxilio del humo. Ellos la perdían porque no les era imprescindible, no se pierden las cosas imprescindibles. ¿Tendría algo más de ese tipo? El pañuelo de gasa. Eso era distinto; me lo dio ella por si me herían en un brazo, sería un cabestrillo amoroso. La dificultad estaba en usarlo si me partían el carapacho. En realidad había una solución fácil, que me lo pusiera en la cabeza para aguantarme la quijada y me iría con él a la tumba. Leal hasta en la muerte. Si quedaba tendido en un monte o me recogían los otros no habría pañuelito de gasa; me descompondría entre las hierbas o me exhibirían y tal vez saldría en el Life con una mirada agónica y desesperada fija en el instante del supremo miedo. Porque se tiene miedo, a qué negarlo. Por el humo, anduve mis viejos caminos y llegué a los rincones íntimos de mis miedos, siempre ligados a la muerte como esa nada turbadora e inexplicable, por más que nosotros, marxistas-leninistas explicamos muy bien la muerte como la nada. Y, ¿qué es esa nada? Nada. Explicación más sencilla y convincente imposible. La nada es nada; cierra tu cerebro, ponle un manto negro, si quieres, con un cielo de estrellas distante, y esa es la nada-nada; equivalente: infinito. Uno sobrevive en la especie, en la historia, que es una forma mistificada de vida en la especie; en esos actos, en aquellos recuerdos. ¿Nunca has sentido un escalofrío en el espinazo leyendo las cargas al machete de Maceo?: eso es la vida después de la nada. Los hijos; también. No quisiera sobrevivirme en mis hijos: ni me conocen; soy un cuerpo extraño que perturba a veces su tranquilidad, que se interpone entre ellos y la madre. Me imaginé a mi hijo grande y ella canosa, diciéndole, en tono de reproche: tu padre no hubiera hecho tal cosa, o tal otra. Sentí dentro de mí, hijo de mi padre yo, una rebeldía tremenda. Yo hijo no sabría si era verdad o no que yo padre no hubiera hecho tal o cual cosa mala, pero me sentiría vejado, traicionado por ese recuerdo de yo padre que me refregaran a cada instante por la cara. Mi hijo debía ser un hombre; nada más, mejor o peor, pero un hombre. Le agradecía a mi padre su cariño dulce y volandero sin ejemplos. ¿Y mi madre? La pobre vieja. Oficialmente no tenía derecho todavía, debía esperar la confirmación. Así andaba, por mis rutas del humo cuando me interrumpió, gozoso de ser útil, un soldado. —¿No se le perdió nada? —Nada —dije, asociándola a la otra de mi ensueño. —Piense bien. Palpé mis bolsillos; todo en orden. —Nada. —¿Y esta piedrecita? Yo se la vi en el llavero. —Ah, carajo. Entonces me golpeó el reproche con fuerza salvaje. No se pierde nada necesario, vitalmente necesario. Y, ¿se vive si no se es necesario? Vegetativamente sí, un ser moral no, creo que no, al menos. Hasta sentí el chapuzón en el recuerdo y me vi palpando los bolsillos con rigurosa meticulosidad, mientras el arroyo, pardo de tierra montañera, me ocultaba su secreto. La pipa, primero la pipa; allí estaba. Los papeles o el pañuelo hubieran flotado. El vaporizador, presente; las plumas aquí; las libretas en su forro de nylon, sí; la fosforera, presente también, todo en orden. Se disolvió el chapuzón. Solo dos recuerdos pequeños llevé a la lucha; el pañuelo de gasa, de mi mujer y el llavero con la piedra, de mi madre, muy barato este, ordinario; la piedra se despegó y la guardé en el bolsillo. ¿Era clemente o vengativo, o solo impersonal como un jefe, el arroyo? ¿No se llora porque no se debe o porque no se puede? ¿No hay derecho a olvidar, aún en la guerra? ¿Es necesario disfrazar de macho al hielo? Qué se yo. De veras, no sé. Solo sé que tengo una necesidad física de que aparezca mi madre y yo recline mi cabeza en su regazo magro y ella me diga: “mi viejo”, con una ternura seca y plena y sentir en el pelo su mano desmañada, acariciándome a saltos, como un muñeco de cuerda, como si la ternura le saliera por los ojos y la voz, porque los conductores rotos no la hacen llegar a las extremidades. Y las manos se estremecen y palpan más que acarician, pero la ternura resbala por fuera y las rodea y uno se siente tan bien, tan pequeñito y tan fuerte. No es necesario pedirle perdón; ella lo comprende todo; uno lo sabe cuando escucha ese “mi viejo”… —¿Está fuerte? A mí también me hace efecto; ayer casi me caigo cuando me iba a levantar. Es que no lo dejan secar bien parece. —Es una mierda, estoy esperando el pedido a ver si traen picadura como la gente. Uno tiene derecho a fumarse aunque sea una pipa, tranquilo y sabroso ¿no?…»
FONTE: Partido Comunista de Cuba - PCC - Facebook

sábado, 4 de maio de 2013

NÃO À MARIQUICE POLÍTICA

«Levar a cabo políticas que aumentam o desemprego e a pobreza é coragem. Cantar é um exagero. Um estudo da mariquice política deve começar por analisar o modo como o canto coral passou a ser considerado um exagero
Tendo nascido no dia 28 de Abril de 1974, não vivi um único minuto sob um regime político autoritário. Tirando aqueles anos do Cavaco. E aqueles do Sócrates. E agora estes. Mas nunca vivi sob autoritarismo a sério. Aquele que prende, tortura e mata. Nunca vivi num daqueles regimes em que é preciso ser um herói para fazer o que eu faço - e nos quais, por isso mesmo, eu me dedicaria, evidentemente, a outra actividade. Também não me lembro dos tempos do PREC, mas ouço dizer que houve exageros. Que surpresa. Ao fim de 50 anos de ditadura, a liberdade chega e há exageros durante uns meses. Vá lá uma pessoa perceber isto. O problema do exagero, em política, é que só é apreciado quando quem o comete veste fato e gravata. Nesse caso, não se chama exagero: é coragem política. Só os barbudos mal vestidos é que exageram.

Há um livro do Lewis Carroll, chamado Sylvie e Bruno, que começa com uma multidão confusa a exigir, aos gritos: "Menos pão! Mais impostos!" Como se trata de uma turba, na rua, tem graça. Mas Vítor Gaspar faz o mesmo e é muito menos engraçado. Eis como a mesma piada, dita por pessoas diferentes, pode ter resultados distintos. Em reacção à política do Governo, um grupo de pessoas foi cantar para junto de altos dignitários. Como é evidente, exageraram. Levar a cabo políticas que aumentam o desemprego e a pobreza é coragem. Cantar é um exagero. Reparem que ninguém queimou pneus, nem partiu montras, nem pilhou lojas. O exagero foi cantar. Entoou-se uma melodia exageradamente. Um estudo da mariquice política deve começar por analisar o modo como o canto coral passou a ser considerado um exagero.
Além disso, há um movimento chamado Que se Lixe a Troika. Outro exagero. Que se lixe a troika? Ui, que expressão tão feia. E depois? Como pagamos salários e mantemos serviços públicos, se é com o dinheiro que a troika caridosamente nos oferece que conseguimos fazê-lo? São objecções que se inserem igualmente no âmbito da mariquice política. Os críticos da divisa Que se Lixe a Troika preferiam uma palavra de ordem mais sensata e educada. É possível que tolerassem melhor o hipotético e muito mais cordato movimento "Que olhemos de um modo moderadamente crítico para a troika, sobretudo no sentido em que talvez os prazos estipulados sejam demasiado curtos e as metas impostas relativamente irrealistas, agravando assim a crise, mas realçando ao mesmo tempo os benefícios que nos traz o empréstimo, por muito que eles sejam atenuados pelo que ficou dito atrás." Talvez esta formulação fosse menos exagerada, mas mesmo assim não garanto. Isto é gente que diz "apre!" quando martela o dedo.»
Ricardo Araújo Pereira,
Fonte: Revista Visão

segunda-feira, 25 de março de 2013

CARILDA OLIVER LABRA

CANTO A FIDEL
«No voy a nombrar a Oriente,
no voy a nombrar la Sierra,
no voy a nombrar la guerra
-penosa luz diferente -,
no voy a nombrar la frente,
la frente sin un cordel,
la frente para el laurel,
la frente de plomo y uva,
voy a nombrar toda Cuba:
voy a nombrar a Fidel.
Ese que para en la tierra
aunque la luna le hincha,
ese de sangre que brinca
y esperanza que se aferra,
ese clavel en la guerra,
ese que en valor se baña,
ese que allá en la montaña
es un tigre repetido
y donde quiera ha crecido
como si fuese de caña.
Ese Fidel insurrecto
respetado por las piñas,
novio de todas las niñas
que tienen el sueño recto.
Ese Fidel – sol directo
sobre el café y las palmeras -,
ese Fidel con ojeras
vigilante en el Turquino
como un ciclón repentino,
como un montón de banderas.
Por su insomnio y sus pesares,
por un puño que no veis,
por su amor al 26,
por todos sus malestares,
por su paso entre espinares
de tarde y de madrugada,
por la sangre del Moncada
y por la lágrima aquella
que habrá dejado una estrella
en su pupila guardada.
Por el botón sin coser
que le falta sobre el pecho,
por su barba, por su lecho
sin sábana ni mujer
y hasta por su amanecer
con gallos tibios de horror
yo empuño también mi honor
y le sigo a la batalla
con este verso que estalla
como granada de amor.
Gracias por ser de verdad,
gracias por hacernos hombres,
gracias por cuidar los nombres
que tiene la libertad…
Gracias por tu dignidad,
gracias por tu rifle fiel,
por tu pluma y tu papel,
por tu ingle de varón.
Gracias por tu corazón.

¡ Gracias por todo, Fidel!»

Carilda Oliver Labra, poetisa cubana

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

ESTADO DA NAÇÃO

«Portugal nas mãos de um punhado de ex politicos ou amigos de politicos
Posted: 11 Dec 2012 01:32 PM PST


Neste video há muito para descobrir. Mas os primeiros 9 minutos são uma ofensa grave, ao contribuinte.
- Como os seus impostos são esbanjados?
- Como sustentar um grupo com mais de 50 empresas com dinheiros públicos, para que nenhuma se afunde, convém manter algumas que sirvam de porta de entrada de dinheiro público, esse poço inesgotável de dinheiro fácil.
- Como os políticos ou deputados fazem pela vida, unidos PS, PSD, etc.
- Como se criam escolas com direito de poder escolher alunos de elite e rejeitar alunos fracos?
- Como pode o estado financiar escolas que violam o principio básico da educação? A educação é para todos.
- Como é que os directores destas escolas se transformam em poderosos coleccionadores de luxos incalculáveis, explorando os empregados.
Queira ter a bondade de navegar neste mar de corrupção, até ao minuto 9 pode mesmo sentir-se enjoado com tanta falta de vergonha e promiscuidade, entre politica e negócios. A partir do minuto 9, o video foca-se na situação dos professores

O governo não precisa de dizer que vai acabar com o ensino gratuito .. pura e simplesmente fará para que isso aconteça.
O governo não precisa de dizer que vai acabar com o apoio público aos idosos, lares etc... pura e simplesmente cria as condições para isso e acontecerá.
O governo não precisa de dizer que vai acabar com a saúde pública... basta continuar no percurso que nos tem imposto, que lá chegaremos.
Todos sabemos que a intenção é destruir definitivamente os serviços públicos, que para eles gastam muitos impostos, e depois sobra menos para eles e para sustentar as suas fundações, as suas PPP, as suas empresas subsidiadas pelo estado, os seus subsídios e reformas, etc.
É ainda claro que lhes convém aniquilar as pequenas e médias empresas, para permitir que o nosso pequeno mercado português, fique à mercê dos grandes e poderosos gananciosos insaciáveis, amigos de, e ex políticos.
* "Maiores fortunas de Portugal cresceram 18% em 2011. Os ricos de Portugal estão mais ricos, segundo a lista das maiores fortunas do País elaborada pela Revista Exame. As fortunas dos 25 mais ricos de Portugal cresceram 17,8% em 2011 face ao ano passado" fonte
* Lucro da Sonaecom sobe 24% no 1.º trimestre para 17 milhões de euros | iOnline
* "Mota Engil escapa à crise"
* "Jerónimo Martins acelera 4,5%, Lisboa lidera ganhos na Europa" (eu avisei)

Resumo do video
Com a desculpa de que não havia vagas para todos os alunos no público, constroem-se colégios privados. Na verdade as escolas públicas ficam com várias vagas por preencher, com capacidade para 45 turmas, apenas lhe atribuem 37, e os alunos são empurrados para o privado, para que estes, tenham direito a receber mais subsídios do estado, pois significa 85 mil euros de subsidio por turma!!
O que é uma boa desculpa para haver cortes no público e dar mais dinheiro aos privados.
O grupo GPS é um império que exemplifica o que os nossos pobres deputados são livres de construir, na maior das impunidades e ás custas do poder que ganharam, das influências que exercem e dos dinheiros públicos que distribuem.
Sufocando a livre concorrência e a economia... afigura-se cada vez mais claro que são apenas uns poucos que dominam todos os sectores e todas as empresas, em Portugal.

António Calvete dono do império, foi deputado do PS, integrou a comissão parlamentar e um ano depois cria o grupo GPS. Espantoso? Para o grupo chamou mais pessoas influentes de vários partidos, desde deputados secretários de estado, antigos directores regionais de educação, etc.
Esta é mais uma prova, para os que teimam em agarrar-se a partidos como se fossem uma tábua de salvação, de que os partidos estão na verdade unidos numa só missão... aviar-se e roubar o mais que puderem. Nos bastidores são todos amigos e companheiros do saque.
Domingos Fernandes, secretário de Estado da Administração Educativa de António Guterres, Paulo Pereira Coelho, secretário de Estado da Administração Interna de Santana Lopes e secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, (envolvido em casos de corrupção)
José Junqueiro, deputado do PS.
Todos foram consultores do grupo GPS.
José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa de Santana Lopes, José Almeida, diretor Regional de Educação de Lisboa do mesmo governo.

Ao minuto 11, são hilariantes as reacções incoerentes de Agostinho Ribeiro.
Ao minuto 28 veja em pormenor onde os colégios privados esbanjam os impostos. Só este ano o grupo recebeu para os colégios GPS, 25 milhões de euros. Pago à turma, 85 mil por cada turma.
O dinheiro para a escola e para os professores é escasso, mas para luxos dos presidentes é uma fartura. Os professores são forçados a fazer todos os trabalhos da escola desde pintar, cantina, manutenção, contabilidade, etc
Mas os directores, Manuel António Madama, da escola de S. Mamede possui 80 carros, entre eles Jaguar Porsche, Rolls royce, Mercedes BMW, limusina Volkswagen, etc, etc. O filho António Madama, também alto cargo (boy) junto do pai, possui 17 carros.

José Canavarro e José Almeida ainda no poder e 5 dias antes das eleições que os iriam fazer perder o poder, deram autorização para a construção de 4 novos colégios.
O desespero de favorecer amigos que os iriam albergar em bons tachos, após o mandato, foi exercido até ao ultimo momento em que lhes é dado o direito de abusar do poder público.
Ambos se recusaram a ser entrevistados e negaram ter dado autorização... apesar de no video serem apresentadas as suas assinaturas a provarem o contrário.

A GPS construiu um império com mais de 50 outras empresas, além dos 26 colégios, em diversos ramos.
-GPS mediação de Seguros
-Gtelecomunicações
-MultiGPS - Multimédia
-Galevete e Galvete Imobiliária
-Agência de Viagens D. João V
-Criartimagem publicidade (já envolvida em escândalos de subsídios e outros)
-Restpresso actividades hoteleiras
-GPS comércio supermercados

Existimos em Portugal para sustentar parasitas que ainda por cima nunca ficam satisfeitos, querem sempre mais... Mira Amaral, que sabe do que fala, afirmou hoje. "«O melhor que os portugueses competentes têm para fazer» é emigrar"
E é assim que o governo continua a sua poda, cortando em quem não deve e onde não deve, para alimentar amigos.
*- Educação: "Governo corta o triplo do que a troika mandou. "
*- SNS: "A ‘troika’ mandou cortar 550 milhões e o Governo cortou mais 650 milhões e este ano vai cortar mais”, sublinhou.
*- Portugal reduziu em mais de 5% dos funcionários públicos entre dezembro de 2011 e setembro de 2012. Superando, assim, em mais do dobro a meta anual imposta pelo memorando da troika.
O mais intrigante é entender porque é que a comunicação social, só agora é que se lembra de começar a denunciar abusos que se arrastam há anos.
Depois ainda dizem que os blogs não prestam... pois pois...
Artigo que acompanhava o video.
A jornalista Ana Leal encontrou escolas públicas subaproveitadas, com salas vazias, à espera de alunos que foram transferidos para os colégios privados pertencentes ao grupo GPS, que envolve ainda vários ex-governantes de diversos partidos políticos.
O inspetor geral de Educação não mostrou disponibilidade para dar qualquer entrevista à TVI. Tentámos pelo menos durante 15 dias e ficámos a saber, através de um email que recebemos, que a inspecção terá iniciado uma auditoria aos colégios do grupo GPS.

Portugal nas mãos de um punhado de ex politicos ou amigos de politicos
Posted: 11 Dec 2012 01:32 PM PST


Neste video há muito para descobrir. Mas os primeiros 9 minutos são uma ofensa grave, ao contribuinte.
- Como os seus impostos são esbanjados?
- Como sustentar um grupo com mais de 50 empresas com dinheiros públicos, para que nenhuma se afunde, convém manter algumas que sirvam de porta de entrada de dinheiro público, esse poço inesgotável de dinheiro fácil.
- Como os políticos ou deputados fazem pela vida, unidos PS, PSD, etc.
- Como se criam escolas com direito de poder escolher alunos de elite e rejeitar alunos fracos?
- Como pode o estado financiar escolas que violam o principio básico da educação? A educação é para todos.
- Como é que os directores destas escolas se transformam em poderosos coleccionadores de luxos incalculáveis, explorando os empregados.
Queira ter a bondade de navegar neste mar de corrupção, até ao minuto 9 pode mesmo sentir-se enjoado com tanta falta de vergonha e promiscuidade, entre politica e negócios. A partir do minuto 9, o video foca-se na situação dos professores

O governo não precisa de dizer que vai acabar com o ensino gratuito .. pura e simplesmente fará para que isso aconteça.
O governo não precisa de dizer que vai acabar com o apoio público aos idosos, lares etc... pura e simplesmente cria as condições para isso e acontecerá.
O governo não precisa de dizer que vai acabar com a saúde pública... basta continuar no percurso que nos tem imposto, que lá chegaremos.
Todos sabemos que a intenção é destruir definitivamente os serviços públicos, que para eles gastam muitos impostos, e depois sobra menos para eles e para sustentar as suas fundações, as suas PPP, as suas empresas subsidiadas pelo estado, os seus subsídios e reformas, etc.
É ainda claro que lhes convém aniquilar as pequenas e médias empresas, para permitir que o nosso pequeno mercado português, fique à mercê dos grandes e poderosos gananciosos insaciáveis, amigos de, e ex políticos.
* "Maiores fortunas de Portugal cresceram 18% em 2011. Os ricos de Portugal estão mais ricos, segundo a lista das maiores fortunas do País elaborada pela Revista Exame. As fortunas dos 25 mais ricos de Portugal cresceram 17,8% em 2011 face ao ano passado" fonte
* Lucro da Sonaecom sobe 24% no 1.º trimestre para 17 milhões de euros | iOnline
* "Mota Engil escapa à crise"
* "Jerónimo Martins acelera 4,5%, Lisboa lidera ganhos na Europa" (eu avisei)

Resumo do video
Com a desculpa de que não havia vagas para todos os alunos no público, constroem-se colégios privados. Na verdade as escolas públicas ficam com várias vagas por preencher, com capacidade para 45 turmas, apenas lhe atribuem 37, e os alunos são empurrados para o privado, para que estes, tenham direito a receber mais subsídios do estado, pois significa 85 mil euros de subsidio por turma!!
O que é uma boa desculpa para haver cortes no público e dar mais dinheiro aos privados.
O grupo GPS é um império que exemplifica o que os nossos pobres deputados são livres de construir, na maior das impunidades e ás custas do poder que ganharam, das influências que exercem e dos dinheiros públicos que distribuem.
Sufocando a livre concorrência e a economia... afigura-se cada vez mais claro que são apenas uns poucos que dominam todos os sectores e todas as empresas, em Portugal.

António Calvete dono do império, foi deputado do PS, integrou a comissão parlamentar e um ano depois cria o grupo GPS. Espantoso? Para o grupo chamou mais pessoas influentes de vários partidos, desde deputados secretários de estado, antigos directores regionais de educação, etc.
Esta é mais uma prova, para os que teimam em agarrar-se a partidos como se fossem uma tábua de salvação, de que os partidos estão na verdade unidos numa só missão... aviar-se e roubar o mais que puderem. Nos bastidores são todos amigos e companheiros do saque.
Domingos Fernandes, secretário de Estado da Administração Educativa de António Guterres, Paulo Pereira Coelho, secretário de Estado da Administração Interna de Santana Lopes e secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, (envolvido em casos de corrupção)
José Junqueiro, deputado do PS.
Todos foram consultores do grupo GPS.
José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa de Santana Lopes, José Almeida, diretor Regional de Educação de Lisboa do mesmo governo.

Ao minuto 11, são hilariantes as reacções incoerentes de Agostinho Ribeiro.
Ao minuto 28 veja em pormenor onde os colégios privados esbanjam os impostos. Só este ano o grupo recebeu para os colégios GPS, 25 milhões de euros. Pago à turma, 85 mil por cada turma.
O dinheiro para a escola e para os professores é escasso, mas para luxos dos presidentes é uma fartura. Os professores são forçados a fazer todos os trabalhos da escola desde pintar, cantina, manutenção, contabilidade, etc
Mas os directores, Manuel António Madama, da escola de S. Mamede possui 80 carros, entre eles Jaguar Porsche, Rolls royce, Mercedes BMW, limusina Volkswagen, etc, etc. O filho António Madama, também alto cargo (boy) junto do pai, possui 17 carros.

José Canavarro e José Almeida ainda no poder e 5 dias antes das eleições que os iriam fazer perder o poder, deram autorização para a construção de 4 novos colégios.
O desespero de favorecer amigos que os iriam albergar em bons tachos, após o mandato, foi exercido até ao ultimo momento em que lhes é dado o direito de abusar do poder público.
Ambos se recusaram a ser entrevistados e negaram ter dado autorização... apesar de no video serem apresentadas as suas assinaturas a provarem o contrário.

A GPS construiu um império com mais de 50 outras empresas, além dos 26 colégios, em diversos ramos.
-GPS mediação de Seguros
-Gtelecomunicações
-MultiGPS - Multimédia
-Galevete e Galvete Imobiliária
-Agência de Viagens D. João V
-Criartimagem publicidade (já envolvida em escândalos de subsídios e outros)
-Restpresso actividades hoteleiras
-GPS comércio supermercados

Existimos em Portugal para sustentar parasitas que ainda por cima nunca ficam satisfeitos, querem sempre mais... Mira Amaral, que sabe do que fala, afirmou hoje. "«O melhor que os portugueses competentes têm para fazer» é emigrar"
E é assim que o governo continua a sua poda, cortando em quem não deve e onde não deve, para alimentar amigos.
*- Educação: "Governo corta o triplo do que a troika mandou. "
*- SNS: "A ‘troika’ mandou cortar 550 milhões e o Governo cortou mais 650 milhões e este ano vai cortar mais”, sublinhou.
*- Portugal reduziu em mais de 5% dos funcionários públicos entre dezembro de 2011 e setembro de 2012. Superando, assim, em mais do dobro a meta anual imposta pelo memorando da troika.
O mais intrigante é entender porque é que a comunicação social, só agora é que se lembra de começar a denunciar abusos que se arrastam há anos.
Depois ainda dizem que os blogs não prestam... pois pois...
Artigo que acompanhava o video.
A jornalista Ana Leal encontrou escolas públicas subaproveitadas, com salas vazias, à espera de alunos que foram transferidos para os colégios privados pertencentes ao grupo GPS, que envolve ainda vários ex-governantes de diversos partidos políticos.
O inspetor geral de Educação não mostrou disponibilidade para dar qualquer entrevista à TVI. Tentámos pelo menos durante 15 dias e ficámos a saber, através de um email que recebemos, que a inspecção terá iniciado uma auditoria aos colégios do grupo GPS.»

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O RESULTADO

«Execução orçamental
 
Desvio nas receitas fiscais inviabiliza meta do défice deste ano

De acordo com os dados da execução orçamental divulgados esta quinta-feira pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO), o défice do Estado caiu quase 40% até Julho, situando-se nos 3,9 mil milhões de euros. As receitas fiscais continuam a recuar mais do que o previsto no Orçamento do Estado Rectificativo (OER) e o excedente da Segurança Social está em níveis mínimos, confirmando aqueles que eram principais riscos à execução orçamental. Do lado da despesa, as notícias são positivas, com uma redução acima do previsto nos gastos com pessoal e nos juros. Mas tal não será suficiente para cobrir o desvio.

Os dados da DGO mostram que, até Julho, as receitas fiscais estão a cair 3,5%. Apesar de ter havido alguma recuperação nos últimos dois meses, esta evolução está claramente distante das previsões do Executivo: o OER prevê um aumento de 2,6% nas receitas de impostos para o conjunto do ano.

A contribuir para esta tendência estão, sobretudo, os impostos indirectos, nomeadamente o IVA. Apesar da subida do imposto no gás e na electricidade e da reestruturação das taxas do imposto, as receitas provenientes do IVA estão a cair 1,1%, enquanto o OER prevê um aumento de 11,6%.

Fonte oficial do Ministério das Finanças admite que o Executivo irá chegar ao final do ano com um desvio nas receitas fiscais, mas prefere não avançar com valores, dizendo que tal estará em discussão na quinta avaliação da troika, que arranca na próxima semana. No entanto, as Finanças consideram “exagerado” o número apresentado hoje pelo Diário Económico. Segundo o jornal, o Governo está já a trabalhar com um cenário de derrapagem de três mil milhões de euros nas receitas de impostos.

“Não recuperaremos a totalidade do desvio da receita”, reconhece fonte oficial das Finanças. “Alguma parte poderá ser compensada pelo lado da despesa, mas não recuperaremos tudo”, conclui.

Isso significa que, ou a troika “perdoa” um défice maior este ano, ou o Governo terá de tomar medidas adicionais para cumprir com a meta de 4,5% do PIB. As Finanças recordam que já estão a implementar algumas medidas de contenção das despesas, com destaque para a reprogramação das verbas do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), mas destacam que a equipa de ajuda externa já mostrou abertura para aceitar um desvio nas metas, caso este se deva a uma deterioração das condições económicas.


A expectativa do Governo é que essa abertura se concretize no âmbito da nova avaliação da troika.

Despesa compensa parte do desvio

As boas notícias vêm do lado da despesa. Até Julho, os gastos totais da Administração Central e da Segurança Social estão a cair 1,7%, sobretudo graças a uma diminuição acima do previsto das despesas com pessoal (-16%).

A contribuir para isso estão não só os cortes dos subsídios de férias dos funcionários públicos e pensionistas (falta ainda o impacto da eliminação dos subsídios de Natal), mas também uma redução acima do esperado do número de funcionários públicos.

Além disso, as Finanças apontam agora para uma “clara folga” nas despesas com juros. Estas estão a subir 17,3%, enquanto no OER se prevê um aumento de mais do dobro (39,6%) para o conjunto do ano.

O Executivo está a contar que esta poupança acima do previsto com as despesas de pessoal e de juros, bem como a reprogramação do QREN, permita compensar parte do desvio nas receitas fiscais.

Os dados da DGO mostram que o saldo da Administração Central e da Segurança Social relevante para efeitos do programa de ajustamento situou-se em 5,6 mil milhões de euros. Além da queda das receitas fiscais, há outro sinal de alarme: as contas da Segurança Social.

A intensificação da recessão e o aumento do desemprego para níveis recorde diminuíram as receitas de contribuições e quotizações em 4,4% até Julho e estão também a fazer aumentar as despesas, nomeadamente com subsídios de desemprego (22,6%).

Nos primeiros sete meses do ano, o saldo da Segurança Social caiu para metade, apresentando um excedente de apenas 139,6 milhões de euros.»
Fonte: Público.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

EURO 2012

Nunca foi tão pouco o meu entusiasmo pela seleção portuguesa de futebol, embora seja obrigado a reconhecer que ontem foi muito competente, perante uma das "Holandas" mais incompetentes dos últimos 20 anos. Contudo os laços afetivos não se rompem.
No entanto, apesar de ontem o povo grego ter contrariado esta citação, «Prefiro os perigos da liberdade ao sossego da servidão», a seguir à portuguesa a seleção grega é a minha favorita. Faço votos para que ambas se encontrem na final.

PERIGOS E SOSSEGO

Ontem li, «Prefiro os perigos da liberdade ao sossego da servidão».

domingo, 10 de julho de 2011

É O CAPITALISMO

«Quando Portugal é classificado como “lixo” pelas agências de rating ou notação financeira (ou seja, alguns dos principais envolvidos no escândalo financeiro de 2008 que precipitou esta crise estrutural do capitalismo), é altura de dizer, para quem ainda não tenha percebido, que não é com a mesma receita que nos trouxe a este buraco que vamos conseguir sair.
Mudar caras, nomes e símbolos partidários – para prosseguir e acentuar as mesmas opções políticas de fundo que já vinham de trás com os Governos anteriores – não resolve nada. O roubo no subsídio de Natal é mais uma etapa de um caminho que não acaba aqui: eles simplesmente vão dizer que afinal não chega. A mudança que se impõe, tal como vimos alertando, só se concretiza com uma política patriótica e de esquerda e com um Governo em condições de a pôr em prática. Há quem tenha expressado escândalo e indignação com os malvados dos senhores das agências de rating. Mas a verdade é que, com mais do mesmo, fazendo o jeito aos capitalistas, a resposta do capitalismo só pode ser uma: querer mais. Está na sua natureza. Isto não é o capitalismo numa fase desagradável. É o capitalismo, ponto final.
Ora, como não é cedendo ao chantagista que se acaba com a chantagem, a saída só é possível com coragem política para enfrentar os interesses instalados e o poder económico. É preciso dizer Basta! E a exigência de uma mudança de políticas, a defesa concreta dos direitos, só se faz com a acção e a luta. Como há dias sublinhou a Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP, saudando desde logo as lutas vitoriosas dos trabalhadores da CP e da FISIPE, só a luta é o caminho para defender e conquistar direitos.
É assim que se responde a essa ideologia dominante que faz passar incessantemente as teses da inevitabilidade, do conformismo, do “tem que ser”. Aliás, como também a DORS do PCP relembrou, que nenhuma das medidas contidas no programa do Governo ou do pacto da troika estão aprovadas: é possível e necessário fazer frente e impedir a concretização de cada uma das medidas negativas.
O PCP apela aos trabalhadores e ao povo que prossigam e intensifiquem a luta contra a política de direita. E destacou particularmente a luta deste Sábado, dia 9 de Julho, com o PicNic contra a precariedade, acção dinamizada pela Interjovem, Juventude Operária Católica, Associação de Bolseiros de Investigação Científica e Movimento 12 de Março. É aliás curioso que esta luta dos jovens trabalhadores, contra a precariedade, tenha sido agora tão silenciada na comunicação social dominante (e dominada)…
É preciso avisar toda a gente, como dizia o poeta. É da maior importância a participação nas acções de protesto e de defesa dos direitos e da dignidade e do futuro do próprio país. É isso que está em causa também, já neste próximo dia 14 Julho, às 15 horas, na manifestação que partirá do Largo de Santos para a Assembleia da República, convocada pela CGTP-IN.
Há um caminho para sairmos desta situação. O PCP tem afirmado a exigência de uma ruptura com a política de direita que abra caminho a uma outra política, patriótica e de esquerda que, rompendo com as orientações da União Europeia e os interesses do grande capital: valorize os salários e os direitos de quem produz riqueza; defenda a produção nacional; imponha a tributação dos lucros dos grupos económicos; avance com a renegociação da dívida; concretize o reforço dos serviços públicos e do sector empresarial do Estado.
Desde já, o PCP avança na Assembleia da República com a proposta imediata de renegociação da dívida, uma medida da máxima urgência para possibilitar a dinamização da produção nacional (a única resposta estruturante para a crise económica). O debate vai ter lugar no Plenário da AR, já na próxima sessão que está agendada para dia 20. É preciso impedir o caminho de catástrofe económico-financeira para onde estão a querer empurrar o país: procuram encurralar o país numa situação de total fragilidade e de impossível posição negocial perante os abutres da especulação financeira (também conhecidos por mercados), e só aí então dizer-nos que é altura de renegociar ou reestruturar a dívida. Não podemos esperar que nos cortem as pernas para depois começarmos a correr. Simples de entender, certo?»

domingo, 1 de maio de 2011

BOM 1º DE MAIO

A história do 1º de Maio: «No dia 1 de Maio de 1886, o operariado norte-americano ergueu um poderoso conjunto de greves e de grandes acções de massas, reivindicando direitos laborais e, entre eles, as oito horas diárias de trabalho.
Em Chicago, no dia 4 de Maio desse ano, no decorrer de um comício sindical, a polícia montou uma provocação, fazendo explodir uma bomba que matou um polícia, assim criando o pretexto para a brutal vaga repressiva que se seguiu: dezenas de mortos, centenas de feridos, centenas de trabalhadores presos, designadamente dirigentes operários, oito dos quais foram submetidos a um julgamento que se revelaria como a continuação da provocação montada no dia 4: um juiz, um júri e testemunhas todos escolhidos a dedo...
E, como a provocação previamente determinara, os acusados foram condenados a penas cruéis, tendo quatro deles - Adolph Fischer, Albert Parsons, August Spies e George Engel - sido enforcados em 11 de Novembro do ano seguinte.
(...) A repercussão destes acontecimentos - que constituíram um novo estádio na luta dos trabalhadores contra a exploração capitalista - fez-se sentir em todo o mundo.
E três anos depois, o Congresso Operário Internacional de Paris, em homenagem aos "Mártires de Chicago", aprovou uma resolução que fixava o dia 1º de Maio como Dia Internacional do Trabalhador.
(...) Desde então, todos os anos, no 1º de Maio, por todo o mundo, milhões de trabalhadores saem às ruas em memoráveis jornadas de confraternização, de luta e de exigência reivindicativa aos governos e ao patronato, exigência que comporta, sempre, a redução do horário de trabalho - sendo certo que em alguns países, as oito horas diárias são, ainda hoje, a reivindicação primeira dessas manifestações.
E tal é o significado do 1º de Maio, enquanto sinónimo de liberdade na luta pelos direitos e interesses dos trabalhadores, que só nos países onde a opressão domina ele não é comemorado livremente».

domingo, 24 de abril de 2011

AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU

Um poema que conta uma parte da história de Portugal.

As Portas que Abril Abriu
José Carlos Ary dos Santos


Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.


Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.

Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação

uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.

Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.

Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.

E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.

Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.

Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril f
ez Portugal renascer.

E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.

Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.

Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.

Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.

A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.

Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.

Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.

Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.

Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.

Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.

Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.

Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.

E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.

Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.

Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.

Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.

Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.

Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram

das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.

E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.

No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!

É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.

Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

DEMOCRACIA EM EXERCÍCIO IV

«Aos amiguinhos dos alemães e dos mercados»

«Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts who, for short-sighted or ideological reasons, have now managed to drive out one democratically elected administration and potentially tie the hands of the next one.

If left unregulated, these market forces threaten to eclipse the capacity of democratic governments — perhaps even America’s — to make their own choices about taxes and spending.»

A ler, obrigatoriamente: Portugal’s Unnecessary Bailout, no NY Times.»

Nota de Miguel Marujo, no Facebook.

«South Bend, Ind.

PORTUGAL’S plea for help with its debts from the International Monetary Fund and the European Union last week should be a warning to democracies everywhere.

The crisis that began with the bailouts of Greece and Ireland last year has taken an ugly turn. However, this third national request for a bailout is not really about debt. Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe, but it has come under unfair and arbitrary pressure from bond traders, speculators and credit rating analysts who, for short-sighted or ideological reasons, have now managed to drive out one democratically elected administration and potentially tie the hands of the next one.

If left unregulated, these market forces threaten to eclipse the capacity of democratic governments — perhaps even America’s — to make their own choices about taxes and spending.

Portugal’s difficulties admittedly resemble those of Greece and Ireland: for all three countries, adoption of the euro a decade ago meant they had to cede control over their monetary policy, and a sudden increase in the risk premiums that bond markets assigned to their sovereign debt was the immediate trigger for the bailout requests.

But in Greece and Ireland the verdict of the markets reflected deep and easily identifiable economic problems. Portugal’s crisis is thoroughly different; there was not a genuine underlying crisis. The economic institutions and policies in Portugal that some financial analysts see as hopelessly flawed had achieved notable successes before this Iberian nation of 10 million was subjected to successive waves of attack by bond traders.

Market contagion and rating downgrades, starting when the magnitude of Greece’s difficulties surfaced in early 2010, have become a self-fulfilling prophecy: by raising Portugal’s borrowing costs to unsustainable levels, the rating agencies forced it to seek a bailout. The bailout has empowered those “rescuing” Portugal to push for unpopular austerity policies affecting recipients of student loans, retirement pensions, poverty relief and public salaries of all kinds.

The crisis is not of Portugal’s doing. Its accumulated debt is well below the level of nations like Italy that have not been subject to such devastating assessments. Its budget deficit is lower than that of several other European countries and has been falling quickly as a result of government efforts.

And what of the country’s growth prospects, which analysts conventionally assume to be dismal? In the first quarter of 2010, before markets pushed the interest rates on Portuguese bonds upward, the country had one of the best rates of economic recovery in the European Union. On a number of measures — industrial orders, entrepreneurial innovation, high-school achievement and export growth — Portugal has matched or even outpaced its neighbors in Southern and even Western Europe.

Why, then, has Portugal’s debt been downgraded and its economy pushed to the brink? There are two possible explanations. One is ideological skepticism of Portugal’s mixed-economy model, with its publicly supported loans to small businesses, alongside a few big state-owned companies and a robust welfare state. Market fundamentalists detest the Keynesian-style interventions in areas from Portugal’s housing policy — which averted a bubble and preserved the availability of low-cost urban rentals — to its income assistance for the poor.

A lack of historical perspective is another explanation. Portuguese living standards increased greatly in the 25 years after the democratic revolution of April 1974. In the 1990s labor productivity increased rapidly, private enterprises deepened capital investment with help from the government, and parties from both the center-right and center-left supported increases in social spending. By the century’s end the country had one of Europe’s lowest unemployment rates.»

DEMOCRACIA EM EXERCÍCIO III

«A senhora verdade... mentiu»

«A senhora verdade, a senhora que teve razão antes de tempo, a senhora que devíamos ter ouvido. Não poupam nos encómios os que dizem que Manuela Ferreira Leite é que falou verdade em 2009 na campanha e que o estúpido do eleitor português (só não é estúpido se votar em nobres neoliberais que andam aí) se deixou levar no canto socrático. Mas como se soube ontem, via Público, "para salvar Portugal de um procedimento comunitário por défices excessivos em 2003, o Governo de Durão Barroso titularizou dívidas fiscais, para receber do Citigroup, de uma só vez, a quantia de 1760 milhões de euros. Mas a ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite nunca especificou qual seria o "preço" a pagar pelo Estado. A auditoria do Tribunal de Contas (TC) à operação de titularização, ontem divulgada, refere que, só até Fevereiro de 2010, o custo em juros e despesas de operação foi de 300 milhões de euros". [sublinhado nosso]


Ou seja: estamos a falar de alguém que omitiu a factura para as gerações futuras para não excedermos o défice naquele ano (onde é que ouvimos isto agora, não é?). Quando nos falam em "15 anos de socialismo", a expressão favorita à direita, devem estar a querer incluir a senhora verdade, no governo do comissário europeu e do seu ministro das fotocópias. Para falar verdade, MFL não hipotecou Portugal. Hipotecou a verdade. Por isso, não a apresentem como paladina de algo que ela nunca foi.»


Nota de Miguel Marujo no Facebook.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MUDANÇA

A alegria do povo egípcio é evindente e não dá para enganar. A mudança era obrigatória. Para muitos que acompanharam de fora e pelos media a contestação foi individualizada e dirigida a Mubarak. Mas não, a contestação é muito mais profunda. É dirigida a Mubarak, ao sistema que suportou Mubarak e aos amigos externos de Mubarak, União Europeia e Estados Unidos da América.
No seguimento deste raciocínio gostaria de partilhar esta informação, à vinda para casa ouvi na rádio o desenvolvimento da situação política e social no Egípto. Nesta moldura o General Loureiro dos Santos fazia a sua análise e entre imensa informação exposta, referiu que existe uma enorme diferença entre Mubarak e o presente quadro do exército. O primeiro foi treinado e educado na antiga União Soviética, o segundo já foi e é preparado pelos EUA. Embora morta a URSS ainda tem as costas largas. O descaramento deste senhor...
Quanto à mudança, era obrigatória, que seja para melhor.